***RUI BARBOSA***

***RUI BARBOSA***
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Grammar and Vocabulary of Tupi Language by John Luccock -1820




Gramática e Vocabulário Tupi de John Luccock - 1820 - 

Livro histórico sobre a gramática e significado das palavras da língua Tupi falada pela maioria dos indígenas brasileiros e sul americanos. Alfabeto dos índios, nomes de animais e plantas do Brasil Colonial. Primeira parte em Inglês. Um documento valioso e indispensável para o estudo de história e línguas que certamente será de grande valia para aqueles que se interessam pelo assunto.





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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Um Ilustre e Desconhecido Resendense



Em 2009, sem alarde e discretamente, um resendense tomou posse como Auditor e Ministro-Substituto no TCU; um dos cargos concursados mais importante da República. Agora, em 2015, pode vir a ser um voto decisivo nos destinos do governo e da nação brasileira.


Bacharel  André Luís de Carvalho ao discursar em sua posse no TCU


Em solene sessão extraordinária do Plenário do Tribunal de Contas da União (TCU), aos 30 de abril de 2008, cumprindo Decreto Presidencial de 13/08/2007, na "Sala de Sessões Ministro Luciano Brandão Alves de Souza" do TCU, foi empossado no cargo de Auditor e Ministro Substituto do TCU o resendense André Luís de Carvalho. O ato foi conduzido pelo então Presidente do TCU Ministro Walton Alencar Rodrigues, e prestigiado por autoridades civis, ministros do TCU, parlamentares, oficiais generais das Forças Armadas, representantes do Ministério Público, servidores da Casa, parentes e amigos. Após a execução do Hino Nacional Brasileiro, o Auditor Augusto Shermam saudou o empossado, enaltecendo as qualidades do novo Auditor e fez um relato sobre a vida pessoal e acadêmica de André, com destaque para o fato de que o concurso público para auditor do TCU, "é dos mais complexos e difíceis da República", tendo na banca examinadora Ministros do Superior Tribunal Federal (STF) como Gilmar Mendes e Ayres Brito, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio Noronha e o ex-Ministro de Estado Bresser Pereira. André foi o 1º colocado entre dez brilhantes concorrentes. O ponto alto da solenidade foi o discurso de André, dedicando, muito emocionado e embargado, "a celebração da posse como vitória de minha mãe, que entregou sua vida à educação dos filhos", ressaltando ainda que sua esposa (Adriana) e filhos (Mateus e Juliana) foram sua inspiração para uma vida melhor. Detalhe importante: o TCU abriga em seus quadros apenas quatro Auditores/Ministros Substitutos. 
Resende tem um de seus filhos ocupando discretamente, com méritos e sem alarde, um dos mais altos cargos concursados da República.
De família humilde, André é filho do casal Aurélio e Nilma de Souza Carvalho. Ele (já falecido), alfaiate nascido na Vila da Fumaça e ela, costureira, nascida em Bulhões. Moravam em frente à Igreja São Sebastião, ao lado do conhecido Bar do Élcio. Sem o pai desde os sete anos, foi criado pela mãe juntamente com seus irmãos: Yara, Jorge Luís e Kátia Valéria. Todos com formação superior (Comunicação, Economia e Direito, respectivamente). Dª. Nilma criou sozinha e com muitas dificuldades os quatro filhos, "costurando até altas horas da madrugada, em máquina de pedal, e no dia seguinte levantava-se cedinho para me levar em longa caminhada até a escola" nas palavras emocionadas de André na solenidade de posse. Na educação familiar, Dª Nilma priorizou aos filhos, com veemência e rigor, a religião, os estudos, a moral, a ética e a honestidade, dentre outros valores. Foi assim que o menino André formou sua forte personalidade, seu caráter e se preparou para ser hoje um julgador. A incansável e combativa Dª Nilma parou de costurar e continua a dar bons exemplos, dedicando parte de seu tempo ajudando seus semelhantes como voluntária na "Pastoral da Saúde" da Matriz de N.S. da Conceição. André fez os cursos regulares em escolas públicas de Resende: G.E. Olavo Bilac, João Maia e Souza Dantas, sempre com destaque pelas altas notas que alcançava. Antes de completar 16 anos foi para a Escola Preparatória de Cadetes (Campinas) e em 1986 graduou-se em 1º lugar como Bacharel em Ciências Militares da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), tendo passado para a Reserva (a pedido) em 1999 com a patente de Capitão, quando assumiria o Comando da 14ª Cia. de Comunicação Mecanizada em Campo Grande (MS), para se dedicar ao estudo das Leis e ao Magistério, que já exercia no Exército (veja detalhes abaixo). O caminho rumo ao cargo de Ministro do Tribunal de Contas da União está aplainado. Parabéns André, agora você deixa de ser um ilustre desconhecido em Resende e se torna um maiúsculo Resendense Ilustre. 
Em tempo: Sua irmã, Yara, é casada com Salvatore Veltri, o popular Salvador da banca de jornais do "Alô", em Campos Elíseos. 

Conhecendo melhor o Dr. André Luís de Carvalho:
Naturalidade: Resende " RJ, nascido em 14 de julho de 1965.

Formação acadêmica

1. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário Euroamericano, Brasília " DF: 2005.
2. Mestre em Aplicações Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, Rio de Janeiro " RJ: 1993. 
3. Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, Resende " RJ: 1986.

Histórico Profissional

1. Auditor (Ministro-Substituto) do Tribunal de Contas da União.
2. Analista de Controle Externo do TCU, de 1999 a 2008, tendo exercido as funções de Chefe de Gabinete do Ministro Augusto Nardes, em 2006/08, de Assessor do Ministro Guilherme Palmeira, em 2004/05, e de Assessor do Ministro-Substituto Lincoln Magalhães da Rocha, em 2003.
3. Auditor (Conselheiro-Substituto) do Tribunal de Contas do Estado de Goiás, em 2000.
4. Capitão da reserva do Exército, foi nomeado Comandante da 14ª Companhia de Comunicações Mecanizada (Campo Grande " MS), em 1999, além de ter exercido as funções de: Chefe da Seção de Administração e Fiscal Administrativo no Parque Regional de Manutenção da 1ª Região Militar (Rio de Janeiro " RJ), em 1998/99; Instrutor do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (Rio de Janeiro " RJ), em 1995/97; Instrutor-Chefe do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva na 5ª Companhia de Comunicações Blindada (Curitiba " PR), em 1994; Chefe de Operações, Chefe da Seção de Administração e Fiscal Administrativo na 5ª Companhia de Comunicações Blindada (Curitiba " PR), em 1992, Instrutor do Curso Avançado (2º Ano) da Academia Militar das Agulhas Negras (Resende " RJ), em 1989/91; e Comandante de Pelotão na 2ª Companhia de Comunicações Blindada (Campinas " SP), em 1987/88.

Experiência no exercício do Magistério

1. Universidade Católica de Brasília: professor do Curso de Direito, na disciplina Direito Constitucional.
2. Universidade de Brasília, Faculdade de Economia, Administração e Ciência da Informação e Documentação; Centro de Estudos Avançados em Governo e Administração Pública: professor de Direito Financeiro, de Direito Constitucional e de Direito Administrativo no curso de especialização em controle da gestão pública.
3.Fundação Getúlio Vargas: FGV Management, Brasília " DF: professor, desde 2002, de Controladoria do Setor Público no MBA em Controladoria e Finanças.
4. Associação Brasileira de Orçamento Público " ABOP: professor de Direito Administrativo e Controle Externo.
5. Instrutor do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, pós-graduação stricto sensu, da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (Rio de Janeiro " RJ), 1995/97.
6. Instrutor-Chefe do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva na 5ª Companhia de Comunicações Blindada (Curitiba " PR), 1994.
7. Instrutor do Curso Avançado (2° Ano) da Academia Militar das Agulhas Negras (Resende " RJ), 1989/91.

Artigos publicados

1. "Súmula Vinculante n.° 3 do STF: considerações e alcance." Revista Âmbito Jurídico ISSN 1518-0360 41 " n° 41 " Ano X, maio de 2007.
2. "Municípios em território federal, e o auxílio ao controle externo?". Revista Âmbito Jurídico ISSN 1518-0360 41 " n° 41 " Ano X, maio de 2007.

Títulos honoríficos

1. Medalha Marechal Hermes, Aplicação e Estudo, Prata com duas coroas, por ter obtido o 1° lugar no curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e o 1°lugar no curso da Academia Militar das Agulhas Negras.
2. Medalha "Estrella Militar" das Forças Armadas, no grau de "Estrella Militar", outorgada pelo Ministro da Defesa Nacional da República do Chile, em 1989.
3. Medalha Militar de Prata com passador de Prata, por contar mais de dez anos de bons serviços prestados ao Exército Brasileiro, outorgada pelo Diretor de Cadastro e Avaliação, em 1990.
4. Medalha do Pacificador, outorgada pelo Comandante do Exército Brasileiro, em 25 de agosto de 2008.

Aprovação em Concursos Públicos

1. Auditor (Ministro-Substituto) do Tribunal de Contas da União " CESPE 2007: 1º lugar;
2. Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União " CESPE 2004: 2º lugar;
3. Auditor (Conselheiro-Substituto) do Tribunal de Contas do Distrito Federal " CESPE 2003: 1º lugar;
4. Conselheiro-Substituto do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo " ESAF 2001: 5º lugar;
5. Analista de Controle Externo do Tribunal de Contas da União " ESAF 2000: 4º lugar;
6. Conselheiro-Substituto do Tribunal de Contas do Estado de Goiás " CESPE 2000: 2º lugar;
7. Analista de Controle Externo do Tribunal de Contas da União " CESPE 1999: 6º lugar.


Tribunal de Contas da União - Breve histórico:

A história do controle no Brasil remonta ao período colonial. Em 1680, foram criadas as Juntas das Fazendas das Capitanias e a Junta da Fazenda do Rio de Janeiro, jurisdicionadas a Portugal.
Em 1808, na administração de D. João VI, foi instalado o Erário Régio e criado o Conselho da Fazenda, que tinha como atribuição acompanhar a execução da despesa pública.

Somente a queda do Império e as reformas político-administrativas da jovem República tornaram realidade, finalmente, o Tribunal de Contas da União. Em 7 de novembro de 1890, por iniciativa do então Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, o Decreto nº 966-A criou o Tribunal de Contas da União, norteado pelos princípios da autonomia, fiscalização, julgamento, vigilância e energia.
A Constituição de 1891, a primeira republicana, ainda por influência de Rui Barbosa, institucionalizou definitivamente o Tribunal de Contas da União, inscrevendo-o no seu art. 89. 

Finalmente, com a Constituição de 1988, o Tribunal de Contas da União teve a sua jurisdição e competência substancialmente ampliadas. Recebeu poderes para, no auxílio ao Congresso Nacional, exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, à legitimidade e à economicidade e a fiscalização da aplicação das subvenções e da renúncia de receitas. Qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária tem o dever de prestar contas ao TCU.

Reportagem e Pesquisa: Fernando Lemos (MTb-RJ 16555)
Fontes: Site do Tribunal de Contas da União, DVD e CD de fotos da posse (TCU/SEMIT), entrevista com Dª Nilma de Souza Carvalho.
Colaboração: Rosamaria Rocha da Silva.




Nota: Postagem de nossa autoria publicada originalmente
no site "Resende Notícias" em 23/01/2009


domingo, 8 de junho de 2014

TAÇA JULES RIMET: Uma gloriosa, triste e vergonhosa história.


O orgulho nacional do futebol brasileiro estava materializado em um símbolo que há 33 anos deixou de estar sob o domínio da nação mais vitoriosa no esporte. 
O sumiço da taça Jules Rimet, roubada facilmente da sede da CBF no Rio de Janeiro em dezembro de 1983, por descuido e  total falta de desvelo da entidade máxima do nosso futebol, e que foi posteriormente derretida por um argentino; é uma vergonha incomensurável para a "pátria de chuteiras" ou "o país do futebol". 
Criada em 1929 pelo então presidente da Fifa, Jules Rimet para ser disputada por países do mundo inteiro, se tornaria domínio definitivo daquele que vencesse o torneio por 3 vezes. E o Brasil conquistou esse direito em 1970 no México, depois de vencer as copas de 1958 na Suécia e 1962 no Chile.
Naquele tempo não existia ainda o padrão FIFA (bilhões de reais) na disputa das Copas, mas apenas o simples e humilde padrão FUTEBOL. E hoje a grande mídia divulga e promove a copa de 2014 aqui no Brasil contando estórias e mais estórias da vida dos jogadores, nos entupindo de comerciais de patrocínio, mas não menciona nada sobre o criador do torneio, não lhe dedica uma simples e merecida homenagem como se ele não existisse, e trata da mesma forma a triste e vergonhosa história do fim melancólico de nosso maior símbolo de conquista futebolística: A TAÇA JULES RIMET.  

Foto da Taça Jules Rimet  - (Museu do Futebol)

Em 1983, a taça do tri campeonato mundial foi roubada da sede da CBF, para vergonha e tristeza nacional e escândalo vexaminoso internacional.

Os ladrões achavam que tinham conseguido arranjar dinheiro fácil. Não imaginavam que todos, sem exceção, estavam se metendo numa estranha história de mortes, prisões, torturas e humilhações. 

Durante um jogo de baralho num Bar de Santo Cristo, bairro na zona portuária do Rio de Janeiro, Sérgio Pereira Ayres, o Peralta, tentou convencer Antônio Setta, sujeito afeito a pequenos furtos, a participar de um roubo. Não seria um crime comum. O objetivo era pegar a Taça Jules Rimet e seu 1,8 quilos de ouro. 
Gerente de banco e dizendo-se representante do Atlético Mineiro (fato negado pelo clube), Peralta conhecia o prédio da entidade, no centro do Rio de Janeiro. Sabia também que haviam duas taças. A réplica, guardada num cofre, e a original, exposta na sala de troféus. Como pareciam especialistas em idiotices, os cartolas da CBF, além da bestice de guardar a réplica no cofre e deixar a original em exposição, ainda mandaram fazer uma caixa de vidro à prova de balas, mas com o fundo preso, com pregos, na parede. Mas, Antônio Setta recusou o "serviço". Lembrou do irmão que morreu de infarto na final da Copa de 1970. 
Dois meses depois, a noticia sobre o roubo da taça se espalhou pelo país. Ao encontrar um policial seu conhecido numa roda de jogo, Setta passou a bola. Ele contou que Peralta planejara o serviço. Peralta tinha 35 anos na época, era solteiro e morava em Santo Cristo. E foi na mesa de carteado, onde Setta recusara o convite, que Peralta encontrou os dois cúmplices de que precisava: José Luiz Vieira da Silva, o Luiz Bigode, e Francisco José Rocha Rivera, o Chico Barbudo. Bigode era decorador e Chico Barbudo fazia bicos comprando e vendendo ouro. Na noite de 19 de dezembro de 1983, Barbudo e Bigode, seguindo orientação de Peralta, roubaram a Taça Jules Rimet e mais 3 peças da sede da CBF. 


"Fac símile" de jornal da época. (Foto web)

As quatro peças roubadas da CBF  na noite de 19 de dezembro de 1983.

Na véspera, o futebol entrara de férias pelo país afora e aquela noite de segunda feira tinha tudo para ser bem calma na rotina de João Batista Maia, vigia do prédio da Confederação Brasileira de Futebol, na rua da Alfândega, 70, no centro do Rio. Por volta das 21 horas, tudo mudou. Dois homens renderam o vigia Maia, que foi amordaçado, amarrado e teve os olhos vendados com esparadrapo. De posse das chaves das salas, os dois ladrões subiram aos 9º andar, onde ficava a Taça. Ela estava protegida por uma caixa de vidro à prova de balas, mas com o fundo pregado na parede com apenas 4 pregos. Um pé de cabra resolveu a questão. Barbudo e Bigode pegaram a "Jules Rimet", mais outras duas taças (Independência e Equitativa), um troféu (Jarrito de Ouro) e fugiram. A ação não durou mais que 20 minutos. Ambos teriam se encontrado com Sérgio Peralta, autor intelectual do crime, e, em data incerta até hoje, repassaram o troféu para Juan Carlos Hernandes, o argentino dono de uma loja de comércio de ouro. No seu escritório, Hernandes tinha o equipamento necessário para derreter a taça. Mas ele só podia fundir no máximo 250 gramas por vez. O jeito foi cortar a Jules Rimet em pedaços. Assim foi feito numa operação que durou menos de sete horas. Derretida, a taça virou barras de ouro e desapareceu para sempre. 


Charge: Diogo - Jornal da Tarde
Sob pressão de seus superiores, que queriam a solução rápida de um caso com repercussão mundial, os policiais ficaram entusiasmados quando Setta denunciou Peralta. No dia 25 de janeiro de 1984, Peralta foi preso quando andava na Avenida Beira Mar, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele teve seu rosto coberto por um capuz, jogado no chão de um carro e levado para um lugar desconhecido onde ficou três dias sem comer. Foi torturado. Peralta, Bigode e Barbudo, mentor e executores foram presos. Mas, onde estava a taça? Com eles não estava. Havia, portanto, um receptador na história, alguém que ficara com a mercadoria roubada. Em fevereiro de 1984, doze policiais invadiram uma loja de comércio de ouro, no centro do Rio. Curiosamente, um mês antes , o estabelecimento mudara a razão social para o sugestivo nome de “Aurimet”, que, numa leitura livre, podia ser a combinação de “AURI” (prefixo de ouro), e “RIMET” (de Jules Rimet). O nome antigo era J. C. Hernandes, de Juan Carlos Hernandes, o argentino que costumava negociar com Chico Barbudo e que fora acusado por este de ter ficado com o troféu. Na verdade, ninguém tinha mais a taça do tri. Ele fora cortada, derretida e passada para frente. Acabara. Depois de alguns meses na prisão, em 1984, o quarteto passou a acompanhar o processo em liberdade. Em 1988, veio a sentença. Para Peralta, o mentor, cinco anos de cadeia. Para os ladrões, seis anos. Para o receptador, três anos. Logo após o anúncio, o quarteto desapareceu. Peralta somente foi preso em 1994, em Cabo Frio. Foi para o presidio Esmeraldino Bandeira, em Bangú. Em setembro de 1998 ganhou liberdade condicional. Chico Barbudo não ficou muito tempo foragido. No dia 28 de setembro de 1989, ele foi assassinado num bar, em Santo Cristo. Em dezembro de 1985, Antônio Setta, o alcagüete, foi vítima de um acidente automobilístico fatal, próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas. Setta tinha uma audiência no tribunal naquela semana. Luiz Bigode foi capturado pela Policia em 1995. Passou três anos trancafiado em Bangú e, em 1998 vivia em regime semi aberto na Colônia Agrícola de Magé. Preso por policiais ao desembarcar na Rodoviária de São Paulo, Juan Carlos Hernandes, foi reconhecido pelo delegado Marcelo Itagiba da Divisão de Repressão e Entorpecentes da Policia Federal. Hernandes se juntou ao destino dos seus outros três comparsas no crime. Nenhum ficou rico, todos perderam o que tinham na época do escândalo e garantem ter sido torturados pela policia. Um deles morreu assassinado. Outro cumpre pena na Colônia Agrícola de Magé, no Rio de Janeiro. Hernandes foi transferido para uma cela com outros 27 presos na Politer carioca. O quarto acusado de ser o mentor do sumiço, vive hoje em liberdade condicional, mas sabe que uma espécie de maldição persegue os envolvidos no escândalo.


Acima, a esquerda, Sérgio Pereira Ayres, o "Peralta" - um dos ladrões da Taça

Foto: Kodak institucional

Carlos Alberto Torres - O "Capitão do Tri" posa com a taça.

Atualização: 02/08/2014 - Novas Fotos

1930 - Francês Jules Rimet à esq. presidente da Fifa entrega o troféu da primeira Copa do Mundo a Raul Jude presidente da Federação Uruguaia de Futebol


A taça Jules Rimet original era assim.


Fonte: Reportagem de Rogério Daflon para a Revista Placar, 1988.
Do blog: ICH LIEBE FUSSBALL
Editado por Fernando Lemos


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Governo Aarão S. Rocha - 1967/1971



Dr. Aarão Soares da Rocha governou Resende em dois mandatos, ambos conquistados em eleições pelo voto popular: De 31/01/1967 a 31/01/1971 e de 31/01/1973 a 31/01/1977. 
O pequeno folheto que mostramos aqui refere-se a prestação de contas do seu primeiro mandato (1967/1971), onde se vê que apesar dos parcos recursos, com uma administração séria, honesta,  enxuta e a vontade férrea de trabalhar em prol da nossa terra, desenvolveu um governo de muitas realizações e que se mostram importantes até os dias de hoje. O detalhe importante é que esta prestação de contas foi feita após o término do mandato, com recursos do próprio prefeito; e ao completarem-se 42 anos de sua publicação e distribuição, por sua importância, torna-se um documento Histórico, que pode servir de exemplo para governantes atuais e futuros, e também fonte de pesquisa para historiadores e estudantes. Foram muitas novas ruas e avenidas calçadas e asfaltadas, escolas rurais, postos de saúde... Leia com atenção e se surpreenderá com tantas realizações.

Além das muitas obras descritas neste folheto, uma das mais importantes é a que consta nas "Considerações Finais": A constituição legal da DUFIL "(...) para instalar-se com sua fábrica de filmes.". Esta empresa, DUFIL, foi a precursora da Polo Industrial de Resende, pois instalou-se naquele terreno, tornando-se mais tarde a Fábrica de Filmes Sakura, vendida posteriormente para a gigante Kodak, a primeira indústria de grande porte a se instalar em Resende e em cujas instalações funciona hoje a UERJ. 


Filho do Coronel João Soares da Rocha e de Da. Rita Maria Ferreira da Rocha, Dr. Aarão nasceu em Resende no dia 26 de Julho de 1910. Formado em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura de Lavras (MG); muito antes de entrar para a política já era grande fazendeiro criador de gado leiteiro, seguindo os passos do pai e do avô, Pedro Soares da Rocha. Casou-se aos 10/12/1936 com Da. Hulda Vilhena dos Reis.



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sábado, 20 de abril de 2013

"Almanack do Centenário de Rezende"



O "Almanack do Centenário de Rezende para o anno de 1902", é uma publicação organizada por Henrique Fonseca e Heitor Bittencourt e foi publicada pela Typographia e Papelaria "Fonseca" em 1902 na cidade de Resende, Estado do Rio de Janeiro. Reúne textos originais de repórteres, poetas, jornalistas, historiadores, políticos e representantes da grande imprensa da época, que descrevem como foram as festas e outras curiosidades da comemoração do centenário, em 1901, da elevação do Curato de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova a condição de Vila em 29 de Setembro de 1801, quando passou a chamar-se simplesmente Resende. Um documento histórico que precisa e deve ser divulgado para o conhecimento de todos. 

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O Museu do Índio, A Confederação dos Tamoyos e a Kari-Oca 92. ACORDA CABRAL!!!




Por Marcos Terena - Via Facebook

"Domingo eu vou ao Maracanã, Torcer pelo time que sou fã....." - assim dizia um velho samba em alusão ao ex-Templo do Futebol ou o Maior Estádio do Mundo....
Durante a Rio-92 organizamos o maior evento mundial sobre meio ambiente, a Kari-Oca. Tudo nasceu ali junto ao Maracanã, na praça das Bandeiras onde sempre, até hoje, tem enchente. Talvez o engenheiro do branco achou que o asfalto seria mais forte que a água de um rio que também se chama Maracanã...
Agora as vésperas da Copa do Mundo, Cabral reaparece (sempre trapalhão - o de ontem e o de hoje), tentando destruir outro templo, o templo da memória, da cultura indígena que antes abrigava o Museu do Índio. Cabral não conhece a força do Índio. Não é uma força física, é uma força que vem com o canto, a dança e o soar das maracás. É a força espiritual....
Foi no Rio de Janeiro, que surgiu o maior movimento indígena de toda a história: a Confederação dos Tamoios, e para apagar essa parte da história do povo carioca, construíram de frente pro mar no Flamengo uma Pirâmide em homenagem ao maior matador dos Tamoios, Estácio de Sá.
Dia 20 de Janeiro é o aniversário do Rio de Janeiro.
Mais do que nunca é preciso juntar as forças do negro, do branco e do Índio. Essa luta representa o espírito do Kari-Oca que canta o morro, a favela, a zona sul sob o olhar do Cristo Redentor.
O prédio do antigo Museu do Índio não é apenas um prédio velho. Ele representa o Memorial do Índio no Rio de Janeiro. Deve ser parte da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016, como símbolo do respeito as primeiras nações e a Mãe Terra.
Nós Indígenas vamos ser partes desses dois eventos no Brasil para ensinar que antes de competir, é preciso celebrar.
...CABRAL, CAI NA REAL: ÍNDIO TAMBÉM É GENTE...PERGUNTE AO SEU PAI!!!


MARCOS TERENA - é fundador do Ministério da Cultura no Brasil - 1985


  • MARCOS TERENA é Guerreiro Xumono, Piloto de Aeronaves, Escritor e Comunicador Indígena. Coordinó la Conferencia Indigena Mundial sobre Desarrollo y Sustentabilidad - RIO+20 - KARI-OCA.2012 Fundador do 1º movimento indigena no Brasil - UNIND - União das Nações Indigenas; Criador da Voz do Indio, programa de rádio em 1985; Comentarista Indígena do Jornal de Vanguarda - TV Band; Coordenador da Cumbre Mundial dos Povos Indigenas - RIO.92; Organizador do Diálogo dos Pajés; Idealizador do Jogos dos Povos Indigenas; Membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz; Membro do Conselho da Fundação Palmares; Membro do Conselho da Fundação Darcy Ribeiro; Professor da Cátedra Indigena Internacional; Membro do Comite Intertribal - ITC; Membro do Conselho da ANDI; Membro do Conselho Editorial do Tierramerica; Membro do Conselho Editorial do Jornal Folha do Meio Ambiente; Membro da Coalizão Internacional Land is Life; Membro de la Iniciativa Indigena por la Paz; Conselheiro Indígena Terena.
  • Mora em Brasília
  • Nasceu em 15 de julho
  • Fala Língua terena, Língua inglesa e Língua Espanhola

    Colaboração Especial: Sonia Maria Pereira Pozzato.

sábado, 20 de outubro de 2012

CENTENÁRIO DO BONDINHO DO PÃO DE AÇÚCAR - 1912 / 2012


27 de Outubro de 1912 - Inauguração da linha do bondinho do morro Pão de Açúcar na cidade do Rio de Janeiro - Brasil. Abaixo, apresentação de fotos históricas da construção deste que seria o terceiro teleférico e entrar em operação no mundo, e o maior em extensão na época.

Clique na imagem para ampliar  




Fonte: Por e-mail de A.Santana

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Antonio de Oliveira Lemos


Homenagem ao centenário de nascimento de meu pai
- ANTONIO DE OLIVEIRA LEMOS -
13 de julho de 1912 - 13 de julho de 2012

Antonio de Oliveira Lemos - 1983   (Foto: Fernando Lemos)

No dia 13 de julho de 1912 (um sábado), nascia em Resende (RJ) o menino Antonio. O sobrenome Oliveira, recebeu da mãe, a resendense Oliva, de família vinda de Pouso Alto (MG); e o Lemos, do português de São João da Pesqueira, José Augusto.
Cursou por aqui mesmo apenas o "primário" - como se dizia antigamente - o equivalente às quatro primeiras séries do hoje "ensino fundamental". Apesar disso, era dono de uma caligrafia impecável e um craque na matemática. Autodidata, tinha como leitura predileta dicionários e enciclopédias. Sobre isso dizia: "Neles, só não aprende quem não quer." Tornou-se um sábio. Aos 17 anos já trabalhava "de carteira assinada" na firma H.Vieira (Casa Modelo), onde começou aos 14 anos como ajudante de balcão. Homem de personalidade e caráter fortes, logo conquistou a confiança do patrão e passou a gerenciar a loja. Ficou por ali 11 anos, quando, em 1937 foi tocar o próprio negócio em sociedade com o Sr. Pereira. Fundaram então a tradicional e conhecida até hoje "Casa Pereira". Desfeita a sociedade em 1950, continuou no comércio com seu próprio negocio até 1966, quando encerrou atividades. Já aposentado, trabalhou até 1978 gerenciando a filial do Supermercado Netinho que havia em Campos Elíseos.
Casou-se em 1943 com minha mãe, Martha Pimentel Lemos e tiveram 3 filhos. Lucióla, Lúcia (já falecidas) e eu, Fernando. Dei-lhe três netos que ele adorava. Ficou viúvo em 1954 e casou-se mais duas vezes. Nos deixou em 1993 aos 81 anos.
Agradeço a ele, o rigor com que nos educou, valorando sempre a verdade, a ética, a moral e a honestidade. Hoje, analisando sua vida, vejo que foi um homem honesto, sincero e generoso com seus semelhantes, sempre discreto e prestativo. Era solidário nos bons e maus momentos. Dizia sempre "Se não posso ajudar, procuro não atrapalhar", máxima que tento seguir pela vida afora. Obrigado, meu pai, por tudo isso e muito mais

Saudades de você.  



   

Uma curiosidade do dia em que ele nasceu:

Nos V Jogos Olímpicos de Estocolmo, na Suécia, no dia 13 de julho de 1912, o americano Charles Reidpath bateu o recorde olímpico dos 400 metros rasos com o tempo de 48.2", derrotando por um décimo de segundo o alemão Hanns Braun.

Charles Reidpath (centro) bate Hanns Braun (direita) na final. (Foto: IAAF)

E o jornal americano "The Washington Times" noticia o fato no mesmo dia:




Hoje também se comemora os 164 anos da elevação da então Vila de Resende para a condição de Cidade, fato ocorrido em 13 de Julho de 1848.



terça-feira, 12 de junho de 2012

Resende 1898 - "Tudo como dantes..."


O pequeno texto abaixo, extraído do livro de Itamar Bopp*, nos leva a uma viagem pelo tempo e a certeza de que na política, quase nada muda com o passar dos anos. E assim a história vai nos ensinando e se repetindo... 

Ilustração: Rui Barbosa (centro) sobre um automóvel é cercado pela multidão.                           Foto: Revista "A Cigarra" do blog Iba Mendes 


" Irrompe o dissídio entre as correntes político-partidárias do Município. O governo do Estado prestigia a facção dirigida pelo deputado estadual Dr. Alfredo Whately e hostiliza a facção adversa, orientada pelo também deputado estadual Dr. Cunha Ferreira. Em consequência, é nomeado o Dr. Oliveira Botelho delegado de polícia do Município. Intervem próceres da policia central e estabelece-se um "modus-vivendi" no Município. Firma-se a primeira "coligação", que aliás pouco perdurou. Caminhava-se para uma eleição municipal. Convieram os paredros levar às urnas chapa mista. À undécima hora, fracassou o acordo. Por grande maioria, foram eleitos vereadores os Drs. Cunha Ferreira e Bruno Nora, da mesma facção partidária. Os adversários, alegando nulidade, recorrem para o Tribunal da Relação que, dando provimento ao recurso, manda proceder a nova eleição. Em consequência, renova-se a crise politico-partidária local. A esse tempo tendo-se exonerado o Dr. Oliveira Botelho, da função policial, é nomeado delegado o tenente Cavalcante, da polícia fluminense. A crise reflete-se na Câmara. Designando os Drs. Oliveira Botelho e Eduardo Cotrim (facção Whately) às funções de presidente e vice-presidente da Câmara, são eleitos em substituição, para os respectivos cargos, os vereadores Alfredo Amorim e Salvador Leite (da facção Cunha Ferreira). Assim termina no cenário político local o ano de 1898."

*Fonte: Bopp, Itamar: Resende - Cem Anos de Cidade  1848 / 1948. Gráfica Sangirard - 1978 

Comento: "Tudo continua como dantes, no quartel de Abrantes".
E um detalhe interessante para meditar: Hoje, um é nome de praça (Oliveira Botelho); e o outro (Cunha Ferreira), nome de rua. Ambos os logradouros no Centro Histórico. Onde termina uma, começa a outra... Ou vice-versa.


domingo, 13 de maio de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Timburibá: Localização exata no Alto dos Passos.

"O TYMBURIBÁ E O OVO DE COLOMBO"

O "Cruzeiro dos Passos" marca o local exato onde ficava o Tymburibá .
Veja mais fotos abaixo.


Para os menos chegados em nossa História, e para os muitos novatos que estão chegando em Resende, uma pequena introdução para que possam entender este artigo.
 
Contam nossos ancestrais, que existia por aqui uma espécie botânica não catalogada e provavelmente extinta, que os índios Puris chamavam de Tymburibá.
Uma árvore dessa espécie sobressaia no alto do morro dos Passos, onde hoje se localiza o cemitério. Era de grande porte e podia ser vista de longe. Quando Simão da Cunha Gago (fundador de Resende) chegou em 1744, ela provavelmente já existia. Acredita-se que fosse bicentenária (ou mais) quando caiu em meados do século 19. A existência desse madeiro não é lenda, é real e está registrada em livros de nossa história, além de dar nome a uma rua, um jornal local e ter inspirado um dos mais ilustres de nossos historiadores a escrever “A Lenda do Timburibá”; uma bela página literária que poucos conhecem na íntegra.
Dentre os mistérios que envolvem a história dessa árvore, um dos mais intrigantes era: Onde afinal ficava exatamente o Tymburibá?
Resposta adiante, depois de um pouquinho de história...

Em 29 de setembro de 1901, quando se comemorou o primeiro centenário da elevação do povoado curado de N. S. da Conceição Campo Alegre da Paraíba Nova à categoria de Vila com o nome de Rezende, a cidade viveu uma de suas mais vibrantes festas até então vista por essas paragens. Foi um movimento tipicamente popular de estrondoso sucesso e sem a participação oficial dos mandatários da época. O povo organizou e bancou tudo, com o apoio da imprensa local e carioca, sob a batuta do poeta resendense Luiz Pistarini, do jornalista Alfredo Sodré e muitos outros. Foram muitas as festividades: Sessões cívicas e literárias, ereção do Obelisco do Centenário no então Largo da Constituição, hoje Praça do Centenário, visita aos colégios e a personalidades da época, quermesse, desfile cívico, grandioso baile, cinco bandas encheram a cidade de música e muitas outras atividades. Uma delas, que também fazia parte da comemoração oficial, foi a “romaria ao Alto dos Passos para a ereção do Cruzeiro simbólico, oferenda piedosa de Sra. Sara Gomes de Araújo”.  Mal sabia D. Sara de Araújo que ao erguer o tosco cruzeiro de madeira naquele dia, estava entrando para a história. Para entendermos o porquê disso, voltemos mais um pouquinho no tempo...

Em 1862, os vereadores Joaquim Rodrigues Antunes e Modesto Batista Roquete, fazem a indicação para que ”a rua “Paraíba” (a hoje Simão da Cunha e primitivamente de “Baixo”), fosse prolongada ao morro dos Passos, em direção ao Tymburibá, que secularmente ramalhava ao cabeço da colina, frondosa e galharda, e inspirou a João Maia rendilhada página literária – A Lenda do Tymburibá. Assim ficou resolvido. Por motivos não apurados, a projetada rua não chegou ao termo determinado pelo poder público. Terceiros se assenhoraram da porção de terra que demora ao sopé do morro marginal a Rua do Rosário. Assim, a rua de 62 não alcançou o local da árvore histórica e onde hoje se soergue o “Cruzeiro”; expressiva oferenda da Sra. Sara Gomes de Araújo (...) às festividades cívicas dos resendenses marcando o primeiro centenário da instalação oficial da Vila de Resende.” Portanto, quando a indicação da rua foi feita, o histórico Tymburibá ainda existia, pois sua queda se deu por volta de 1874. Fica claro que o Cruzeiro do Alto dos Passos – na elevação atrás da Igreja do Senhor dos Passos - indica com exatidão, o local onde se erguia o lendário, misterioso e histórico Tymburibá.  Além disso, o Cruzeiro é totalmente desalinhado com a rua que o abriga (Rua Cecília de Souza), o que reforça e comprova ser ali o local em que foi erguido originalmente. E para confirmar, uma placa de mármore afixada ao pé do mesmo, esclarece: “Salve 29 de Setembro de 1901 – Reconstruída em 1917. – Lembranças dos Filhos de Rezende”.  Os moradores do Alto dos Passos têm agora mais um ponto turístico e motivos para se orgulhar e comemorar no bairro.
E as autoridades municipais, a obrigação de homenagear Da. Sara Gomes de Araújo e o Tymburibá, dando seus nomes a logradouros no local. Ou coisa parecida. Mais uma placa, talvez...
Ou mesmo um memorial contando a "Lenda do Tymburibá" e sua história. Porque não? Em Ica (Peru), no Oásis de Huacachina (lá também há uma lenda), vi algo que poderia ser aplicado aqui que se tornaria, além de atração turística, fonte de cultura e certamente divulgaria nossa história para toda a população. 

Desde que comecei a pesquisar sobre a história de Resende, anos atrás, muitas perguntas e dúvidas me incomodam. Dentre elas, duas em particular me despertavam interesse: Onde ficava o Tymburibá e porque a Rua Simão da Cunha (Gago) - fundador da cidade - era tão minúscula, indo apenas do antigo Asilo Nicolino Gulhot até a esquina do C.C.R.R. e a partir dali, passava a chamar-se Tymburibá, que se estende em linha reta até a Rua do Rosário (se avançarmos nessa reta, morro acima, chega-se exatamente ao “Cruzeiro” do Tymburibá). Com a explicação acima, ficam ambas esclarecidas, pois a Rua Tymburibá, na realidade, originalmente era a Simão da Cunha, ou “de Baixo”. Nasci, morei – e fui criado – na esquina da Eduardo Cotrim com a Tymburibá e nos referíamos a ela como “Rua de Baixo”, um costume herdado de meus pais, avós e vizinhos mais antigos, que só a chamavam dessa forma. A Rua Tymburibá só ganhou esse nome por volta de 1869, sete anos após a indicação para a extensão da Simão da Cunha até o gigantesco Tymburibá.

Muitos amigos, pesquisadores, alguns historiadores e até Acadêmicos de nossa História me perguntavam e especulavam onde seria a localização exata da lendária árvore. A resposta estava, desde 1901 - por obra de Da. Sara Gomes de Araújo - no esquecido Cruzeiro do Alto dos Passos, como contado no "Almanack do Centenario de Rezende" (vide atualização abaixo), assim como no volume I do livro do jornalista Alfredo Sodré "Rezende os Cem Anos da Cidade" - e, replicada no livro homônimo de Itamar Bopp de 1978.
E um mistério maior precisa ser esclarecido e desvendado: Onde foi parar o Volume II do livro do Cel. Alfredo Sodré? Sim, porque se tem um titulado como "Volume I", fica evidente a existência do segundo, certo? Será que um dia vamos resolver esse? Quem sabe...

O mistério do local onde o Tymburibá se exibia, era como a metáfora do “Ovo de Colombo”. Estava na cara... Parecia impossível saber, mas... de simples solução. Bastava uma leitura mais cuidadosa dos livros que dispomos há anos.

E porque não passarmos a chama-lo, a partir de agora, de: “O Cruzeiro do Tymburibá”?

© Fernando Lemos – 15/02/2012 - Atualizado 22/08/2015 às 00:58h

Fontes:
Fonseca, Henrique e Bittencourt, Heitor - Almanack do Centenário de Rezende - (Typographia e Papelaria "Fonseca" - 1902)
Sodré, Alfredo - Rezende Os Cem anos da Cidade - Volume I - (Gráfica "A Lyra" - 1948)
Bopp, Itamar – Resende – Cem Anos de Cidade 1848-1948 (Gráfica Sangirard – 1978) 


Para saber mais:
Timburibá: A busca continua... – http://bit.ly/HEEENt
 “A Lenda do Timburibá” –  http://bit.ly/HOQzdC
 “A Morte de Timburibá” –  http://bit.ly/HCx3m4

De costas para o "Cruzeiro", em linha reta, vê-se a Rua Timburibá.
Virando-se 180°, em linha reta e de costas para a Rua Timburibá: o "Cruzeiro"
Aos pés do "Cruzeiro", a placa comemorativa e indicativa.

Sua disposição em desalinho com a rua, é indicação de local exato,
pois as construções que o rodeiam, não existiam em 1901.
Rua Timburibá: Seguindo em frente,em linha reta, temos lá no alto, o "Cruzeiro"
O "Cruzeiro" dos Passos com a cidade ao fundo.

Atualização - 22/08/2015:
Em pesquisa mais recente, encontrei a confirmação definitiva da localização exata do lendário Tymburibá, no "Almanack do Centenario de Rezende" publicado em 1902 referente às festas  havidas em 1901 por conta das comemorações do 1º centenário da criação da Vila de Rezende em 29 de Setembro de 1801. As imagens abaixo são das páginas do "Almanack": 


Capa
´Página 4

Página 186

Página 197

Página 231


Nota:  No fascículo nº 1 (Da terra dos Puris à cidade de Resende) da série “Resende – Cidade Histórica” (Jornal Beira-Rio), foi publicado que a árvore conhecida popularmente como “orelha de macaco, timburi, timbaúba, etc.” (Enterolobium contortisiliquum) seria o nosso Timburibá; o que não é verdade. Lamentável engano publicado no blog “Aldeia Global”, que me induziu ao erro, assim como a toda equipe que trabalhava no projeto. Aproveito para corrigir e do que assumo inteira e total responsabilidade.  (Fernando Lemos)



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