***RUI BARBOSA***

***RUI BARBOSA***
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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sábado, 23 de junho de 2012

"S.O.S. LAGOA DA TURFEIRA"


Nissan, sim!!! Turfeira, também!!!


(Para ampliar clique nas fotos)
Página da revista "Cidades do Rio" - Edição nº 01 (2009): A Lagoa da Turfeira ainda plena de água e alguns pássaros que nela vivem. Um documento importante para os defensores do meio ambiente.

Ampliação da página acima: A lagoa era bem visível da Rodovia Pres. Dutra.

Esta imagem, capturada no dia 18/05/2012 do mesmo angulo que aparece na foto da revista, mostra claramente que o espelho d'água da Lagoa praticamente desapareceu. Mas a recuperação é possível.

Assim era a Lagoa da Turfeira em 06 de abril de 2010 - Foto: Renato da S. Rodrigues

Assim está a Lagoa atualmente (18/05/2012) - Foto: Fernando Lemos

A Nissan do Brasil escolheu Resende (RJ) para construir sua fábrica de automóveis. O local escolhido, no Polo Industrial, abriga um complexo de área úmida denominado "Banhado da Kodak", também conhecido como Brejão da Kodak ou Lagoa da Turfeira. Essa área lagunar oferece condições de vida para muitas espécies da flora e da fauna. Ali, mais de 160 espécies de pássaros já foram catalogados, alguns em risco de extinção. Também são encontrados animais anfíbios e terrestres, como a capivara, o jacaré-de-papo-amarelo (em extinção no Estado do Rio de Janeiro), dentre muitos outros. Muitas espécies de peixes foram registradas lá também. Com a construção da fábrica da Nissan, todo esse bioma que serve de abrigo e para a procriação desses animais e plantas - caso seja mantida a área atual das obras - desaparecera, o que causaria um impacto ambiental de sérias consequências para o meio ambiente. Com algumas medidas preventivas e uma pequena revisão da área que já está sendo aterrada, esses animais e plantas podem ainda ser salvos, sem prejuízo para a Nissan e para o meio ambiente. É por esse equilíbrio entre o desenvolvimento e a preservação da natureza, que o movimento "S.O.S. Lagoa da Turfeira" luta para que se chegue a um consenso pelo bem das futuras gerações.

O mais lamentável de toda essa questão é que a Nissan não tinha conhecimento da existência desse banhado. Embora a Prefeitura de Resende, por meio da AMAR (Agencia do Meio Ambiente de Resende) tenha feito um estudo técnico em 2010 sugerindo a criação de uma área de proteção ambiental para o local, reconhecendo assim, a importância do bioma, isso não foi informado à empresa, conforme ela mesma declarou por escrito ao Jornal Beira-Rio. Veja abaixo o Estudo Técnico:



Os documentos de autorização para a instalação da fábrica - extraídos do processo - demonstram claramente que nem o órgão ambiental estadual (INEA), que concede as licenças ambientais foi informado da existência dessa área de preservação.

Veja abaixo a parte 1 dos documentos:


E a parte 2:


Agora, algumas fotos que ilustram bem a questão:


Para se informar melhor, veja esse pequeno filme feito no dia 18 de Maio de 2012:



Veja também como era o Banhado em 2001. Imperdível:



E como foi a manifestação pacífica do movimento "SOS Lagoa da Turfeira" dia 26 de maio de 2012:




Você, que se preocupa com o meio ambiente e com o futuro de nossos filhos e netos mas não tinha conhecimento do que está acontecendo porque as mídias televisiva (TV RIO SUL), escrita (fora o Jornal Beira-Rio) e falada (fora a Band News FM) não divulgam esses fatos; agora já está sabendo o que está realmente se passando e pode se juntar a nós na luta pela preservação da vida.

EMBORA PAREÇA, ISSO NÃO É FICÇÃO. O QUE VOCÊ ACABA DE VER, É REAL!!!

O FUTURO DO PLANETA ESTÁ EM NOSSAS MÃOS!


 DIVULGUEM E COMPARTILHEM À VONTADE!

Para saber mais, entre AQUI.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

RIO +20: RESENDE SERÁ TEMA DE PALESTRA!!!


O biólogo resendense Luciano Moreira Lima fará amanhã (22/06/2012) na Rio +20 uma palestra abordando a questão da preservação do Banhado da Turfeira (Banhado da Kodak ou Brejão da Kodak), área úmida ameaçada pela construção de uma indústria em seu entorno sem o devido Estudo de Impacto Ambiental. Se você se interessa e se preocupa realmente com o meio ambiente; opine, compareça e prestigie essa inédita iniciativa. Veja a programação abaixo:

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR


MOVIMENTO "S.O.S LAGOA DA TURFEIRA"



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Caminhada da Paz - 04/12/2011 - Resende (RJ)


Assista ao Vídeo e veja como foi a 11ª Edição

Caminhantes da Paz chegam em Vargem Grande - Resende - RJ
Por Fernando Lemos - 09/12/2011

A "Caminhada da Paz" é um evento anual que se realiza em Resende (RJ) e tem por finalidade promover "a paz no mundo" tendo por base o amor e a fé cristã. Esta é sua 11ª edição.

Constitui-se de uma caminhada de 17 km com muitas subidas e descidas entre o bairro Alambari, a partir da Igreja de N.S. Aparecida (saída às 05:30h), com término em Vargem Grande (também conhecida como Pedra Selada) na Igreja de Santo Antonio - onde, às 12:00h se realiza a Missa de Ação de Graças, logo após a chegada dos caminhantes.

Seu roteiro passa por extensas planícies banhadas pelo rio Pirapetinga, com paisagens rurais de grande beleza e tranquilidade propícias à meditação e oração. A região de Vargem Grande é uma das mais antigas povoações de Resende e foi originalmente habitada pelos índios da tribo Puri antes da chegada dos colonizadores, tendo sido também o último aldeamento de segregação dessa tribo. Vargem Grande foi também grande produtora de café na época do Império e era sede da lendária "Fazenda Monte Alegre". A caminhada é organizada pela Paróquia de N.S. de Fátima (Bairro Paraíso), e tem como pároco - atualmente - o Pe. Rômulo. Conta este evento com o apoio de diversas entidades, empresas e municipalidade.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

USINA DE BELO MONTE: Os Prós e os Contras.

Muito temos lido e ouvido sobre a Usina de Belo Monte, a ser construída no Rio Xingú, no Pará. Duas correntes se dividem entre "A Favor" e "Contra" a sua construção. Neste início do mês de novembro, começou a circular (e ser divulgado) aqui pela web, um vídeo dos "Contra", muito bem produzido e que reúne atores da Rede Globo de Televisão falando a respeito. Eles promovem o projeto "Gota D'água", que está pedindo assinaturas para impedir a construção da usina. É o primeiro vídeo abaixo.
A seguir temos o vídeo dos "A Favor". É a resposta imediata que eles deram ao vídeo dos "Globais". É feito de gente do povo, mas com conteúdo bastante contundente e que refuta as afirmações dos "Contras" e com veemência rejeitam seus argumentos, acusando-os inclusive de "mentirosos e sem conhecimento do assunto".
O terceiro vídeo foi feito por um matemático que informa com números, o que pode ser de fato, a construção dessa usina. Parece-nos serem bastante realistas os seus cálculos.
Nós não temos opinião formada sobre o assunto por absoluta falta de informações, por isso, abstemo-nos de posicionamento.
Assista aos vídeos e depois tente chegar a alguma conclusão. É complicado, sabemos, pois a "guerra de informações" é violenta. E a necessidade de novas fontes de energia para o desenvolvimento nacional é premente. Um assunto que merece reflexão de nossa parte. Muita reflexão.

VÍDEO DOS CONTRA 


VÍDEO DOS "A FAVOR"


VÍDEO DOS CÁLCULOS

Texto de abertura: Fernando Lemos

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Rio Preto e as Hidroelétricas - Uma solução brasileira que protege o meio ambiente

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Este pode ser o "Ovo de Colombo" da geração de energia limpa e barata.
Noticiário da TV Rio Sul de ontem (RJ-TV 2ª Edição-22/11/2011), preocupa e abre a discussão sobre o assunto. Embora não concordemos com a construção de hidroelétricas no Rio Preto, que abrange 2 Estados (MG-RJ) apresentamos uma solução que não agride o meio ambiente e que pode ser utilizada em outras obras semelhantes. Só não entendemos porque esta invenção é ignorada - inclusive pela grande mídia - e ainda não está sendo utilizada por nossos governantes. Será por que significa menos verbas para sua construção? Será? Vejam abaixo a reportagem da TV Rio Sul e a seguir a solução da Care Electric para a questão. 



Segundo a Care Electric, empresa nacional sediada em Belo Horizonte, no caso da Usina de Belo Monte por exemplo, o custo da obra no sistema convencional custará R$ 30 bilhões, além do grande impacto ambiental causado pela inundação de vasta área que inclui inclusive aldeias indígenas. Com o sistema Care, a obra sairia por 10% desse valor (cerca de R$ 2,9 bilhões) e evitaria a inundação das áreas de floresta virgem que existem no local. Para ler mais no site da Care electric, Clique Aqui. 
No mesmo site, há uma reportagem publicada na revista "Pequenas Empresas & Grandes Negócios" (Edição de janeiro de 2010), onde é dito que: "A empresa conseguiu a façanha de se tornar a primeira no Brasil a fazer parte do ranking “Technology Pioneers”, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial com as startups mais inovadoras do mundo e divulgado no dia 3 de dezembro do ano passado. Com o projeto de um sistema de turbinas que gera energia elétrica a partir do fluxo natural das águas de um rio, a Care conquistou a quarta posição na categoria Energia e Tecnologias Ambientais. “Mandamos uma animação para explicar o funcionamento da turbina ao comitê do Fórum porque ela ainda não é produzida comercialmente, e comprovamos todas as suas funções com um protótipo”, conta o engenheiro mecânico Wilson Pierazoli Filho, 50 anos, um dos três sócios da empresa, que conta com mais dois funcionários e está incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), desde 2007." Para ler na íntegra, entre AQUI.  
Tem ainda uma reportagem publicada na Bloomberg BusinessWeek, e reproduzida no site do CIETEC,  (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia - ligado ao governo de São Paulo e USP) onde se lê que: "Inventor de longa data Johann Hoffmann desenvolveu uma maneira de aproveitar o poder do rio para gerar eletricidade sem construir barragens caras e ambientalmente destrutivas." (...) Agora, aos 61 anos, o eterno inventor, hoje trabalha não só para manter canais de água limpos, mas também na exploração de sua enorme energia. O objetivo: levar a eletricidade limpa para áreas com pouco ou nenhum acesso a energia. Hoffmann e seus parceiros na CARE Eletric Energia, com sede em Belo Horizonte, Brasil, criaram um sistema de turbina que gera eletricidade a partir do fluxo natural de um rio, sem a necessidade de construir uma barragem." (Clique aqui para ler na íntegra).

Sobre energia limpa, este blog já publicou uma reportagem sobre "Um poste que gera sua própia energia", mas que parece, também, ainda não foi descoberto pelas autoridades e a grande mídia. (Veja AQUI)

Abaixo, vídeo de reportagem exibida na CNN (em espanhol), animações da invenção, e de um protótipo de usina em funcionamento






Editado por Fernando Lemos

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Rio de Janeiro - Manhã de 31/10/2011

Fotos espetaculares da manhã do dia 31/10/2011 feitas no Rio de Janeiro



Recebi de meu amigo Norival Ribeiro Duarte, uma sequencia de fotos com esse tema. Essa e as outras fotos, podem ser vistas clicando AQUI.

Fonte: Email do Norival.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Timburibá: A busca continua...


Embora cite outro blog, esta postagem (fruto de muita pesquisa e dedicação) não tem a intenção da polêmica, mas tão somente corrigir um engano histórico. É também uma homenagem a Semana da Árvore

Esta imagem ilustrativa do Like a Bird não é a foto de um Timburibá



De 19 a 24 de Setembro, comemora-se a Semana da Árvore, sendo que o dia 21 é dedicado às nossas irmãs de planeta e de luta pela sobrevivência. Aproveitando a data, faço hoje uma correção necessária sobre o lendário e misterioso Timburibá.

Por essa época - há questão de um ano mais ou menos - estava pesquisando para um trabalho de história sobre Resende quando me deparei com um artigo num blog (Aldeia Global) que me deixou eufórico: A descoberta da existência de Timburibás na Resende de hoje. A informação era fenomenal e bombástica! Imediatamente inseri o fato nas minhas fontes de pesquisa e a usei em artigos que escrevia. Mas um detalhe me chamou a atenção no texto do blog: Dizia que o Timburibá era a árvore simbolo de Resende. Nascido e criado aqui, onde também fiz todos os meus estudos passando pelos melhores colégios,  nunca tinha ouvido falar disso. Resolvi pesquisar sobre esse fato, e nada encontrei a respeito. Como a postagem é de 2009, também me perguntei porque esse fato tão importante não foi divulgado pela mídia local - via historiadores, pesquisadores, acadêmicos da ARDHIS, AMAR e nem pela Casa da Cultura Macedo Miranda. E continua assim, sem divulgação alguma até hoje (22/09/2011). Porém, é referência para quem se informa pela internet para trabalhos diversos. Aprofundando a pesquisa, lí uma versão original e integral da "A Lenda do Tymburibá" de autoria do Dr. João de Azevedo Carneiro Maia, publicada em 1883. Observei que ao final da mesma, ele fazia uma descrição dos nomes que nela apareciam. E a descrição da árvore Timburibá não correspondia ao que está no texto do blog "Aldeia Global". Percebi então que havia ali, além dessa, outras incorreções históricas, que analiso abaixo, na ordem em que aparecem no post de onde foram retiradas: (para ler o post no Aldeia Global, CLIQUE AQUI)

1-      “O Timburibá é considerado, do ponto de vista histórico, a árvore símbolo de Resende.” Discordo e não sei quando nem de onde saiu isso de árvore símbolo. Veja bem: Se ela fosse a árvore símbolo de Resende, do ponto de vista histórico, constaria de nosso Brasão, criado por Itamar Bopp (ele não iria deixar passar isso se houvesse importância no fato, pois no brasão consta um elemento bem mais antigo e que faz parte de nossa história, que é a Coroa de Ouro simbolizando N.S. da Conceição) e assumido oficialmente pela municipalidade em 29 de Setembro de 1955, por decreto e em cerimônia oficial.
     Outro motivo de discordância é que o timburibá também não é mencionado em nosso hino, letra de Luiz Pistarini e música do maestro Lucas Ferraz.
      E finalmente porque - como disse acima - sou nascido, criado e estudei nos colégios de Resende e nunca ouvi qualquer menção a respeito. E naqueles tempos de escola (anos 50, curso fundamental, antigo primário) nós cantávamos diariamente o Hino Nacional em formatura geral antes de entrarmos para a sala de aula, e uma vez por semana - em sala - o Hino à Resende. Também fiz o antigo ginásio no Dom Bosco e o 2º grau no Souza Dantas, e igualmente nunca ouvi nada a respeito de nossa árvore símbolo. Deduzo, pois que essa “novidade” de árvore símbolo é uma criação recente. Li isso pela primeira vez no texto do blog Aldeia Global e foi o que me chamou a atenção para toda essa pesquisa. 

2- “Existem inclusive narrativas de um temporal, que no início do século XX teria sido responsável pela queda da tão marcante, hospitaleira e estimada árvore...” 
Discordo total e completamente. Baseado nas narrativas do Dr. João Maia ("A Lenda do Timburibá" - leia AQUI) e do Dr. José Ezequiel Freire de Lima (“A Morte de Timburibá” - Leia AQUI), fica claro que a árvore em questão resistiu às tempestades e tombou, provavelmente corroída pelos cupins e pelo tempo, na segunda metade do século 19.
                                            
João Maia escreveu:
Nomes e costumes referidos nesta Lenda.

Tymburibá
Árvore secular que havia no planalto do morro dos Passos desta cidade (Resende), e não há muitos anos deixou de existir, sem que se saiba, ao certo, a causa de sua destruição.”

A Lenda do Timburibá foi publicada em 1883 (século XIX), e quando da publicação fica claro que a árvore já não existia mais e que ele não sabia a causa de sua destruição. Portanto, um testemunho valioso, e que comprova que o texto postado no blog carece de embasamento histórico.

Só esse testemunho seria o suficiente, porém, tem também o depoimento do advogado, poeta, jornalista e escritor, Dr. Ezequiel Freire na sua prosa “A Morte de Timburibá”.
Escreveu ele a respeito, logo no primeiro parágrafo da prosa:
Há quinze anos, avistava-se ainda, campeando solitário no planalto da colina dos passos sobranceira a Resende, um colossal representante das florestas virgens – soberbo Timburibá.”
E repete mais adiante, confirmando:
“De abandono ou de velhice, fazem 15 anos, caiu um dia o Timburibá.”
Para confirmar a época da queda, recorri a outro trecho:
“(...) doeu-me a morte desamparada a que sucumbira o Timburibá (como ao povo está doendo o desterro do seu imperador valetudinário)...”
Raciocínio lógico: O desterro do Imperador Pedro II começou dia 18 de Novembro de 1889 e Ezequiel Freire morreu aos 14 de Novembro de 1891, quase exatamente dois anos após o desterro do Imperador. Tomando-se por base essas datas, podemos afirmar que o Timburibá caiu entre 1874 e 1876. Portanto, no século 19.
Porque caiu o Timburibá? Não foi por uma tempestade. Ezequiel Freire é mais uma vez preciso, e canta em versos:

“Debalde as ventanias rugidoras
flagelaram-lhe a coma, e o raio ousado
fendeu-lhe a fronte secular, debalde!
Fora impotente a fúria assoladora
das tempestades bravas pra tomba-lo!”

E, de quebra, ainda explica que destino teve a madeira:
“Seu tronco vendido pela municipalidade ao coveiro do cemitério, e por este revendido em lenha, deu-lhe para comprar o enxoval e constituir o primeiro dote da filha. Simpático destino do meu saudoso camarada de infância...".

Com dois depoimentos escritos por importantes contemporâneos do lendário Timburibá, não há que ter dúvidas. O Timburibá caiu ao final do século XIX, vítima do descaso dos homens ou de velhice.

Nota importante: Há também menção deste fato na página 66 do livro "Resende - Cem Anos de Cidade 1848-1948", de Itamar Bopp e Alfredo Sodré.

E a parte mais importante do texto blogado. A identificação da árvore anunciada como o misterioso Timburibá:

3-      “(...) que localizou uma nota através do Instituto Plantarum, onde encontrei referências botânicas e fotos: sob o nome científico de “Enterolobium contortisiliquum”, lá estava o nosso misterioso Timburibá. Logo em seguida adquiri uma coleção da Editora Europa, em cinco volumes, onde encontrei, no das árvores, a confirmação das referências botânicas anteriores.”
E mais adiante: “(...)por isso foi indispensável identificá-los por fatores como os                           frutos, que lhe emprestam nomes populares como “orelha de macaco”.

Se a identificação foi feita pelos frutos, há aqui um engano lamentável. A diferença entre os frutos do “Enterolobium contortisiliquum” (Timburi, orelha de macaco, etc.) e a descrição que os citados autores acima fazem dos frutos do Timburibá, é clara e inequívoca:

João Maia: “(...)Duas particularidades originais davam-lhe à frondagem um aspecto lindamente pitoresco (...)e, no tempo da infloração, aquelas bainhas verde-negras de forma cilíndrica, presas a um fio longo e delgado, e a caírem como lágrimas, ou pingentes de um candelabro gigante perdido nas amplidões do espaço.”

Ezequiel Freire: “(...)Dos seus galhos desciam longos fios delgados sustentando sua extremidade inferior vagens cilíndricas que se balouçavam, batendo-lhes o vento, a uma grande altura do solo, como pingentes de um gigantesco candelabro.”
 
Com essas descrições, conclui-se e pode-se afirmar com facilidade que o timburi, ou orelha de macaco, etc. (Enterolobium contortisiliquum), cujos frutos são em forma de pequenas “orelhas” quase circulares, e o Timburibá, com seus frutos cilíndricos e ao que tudo indica, grandes; pois podiam ser vistos ao longe, não são a mesma árvore.

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Avançando nas pesquisas, e com base nos depoimentos acima descritos, encontrei uma árvore cujos frutos tem semelhança com os do Timburibá. Fica a pergunta:
Seria a cássia-gigante ou cássia-rosa (Cassia grandis, L.f.) a nossa lendária árvore? Deixo a resposta aos botânicos, biólogos, pesquisadores e historiadores de plantão.

A partir do momento em que me convenci não ser o timburi ou orelha de macaco (Enterolobium contortisiliquum) o nosso Timburibá tão procurado, e, baseado nas descrições dos Drs. João de Azevedo Carneiro Maia e José Ezequiel Freire de Lima, passei a observar as árvores de Resende e seu entorno. Para minha surpresa, encontrei - com a ajuda de pessoas de meu convívio familiar - um madeiro que tem frutos e folhagem assemelhadas às descrições citadas. Abaixo, fotos da cássia-gigante ou cássia-rosa (Cassia grandis, L.f.) e uma apenas para comparação dos seus frutos. Para ampliar, clique nas fotos. 

Cássia-grandis na entrada do Tobogã - Bairro Alvorada - Resende (RJ)

Cássia-grandis - Aeroporto de Resende (RJ)

Frutos da cássia-grandis - Aeroporto de Resende (RJ)

Frutos da cássia-grandis - Entrada do Tobogã - Alvorada - Resende (RJ)

Fruto do timburi ou orelha de macaco - Em frente à entrada do Parque das Águas - Resende (RJ)

Comparação entre os frutos da cássia-gigante e do timburi

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Resende - 1848. Aprendendo com a História

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A figueira da Praça Dr. Coelho Gomes, que um vereador pediu para ser poupada, e que foi ao chão no final dos anos 1960 ou início de 70 - Foto: Arquivo pessoal  Fernando Lemos

-  1848  -
"Para descongestionar a rua da Ponte (depois da Calçada, do Mauriti e hoje Luiz Barreto), mandou a Câmara abrir uma rua que do Largo da Biquinha (depois do Mercado e hoje Dr. Coelho Gomes), fosse à Varzea do Villaça (hoje Praça da Concórdia). Daí a hoje rua 3 de Maio. Apoiando a indicação, ponderou o vereador padre Melo, se evitasse sacrificar a figueira, frondosa árvore que ao tempo informava o sacerdote, contava 50 anos. E indicou mais, mandasse a Câmara arborizar as ruas da cidade e estradas de rodagem e proibisse o abuso da devastação das matas do município."  Texto extraído do livro "Resende - Cem anos de Cidade" de Itamar Bopp (págs. 30 e 31 do exemplar nº 139) - Única Edição - Gráfica Sangirard - G. Fonseca & Santos Ltda.

Atualização: A rua 3 de Maio, citada no texto acima; atualmente - 2011 - denomina-se Ezequiel Freire.

Comento: 
Diz o padre Melo, no texto, que a figueira em 1848 tinha 50 anos. Deduz-se, pois, que ele a conhecia desde 1798. Foi derrubada por volta de 1970. Ao ser "sacrificada", parodiando o padre vereador, estava com "apenas" 172 anos. Isso não nos diz nada? Naquele tempo, não existia a figura do prefeito. Não existiam órgãos específicos como a AMAR, nem ONGS, nem nada. Prevalecia o bom senso entre os pares. Quem administrava era o Presidente da Câmara e o colegiado de 9 vereadores. E a figueira foi preservada. Será que quando a assassinaram, aos 172 anos, estava representando algum risco? Não creio. Estive por mais de uma vez sentado aos seus pés - por volta de 1968 - conversando com o pessoal da Turma da Figueira, como eram conhecidos os meninos que por ali faziam seu ponto de encontro - e ela me parecia firme e forte. E hoje, o que está acontecendo? Vemos a cada dia que passa, corte de exemplares sem nenhuma justificativa. E - para não dizer que cortaram na raiz - fazem podas radicais, que condenam as pobres mutiladas a se tornarem apenas troncos oferecidos aos cupins para a devora final. Muitas dessas árvores que hoje estão sendo "sacrificadas", podem ser ainda aquelas vívidas na citação do padre Melo quando mandou "a Câmara arborizar as ruas da cidade e estradas de rodagem" e proibiu o "abuso da devastação das matas do município" . É issoum pouco de História não faz mal a ninguém, pois é nela que aprendemos a administrar o nosso futuro. Vamos ver se o bom senso consegue vencer o argumento do "isto está de acordo com a Lei", não só no caso da arborização da cidade, mas também no da construção do edifício da Câmara Municipal, a fim de que possamos voltar a chamar o centro histórico, de Centro Histórico. O casarão caiu, por descaso do executivo e descuido do legislativo. Tivessem se interessado em preservar o imóvel, ele ainda estaria lá. Afinal, uma simples figueira resistiu 172 anos por vontade e bom senso da edilidade. Está nas mãos dos nossos representantes a decisão de se construir um prédio em linhas modernas, ou reedificar - ao menos a fachada - mantendo os traços do casarão que alí reinou por mais de um século. Está nas mãos deles: daqueles a quem nós pagamos para nos representar, mas que quase nunca nos ouvem, como se donos e deuses fossem - e que fazem essa investidura temporária ter o poder equivocado da decisão final.

domingo, 11 de setembro de 2011

Passarinhando... Rolinha-roxa

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Rolinha-roxa (Columbina talpacoti)


Ela resolveu (para a multiplicação da espécie) fazer seu ninho e procriar bem no meio das orquídeas da casa da minha sogra. Eu resolvi (por pura curiosidade) registrar um pouco de como a coisa acontece. Da postura à saída dos filhotes do ninho. Dois ovinhos apenas. E vingaram os dois. Foram 24 dias (de 07 a 31 de agosto) acompanhando e registrando as imagens que, das 109 capturadas, selecionei as 28 que vão abaixo. Espero que gostem; que tenham um ótimo domingo e... Namastê.

(Para ampliar clique na foto)

 


























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