***RUI BARBOSA***

***RUI BARBOSA***
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

BRASIL: PÁTRIA MACUNAÍMICA




O MUNDO MACUNAÍMICO DA POLÍTICA
Por: Fernando Luís Schüler (*)
No mundo jurídico, faz todo sentido a lógica brutal enunciada por Joaquim Barbosa, segundo a qual roubo é roubo, ladrão é ladrão, fatos são fatos..Ocorre que, por muitas razões, não é este o modelo de raciocínio que as pessoas utilizam no mundo da política.
Tenho dificuldades para imaginar que outro partido, que não o PT, teria a capacidade de atravessar praticamente incólume a um julgamento como o que estamos assistindo, já em seus momentos finais, no STF. Por ampla maioria, a Suprema Corte do País, com sete de seus onze ministros indicados pelos presidentes Lula e Dilma, condenou a cúpula histórica do partido, nos termos que todos conhecemos. O processo já vai ingressando no terreno da história. Na linguagem do mercado financeira, seu custo eleitoral já está precificado, e parece ter sido, no fim das contas, irrelevante.
Trata-se de um intrigante caso de resiliência política. Na véspera do julgamento, havia a expectativa de que ele funcionasse como um divisor de águas, espécie de redenção ética da vida publica brasileira. Otimismo tropical. É possível que as máscaras de Joaquim Barbosa sejam as mais vendidas no carnaval, mas, concluído o processo eleitoral, no mundo real da política (e independentemente do gosto partidário de cada um), é José Dirceu quem comemora o “troco”, nas eleições.
Muita tinta ainda vai se gastar para explicar este fenômeno. Um bom ponto de partida é compreender uma distinção elementar entre o mundo da política e o mundo jurídico. No mundo jurídico, faz todo sentido a lógica brutal enunciada por Joaquim Barbosa, segundo a qual roubo é roubo, ladrão é ladrão, fatos são fatos. É a mesma lógica simples que guia a vida das pessoas, dia a dia, quando educam os seus filhos, pagam suas contas e devolvem o troco dado a mais na padaria. Ocorre que, por muitas razões, não é este o modelo de raciocínio que as pessoas utilizam no mundo da política. Expressão maior desta dicotomia é o argumento que, em ultima instância, sustentou a defesa dos réus do mensalão: a tese segundo a qual não havia, efetivamente, nenhum criminoso entre os acusados, visto que nenhum roubara para fins pessoais, e sim meramente políticos.
O PT tem mostrado dominar à perfeição a arte de lidar neste mundo fluido da política. E o faz com duas vantagens cruciais: aparece como protagonista de uma historia contada e recontada, em nossa cultura política, segundo a qual a “esquerda” é ética e democrática, enquanto a “direita” é corrupta e autoritária. E esta, num argumento circular, define-se pelo ato de opor-se ao próprio Partido. A segunda vantagem é a competência para colocar em marcha uma gigantesca operação gramsciana: um exército de intelectuais, professores, jornalistas e ativistas de todos os tipos, em geral no controle de organizações sindicais, comunitárias, estudantis e afins, reverberando os argumentos que interessam ao partido a cada momento, em uma apaixonada “guerra de posições” pela hegemonia política.
Não há dúvidas de que o julgamento do mensalão pertence à história da república. E só a ela. A desconstrução do mundo macunaímico da política, que o STF, sob a batuta de Joaquim Barbosa, produziu, simplesmente pela afirmação de fatos e valores amplamente compartilhados, não terá, ao que parece, qualquer efeito educativo perceptível em nossa vida pública, ao menos há curto prazo. Quem sabe suas lições sejam digeridas, muito lentamente, no futuro, pelos historiadores de ofício, e sirvam de aprendizado para uma nova compreensão ética da vida republicana.


(*) Fernando Luís Schüler é Doutor em Filosofia (UFRGS) e Diretor do Ibmec RJ
(Publicado no jornal "O GLOBO" em 30\10\12)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O TEMPO DO CONSERTO



"Incompetência e obtusidade de quem não admite que errou, que é hora de parar, de falar, de consertar o que ainda não está perdido, mantêm esse ritmo de queda veloz. Afundamos cada dia mais."


                                                             Lya Luft                        (Foto:fliporto.net)

Quando venho ao computador escrever esta coluna, trago comigo o tema já pensado. Muitas vezes, porém, quando começo a refletir, tenho a impressão de que me repito, de que nós todos nos repetimos, incansavelmente nestes últimos tempos, descrevendo as insanidades que não param. Frases sem sentido, afirmações loucas, brigas despudoradas e despudoradas deslealdades, tudo com uma naturalidade assustadora. Quando me contaram a historinha real do assaltante que levou de uma conhecida todos os pertences e o carro, e lhe apalpou o peito — dizendo, quando ela instintivamente se encolheu: "É pra ver se tu tem arma, dona, não te preocupa que a gente tem ética" —, lembrei dos tempos que correm.

Lembrei de nós, o país, o povo e as lideranças: ainda há, nesse palco vergonhoso, quem use o termo "ética"? Penso que sim, pois falta de ética implica o uso despudorado da palavra. Ninguém parece entender nada. Somos uma nau sem rumo, sem comandante, pobre Titanic sem majestade, mas com gente ajeitando a cadeira no convés para observar o espetáculo, e muitos nas margens (pode ser mar, rio ou poço o lugar do afundamento, tanto faz), apostando: "Agora vai! Ainda não vai! Vai de proa primeiro! Aquele vai cair da amurada! Outro subiu no mastro pra espiar a melhor salvação! Um deles subiu para de lá cuspir nos de baixo!".

O cansaço vai nos abatendo, já não torcemos pelo mocinho, nem acreditamos em mocinho. Alguém disse recentemente que nesse faroeste "são todos bandidos". Feito uma bactéria ou vírus, tudo isso nos deixa atordoados e quase sem reação. A reação, bonita, vem nas ruas, onde se mostra a alma do povo que vai deixando de ser bobo. Reconhecemos quem nos meteu nesse fantástico embrulho de uma dívida que não contraímos, responsabilidade de quem deveria nos liderar. Porém, incompetência e obtusidade de quem não admite que errou, que é hora de parar, de falar, de consertar o que ainda não está perdido, mantêm esse ritmo de queda veloz.

Afundamos cada dia mais. Cada dia notícias mais incríveis (agora, parece, o Planalto culpa o ministro Joaquim Levy pelo quase total descrédito do governo). Cada manhã acordo pensando que algo terá mudado. Cada manhã vejo jornais e TV esperando que algo gravíssimo, mas positivo, tenha ocorrido. Teremos de novo esperança de salvar o pobre Titanic brasileiro, e nós todos com ele. Cada manhã tenho de reconhecer que na essência nada mudou; apenas novas maluquices, trapalhadas e traições, rasteiras, invenções, reafirmações insanas ilustram nosso novo dia.

Parece que a Bolívia avisou que vai invadir o Brasil se a presidente cair; parece que não há nenhum líder possível à vista, pois o número de rabos enrolados se multiplica, e como é que a gente não sabia? Ou adivinhava algumas coisas, mas deixava pra lá? Personagens importantes e importantíssimas na vida pública e privada, que nos inspiravam, quem sabe, faziam suas tramoias pelas quais hoje o país e cada um de nós pagam alheios pecados mortais.

Sobem os impostos, mas cai a precária qualidade de vida. Sobem as dívidas: o Itamaraty deve fortunas no exterior, por extravagâncias em viagens oficiais; falta papel higiênico nas embaixadas, falta dinheiro de moradia, estudo, alimentação — ou passagem de volta para casa a estudantes para lá enviados com grande alarde e entusiasmo, mas bases furadas — e aqui no Brasil desisto de comentar a pobreza que se espalha, a ruína material e intelectual da nossa educação, das universidades às creches, a agonia da saúde dos postos aos hospitais, e a inexistente sesurança... Já tivemos isso um dia? Gomo era mesmo quando a gente podia sair às ruas em paz?

Enquanto desemprego e pobreza se multiplicam, o Senado dá um aumento de 41% ao Ministério Público, e o Planalto dá 500 milhões de reais à sua base aliada no Congresso. Que a lei e alguns homens honrados nos livrem desses vexames, e que preservemos, senão o otimismo, o teto sobre a cabeça, o feijão no prato e, com muita sorte, o filho na escola. Que seja logo. Está passando o tempo dos consertos.

 LYA LUFT - 29/08/2015 20:01:00 

sábado, 23 de junho de 2012

"S.O.S. LAGOA DA TURFEIRA"


Nissan, sim!!! Turfeira, também!!!


(Para ampliar clique nas fotos)
Página da revista "Cidades do Rio" - Edição nº 01 (2009): A Lagoa da Turfeira ainda plena de água e alguns pássaros que nela vivem. Um documento importante para os defensores do meio ambiente.

Ampliação da página acima: A lagoa era bem visível da Rodovia Pres. Dutra.

Esta imagem, capturada no dia 18/05/2012 do mesmo angulo que aparece na foto da revista, mostra claramente que o espelho d'água da Lagoa praticamente desapareceu. Mas a recuperação é possível.

Assim era a Lagoa da Turfeira em 06 de abril de 2010 - Foto: Renato da S. Rodrigues

Assim está a Lagoa atualmente (18/05/2012) - Foto: Fernando Lemos

A Nissan do Brasil escolheu Resende (RJ) para construir sua fábrica de automóveis. O local escolhido, no Polo Industrial, abriga um complexo de área úmida denominado "Banhado da Kodak", também conhecido como Brejão da Kodak ou Lagoa da Turfeira. Essa área lagunar oferece condições de vida para muitas espécies da flora e da fauna. Ali, mais de 160 espécies de pássaros já foram catalogados, alguns em risco de extinção. Também são encontrados animais anfíbios e terrestres, como a capivara, o jacaré-de-papo-amarelo (em extinção no Estado do Rio de Janeiro), dentre muitos outros. Muitas espécies de peixes foram registradas lá também. Com a construção da fábrica da Nissan, todo esse bioma que serve de abrigo e para a procriação desses animais e plantas - caso seja mantida a área atual das obras - desaparecera, o que causaria um impacto ambiental de sérias consequências para o meio ambiente. Com algumas medidas preventivas e uma pequena revisão da área que já está sendo aterrada, esses animais e plantas podem ainda ser salvos, sem prejuízo para a Nissan e para o meio ambiente. É por esse equilíbrio entre o desenvolvimento e a preservação da natureza, que o movimento "S.O.S. Lagoa da Turfeira" luta para que se chegue a um consenso pelo bem das futuras gerações.

O mais lamentável de toda essa questão é que a Nissan não tinha conhecimento da existência desse banhado. Embora a Prefeitura de Resende, por meio da AMAR (Agencia do Meio Ambiente de Resende) tenha feito um estudo técnico em 2010 sugerindo a criação de uma área de proteção ambiental para o local, reconhecendo assim, a importância do bioma, isso não foi informado à empresa, conforme ela mesma declarou por escrito ao Jornal Beira-Rio. Veja abaixo o Estudo Técnico:



Os documentos de autorização para a instalação da fábrica - extraídos do processo - demonstram claramente que nem o órgão ambiental estadual (INEA), que concede as licenças ambientais foi informado da existência dessa área de preservação.

Veja abaixo a parte 1 dos documentos:


E a parte 2:


Agora, algumas fotos que ilustram bem a questão:


Para se informar melhor, veja esse pequeno filme feito no dia 18 de Maio de 2012:



Veja também como era o Banhado em 2001. Imperdível:



E como foi a manifestação pacífica do movimento "SOS Lagoa da Turfeira" dia 26 de maio de 2012:




Você, que se preocupa com o meio ambiente e com o futuro de nossos filhos e netos mas não tinha conhecimento do que está acontecendo porque as mídias televisiva (TV RIO SUL), escrita (fora o Jornal Beira-Rio) e falada (fora a Band News FM) não divulgam esses fatos; agora já está sabendo o que está realmente se passando e pode se juntar a nós na luta pela preservação da vida.

EMBORA PAREÇA, ISSO NÃO É FICÇÃO. O QUE VOCÊ ACABA DE VER, É REAL!!!

O FUTURO DO PLANETA ESTÁ EM NOSSAS MÃOS!


 DIVULGUEM E COMPARTILHEM À VONTADE!

Para saber mais, entre AQUI.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

BOLHA DE SABÃO


Um alerta do jornalista Alexandre Garcia que merece nossa atenção.





Alexandre Garcia - 05 de Junho de 2012


O Rei Juan Carlos esteve com a presidente Dilma esta semana. 
Fico imaginando a chefe de estado do Brasil a dizer ao chefe de estado da Espanha: "Eu sou você, amanhã", tal como na propaganda de vodka. 

Não é difícil chegar a essa conclusão. A crise na Espanha começou quando se decidiu que a expansão imobiliária seria uma solução maravilhosa para o crescimento do país: criaria emprego na construção civil ao mesmo tempo em que resolveria do problema da habitação. 

Empregou-se muita gente e estrangeiros começaram a chegar aos milhares para atender à demanda de mão-de-obra. Tijolo e concreto se tornaram sinônimos de riqueza. Áreas verdes foram cobertas por construções, assim como o cinturão verde de muitas cidades.

Em poucos anos, o preço do metro quadrado disparou e o boom da construção atraiu especuladores. O metro quadrado da habitação subiu mas os salários não. Os bancos, para manter a roda circulando, baixaram exigências para financiamentos, não se importando com a renda do financiado nem com as garantias. Imaginaram que se o imóvel estava se valorizando tanto, se o devedor não pudesse pagar, venderia o imóvel por mais preço e ainda sobraria dinheiro.
 E ofereceram crédito para comprar casa, carro, móveis, eletrodomésticos, viagens... A dívida se tornou fator de crescimento.

Mas aí, estourou a bolha dos Estados Unidos. Os espanhóis se retraíram, o consumo caiu, vieram as demissões e se descobriu que o país se sustentava tirando do futuro; nunca houve realmente riqueza nem subida na escala social.
 
Você que me lê, e percebe as semelhanças, bata na madeira para torcer que por aqui não aconteça o mesmo. 
Os sinais são alarmantes: o PIB brasileiro do primeiro trimestre deste ano, segundo o IBGE, aumentou apenas dois décimos por cento(0,2%). A inflação vai crescer o dobro do PIB neste ano.

Na Veja, a excelente Lya Luft chama de "ilusão" o que está acontecendo no Brasil. Ela mostra como também estamos sacando do futuro:

"Palavras de ordem nos impelem a comprar, autoridades nos pedem para consumir, somos convocados a adquirir o supérfluo, até danoso, como botar mais carros em nossas ruas atravancadas ou em nossas péssimas estradas...Estamos enforcados em dívidas impagáveis, mas nos convidam a gastar ainda mais, de maneira impiedosa, até cruel."- escreveu ela. 

Nossa bolha está inchada. E é de sabão.

Alexandre Garcia

Comento: O alerta é válido e externa o que já estamos observando há algum tempo. 
E completo: A mudança de rumo na política econômica criada pelo governo FHC, demonstra que a equipe do ministro Mantega está se perdendo, principalmente no tocante ao câmbio. 

Não há muito tempo, dizia-se que o dólar muito baixo inibia as exportações, facilitava as importações, e causava prejuízos à indústria nacional. Elevou-se a paridade cambial e hoje o governo tenta - a todo custo - baixar a cotação pois verificou-se que o dólar alto não é bom para o país. Só para os exportadores, que acabam priorizando o mercado externo, causando desabastecimento nos produtos essenciais, e com isso, aumentando a inflação.
Será que um dia eles vão perceber que o problema não está no câmbio, mas na taxação excessiva de impostos que pagamos e no descaso com a Educação?!? Pois é isso que empaca nosso desenvolvimento sustentável de longo prazo. Simples assim...  

Fonte: Recebido por e-mail de L.Tavares. 


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