***RUI BARBOSA***

***RUI BARBOSA***
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

TEORI ZAVASCKI X GIOVANNI FALCONE




"...VOCÊ  sabe como os políticos italianos fizeram para desmantelar a Operação Mãos Limpas, uma das maiores operações anticorrupção da história europeia? Como exatamente eles conseguiram acabar com a mega investigação que conseguiu desmantelar diversos esquemas de propina entre empresas privadas  e órgãos públicos da Itália? Como colocaram um ponto final no trabalho que serviu de inspiração para os promotores e juízes da Lava Jato no Brasil?



Pois vou lhe mostrar três motivos principais. 
Dois deles você verá que lhe soam muito familiar, porque é o que estamos vendo acontecer com a Lava Jato neste momento.

1. O Parlamento italiano (exatamente porque era composto por muitas pessoas de algum modo ligadas ao poderes corruptos) promulgou novas leis que modificaram e, em determinados casos, até cancelaram alguns crimes, como o de concussão (crime praticado por funcionário público, em que este exige, para si ou para outrem, vantagem indevida);

2. Os magistrados foram deslegitimados em âmbito profissional e pessoal. Foram alvo de várias acusações infundadas, como de terem realizado prisões ilegais, de serem comandados pela CIA, de terem feito a operação para destruir o sistema dos partidos, de estarem envolvidos em atividades ilegais e assim por diante.

3.  E, o mais grave de tudo, magistrados foram assassinados (como por exemplo Salvatore Borsellino e Giovanni Falcone, entre outros) justamente porque estavam descobrindo as relações que tinham sido criadas entre o sistema político e o sistema mafioso.

Mas o momento exato em que os políticos poderosos da Itália começaram a ter êxito foi quando focaram na criação de  conflitos de interesse com a magistratura. Isso dividiu a opinião pública.


Hoje, no Brasil, temos o senador Renan Calheiros na missão de confundir a opinião pública. 
Ele trouxe assuntos que certamente devem ser pauta de discussão, como os super salários. Mesmo porque há notícias de que existam no próprio Senado em relação, inclusive, a assessores e até ascensoristas. Por outro lado, magistrados íntegros concordam e se posicionam claramente a favor do debate e da extinção dos super salários na instituição à qual pertencem.
Portanto, onde está a perversidade de Renan? Está no propósito real que o motiva a endossar, neste “exato momento”, comissões e temas como super salários e abuso de autoridade.
O propósito é desligitimar a magistratura, ou seja, tirar o reconhecimento da autoridade de pessoas-chave como o juiz federal Sérgio Moro. Quebrar a delicada confiança e respeito da população em instituições responsáveis por trazer à tona o profundo envolvimento das maiores autoridades políticas do país com as mais importantes empresas públicas e privadas em atividades ilícitas.
Veja como a jogada é sórdida.
Renan tentou acelerar a tramitação do projeto que modifica a lei de abuso de autoridade. De acordo com calendário negociado em reunião de líderes da Casa, a proposta seria votada diretamente em plenário no dia 6 de dezembro, sem passar pela comissão de Constituição e Justiça do Senado. O projeto prevê diferentes punições a ações policiais e do Ministério Público e, portanto, é um ameaça direta à Lava Jato.

No dia 18 de novembro p.p. Lula pediu a prisão do juiz Moro  devido “à prática de abuso de autoridade”. Muitos, ingenuamente, riram. Inclusive eu.
O que precisamos entender é que essa é uma estratégia consciente da classe política para acabar com a Lava Jato. 

Portanto, um forte investimento de cada cidadão em análise, informação e participação comunitária diante das decisões de medidas anticorrupção é urgente. 

Afinal, a corrupção desenfreada que vemos hoje no Brasil é uma consequência dessa lição que ignoramos."

19 de novembro de 2016.

Elisa Robson
Jornalista, especialista em Marketing e Negócios, mestre em Comunicação e Linguagens e administradora da página República de Curitiba.




Recebido por e-mail de R.Gonçalves - 
Editado pelo blog - 19/01/2017

sexta-feira, 8 de julho de 2016

EM VÍDEO, ADVOGADO SE INDIGNA E JUSTIFICA PORQUE PAULO BERNARDO NÃO PODIA ESTAR SOLTO



Segundo consta no site do STF, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, atendeu em parte a reclamação (RCL 24.506) do ex-ministro Paulo Bernardo Silva e revogou a sua prisão preventiva, determinando que a Justiça de São Paulo fixe – se for o caso – outras medidas cautelares.
E conclui o ministro Dias Toffoli: “Ante o exposto, indefiro a liminar requerida. Todavia, por reputar configurado flagrante constrangimento ilegal, passível de correção por habeas corpus de ofício quando do julgamento de mérito da ação, determino cautelarmente, sem prejuízo de reexame posterior, a revogação da prisão preventiva de Paulo Bernardo Silva, decretada nos autos do processo no 5854- 75.2016.403.6181”.
VERGONHOSO!!!

- Leudo Costa é jornalista, advogado e foi diretor de TV's no Rio Grande do Sul -

quarta-feira, 6 de julho de 2016

PRESIDENTE TEMER RESTITUI PODERES AOS COMANDANTES MILITARES



Ao assinar decreto, presidente em exercício diz que é preciso "democratizar e reconstitucionalizar o País"






O presidente em exercício Michel Temer assinou, nesta segunda-feira (4), o decreto 8798/2016 que restitui aos comandantes das Forças Armadas uma série de atribuições relativas à gestão e comando das tropas, inclusive em reserva.
"Precisamos democratizar e reconstitucionalizar o País", disse o presidente em exercício, durante a assinatura do decreto, em cerimônia no Palácio do Planalto.
Com a medida, Michel Temer restituirá à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica atribuições como a possibilidade de transferir para a reserva remunerada oficiais superiores, intermediários e subalternos, promover oficiais a postos superiores e reformar oficiais da ativa e da reserva.
Essas funções haviam sido retiradas pelo decreto 8.515/2015, assinado pela presidente afastada Dilma Rousseff em 3 de setembro de 2015, e revogado pelo atual 8798/2016.
Durante o ato no Palácio do Planalto, o presidente em exercício afirmou que a devolução dos poderes aos comandantes militares garante às Forças Armadas a autonomia necessária para salvaguardar a boa gestão das tropas e a segurança da soberania nacional brasileira.
Presidente Temer recebe comandantes das Forças Armadas no Palácio do Planalto
Vídeo do Ato de Assinatura do Decreto 8798/2016

domingo, 5 de junho de 2016

BURRO QUE ROUBA VIRA DOUTOR



Estudantes da Universidade de Coimbra e membros da Juventude Socialista Democrática de Portugal exigem a cassação do título de "Doutor Honoris Causa" concedido a Lula.


Estudantes da Universidade de Coimbra, Portugal, exigem a cassação do título de "Doutor Honoris Causa" concedido a Lula.

Empenhado em difundir a revolução socialista proletária Lula deixou intacto os velhos males do Brasil, além de criar outros. Tal como a Nigéria, o Brasil apresenta o dramático contraste de um Estado rico, com altos índices de corrupção, enquanto a maioria da população permanece em níveis inadmissíveis de desemprego. O desperdício de recursos milionários do petróleo, por obra de um estado que se comportou como péssimo administrador e gerente incapaz de gerir com acerto tanto riqueza, mostra-se agora mais patente e escandaloso do que nunca.
A deterioração do nível de vida nas classes média e baixa pode ser notada por qualquer pessoa que tenha conhecido o Brasil antes de Lula e hoje, passados 13 anos de governo socialista e observe a paisagem social do país. A essa realidade somam-se outras igualmente catastróficas: os serviços deficientes em hospitais públicos, a insegurança, com um índice jamais visto de crimes e roubos, o fechamento de milhares de dezenas de empresas e o índice recorde de 9,5 milhões de desempregados.
Lula foi incensado pelas esquerdas mundo afora, como o novo modelo de socialismo que emergia depois do gigantesco fracasso do socialismo no bloco do leste europeu, liderado pela antiga União Soviética. Os esquerdistas mundiais, órfãos desde a queda do muro de Berlim, viram em Lula, o operário metalúrgico e sindicalista brasileiro, a esperança de renascimento da idéia socialista. Ele foi apontado como um modelo. Como o mundo acadêmico, no planeta inteiro, é dominado pelo pensamento esquerdista, começou então uma cruzada pela sua beatificação, que passava pela concessão indiscriminada a ele de títulos de Doutor Honoris Causa.
Universidades as mais antigas, com uma enorme bagagem histórica de conhecimento, agiram de maneira totalmente irresponsável, até criminosa, ao atribuir essas homenagens a um tipo que declarava seu horror ao conhecimento. Agora esse mundo acadêmico é obrigado a se curvar e reconhecer que tinha homenageado sem pensar alguém que é absolutamente indigno da homenagem. Mais uma vez, a esquerda de viés marxista, socialista, vê cair o sonho de que um novo mundo é possível. Certamente, não o mundo imaginado pelas esquerdas e por um tipo como Lula.
COMERCIANTES INFORMAIS: demissões no mercado, tornam o artesanato uma fonte de renda duvidosa. Formalidade que não gera riqueza.

SALÃO DE BELEZA
Lula se parece hoje com um excêntrico milionário, que fora de casa, se permite toda espécie de extravagância, enquanto brasileiros comem o pão que o diabo amassou. Delírios oposicionistas? Mentiras do imperialismo? Intriga de capitalistas, inimigos da revolução petista? Tudo isso pode ser alegado pelos servidores do regime petista ou pelo próprio ex-presidente com sua linguagem chula, salpicada de ditos e imprecações de forte colorido folclórico.
Mas os números estão ai para comprovar. Se não vejamos: Inflação de 10,67% ao ano (2015). Taxa de desemprego no 1º trimestre dde 2016 de 10,9% segundo o IBGE, o que representa 11,4 milhões de pessoas sem emprego. Nem mesmo esse salão de beleza, com seu setor de maquiagem, em que foi transformado o IBGE consegue dissimular essa realidade espantosa. Em vez de criar fontes de trabalho, fomentando o investimento que gera emprego, ao longo de 13 anos, dedicou-se a acabar com elas.
A desorganização, a corrupção e a inépcia de Dilma mantiveram o caos. Dinheiro manipulado sem controle de ninguém, uma significativa parcela da justiça politizada, demagogia e um lulismo composto por oportunistas produziram no Brasil níveis portentosos de corrupção.
Como é próprio da natureza, o populismo gira sempre em torno das palavras, do jogo retórico revolucionário e de efeitos midiáticos, mas nunca chega a resolver os problemas típicos do subdesenvolvimento e da pobreza. Pelo contrário, as incrementa. Para ocultar sua incapacidade no terreno vital da produção e da economia, fabrica inimigos para lançar sobre eles a culpa de todos os males do Brasil.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

JURUNA TINHA RAZÃO. GRAVAVA POR NÃO CONFIAR!!! OU: O POLÍTICO QUE INVENTOU A GRAVAÇÃO NO PLANALTO.



Pra quem não se lembra ou desconhece a nossa história política, por essa onda de gravações que assola o país e para mostrar que isso não é novidade, vale lembrar...


Mário Juruna discursando na Câmara dos Deputados

Mário Juruna foi um líder indígena e político brasileiro. Filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), foi o primeiro e único deputado federal indígena do Brasil. Nasceu e viveu na sua aldeia de origem sem contato com o homem branco até os 17 anos, quando sucedeu seu pai na liderança da aldeia.
Na década de 1970, com pouco mais de 30 anos e ainda sem mandato parlamentar, já defendia e lutava pelos direitos indígenas. Ficou famoso por percorrer os gabinetes da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), em Brasília, quando, lutando pela demarcação da terra para os índios, portava sempre um gravador (foto) "para registrar tudo o que o branco diz" e provar que as autoridades, na maioria das vezes, não cumpriam com a palavra dada. Posteriormente, publicou o livro "O Gravador do Juruna".

Juruna e seu gravador que "prova que os políticos não cumprem a palavra".

Foi eleito deputado federal pelo PDT-RJ em 1982 com 31 mil votos. Sua eleição teve uma grande repercussão no país e no mundo. Foi o responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio no Congresso Nacional, o que levou o problema indígena ao reconhecimento formal.
Em 1984, denunciou o empresário Calim Eid por tentar suborná-lo para votar em Paulo Maluf, candidato dos militares à presidência da república no Colégio Eleitoral, mostrando (foto) e devolvendo publicamente os 30 milhões de cruzeiros recebidos na tentativa de suborno. Juruna, coerentemente, acabou votando em Tancredo Neves, candidato da oposição democrática.

Juruna devolvendo os 30 milhões de cruzeieros recebidos como suborno para votar em Paulo Salim Maluf.


Morreu por falta de cuidados, esquecido, pobre e doente em 17 de julho de 2002, aos 59 anos de idade, em decorrência de diabetes. Seu corpo foi velado no Congresso Nacional brasileiro. Uma última e justa homenagem ao (talvez) único político brasileiro verdadeiramente HONESTO de que se tem notícia.

Juruna, já doente, em Guará I, Brasília, DF, onde viria a falecer em 17/07/2002. 


Fontes: "Isto é Gente", "Descobrindo a Verdade (Blog)", Wikipédia.
Edição e concepção de texto: Fernando Lemos

terça-feira, 24 de maio de 2016

DEU JUCÁ




Tivesse o presidente Michel Temer prestado atenção neste texto de Roberto Pompeu de Toledo publicado na revista "Veja" no final de abril passado, provavelmente teria evitado o constrangimento de ser obrigado a exonerá-lo poucos dias depois da nomeação e posse. Lamentável!!!


Senador Romero Jucá - PMDB - Roraima



No mesmo dia 17 de abril em que uma presidência apodrecida foi derrubada por uma Câmara dos Deputados podre, o sistema político brasileiro morreu. Não, a afirmação não se sustenta. Seria bom demais para ser verdade. Nas horas seguintes, foram divulgadas fotos do Palácio do Jaburu, onde o vice Michel Temer aguardava, como marido ansioso, o parto de seu triunfo ─ e quem, numa dessas fotos, brilhava em primeiro plano, de pé, enquanto o vice e outros convidados figuravam ao fundo, sentados num sofá, assistindo à transmissão da TV? Romero Jucá! Jucá bem merece o ponto de exclamação. Anos atrás, este colunista confessou seu fascínio pelo senador por Roraima, cujos perfil e biografia resumem o que pode haver de mais característico no político brasileiro. Escrevi então:
“Procura-se alguém capaz de servir a (e servir-se de) diferentes regimes e governos? Dá Jucá na cabeça. Alguém que já saltou repetidas vezes de um partido para outro? Dá Jucá. Alguém com suficiente número de escândalos nas costas? Outra vez, Jucá não decepciona. Alguém que, representante de um estado pobre, de escassa oferta de oportunidades, consegue construir respeitável patrimônio pessoal? Jucá cai como uma luva. Um político que traz parentes para fazer-lhe parceria na carreira? Jucá! Proprietário de emissora de TV? Jucá! Um político que, derrotado aqui e denunciado ali, no round seguinte se reergue, pronto para novos cargos e funções? Jucá! Jucá!” (VEJA, 6/6/2007).
De lá para cá, Romero Jucá só fez ser fiel a si mesmo. Depois de servir como líder no Senado aos governos FHC e Lula, serviu também ao de Dilma Rousseff. Tudo somado, ficou mais de dez anos na liderança do governo dos três últimos presidentes. Pulou do barco de Dilma na campanha de 2014, quando só a presidente não percebeu que era uma ótima oportunidade para perder, e apoiou Aécio Neves. No ano passado, como era previsível, teve seu nome incluído na famosa “lista do Janot”, em que o procurador-geral da República arrolou os políticos implicados no escândalo da Petrobras. Nas últimas semanas, assumiu a presidência do PMDB, no lugar de Temer, e comandou a cabala de votos em favor do vice e a consequente oferta de empregos no futuro governo. Com Jucá em posição de relevância, não há possibilidade de mudança no sistema político. Não se encontrará entre os políticos brasileiros um mais fiel seguidor da regra de que, quando as coisas mudam, é para ficar tudo igual.
A duradoura influência de Jucá na política brasileira embute um enigma. Ele não se distingue como orador e carece de magnetismo pessoal. Nunca se ouviu dele uma ideia inovadora ou um discurso coerente sobre os rumos nacionais. Representa um estado pequeno (500 000 habitantes) e, fora do mundinho da política, poucos ligarão o nome à pessoa. Uma hipótese é que seu sucesso repouse exatamente na soma de tais deficiências. Por não fazer sombra a nenhum dos pares, circula com desenvoltura entre eles. Por não representar nenhuma ideia, não há como ser desafiado no campo intelectual. Jeitoso, conhece o caminho para, em todas, ficar do lado vencedor.
Há outros sinais de que o sistema seguirá o mesmo. A condescendência com Eduardo Cunha é o mais eloquente. Na votação de domingo, sempre que um deputado acusava o presidente da Câmara, sua voz era abafada por um coro de desprezo. Seguiu-se, um dia depois, uma articulação aberta para salvá-lo das punições que o ameaçam. Foi constrangedor ver um réu por crime de corrupção e lavagem de dinheiro no comando da sessão de impeachment e é inimaginável vê-lo como o segundo na linha de sucessão presidencial. Cunha perde de Jucá, porém, em itens decisivos. Ele se expõe, enquanto o outro se poupa. É atrevido como um jogador de cassino, enquanto o outro soa respeitoso como um sacristão. Por mais protegido que continue, Cunha talvez já não tenha condição de figurar numa foto junto ao provável futuro presidente. Jucá, na última quarta-feira, acompanhou Temer em um almoço com o ex-ministro Delfim Netto, e o trio foi fotografado à saída.

Dilma, uma presidente que une a inépcia à arrogância, não tinha como continuar. Seu governo derreteu-se na mesma medida em que se derretia a economia e esgotavam-se seus recursos para deter o desastre. Quem esperava no entanto que, em acréscimo, viria uma mudança no modo de fazer política perdeu. Deu Jucá.

Publicado na Veja - Edição 2475 de 27 de abril de 2016


segunda-feira, 7 de março de 2016

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

BRASIL: PÁTRIA MACUNAÍMICA




O MUNDO MACUNAÍMICO DA POLÍTICA
Por: Fernando Luís Schüler (*)
No mundo jurídico, faz todo sentido a lógica brutal enunciada por Joaquim Barbosa, segundo a qual roubo é roubo, ladrão é ladrão, fatos são fatos..Ocorre que, por muitas razões, não é este o modelo de raciocínio que as pessoas utilizam no mundo da política.
Tenho dificuldades para imaginar que outro partido, que não o PT, teria a capacidade de atravessar praticamente incólume a um julgamento como o que estamos assistindo, já em seus momentos finais, no STF. Por ampla maioria, a Suprema Corte do País, com sete de seus onze ministros indicados pelos presidentes Lula e Dilma, condenou a cúpula histórica do partido, nos termos que todos conhecemos. O processo já vai ingressando no terreno da história. Na linguagem do mercado financeira, seu custo eleitoral já está precificado, e parece ter sido, no fim das contas, irrelevante.
Trata-se de um intrigante caso de resiliência política. Na véspera do julgamento, havia a expectativa de que ele funcionasse como um divisor de águas, espécie de redenção ética da vida publica brasileira. Otimismo tropical. É possível que as máscaras de Joaquim Barbosa sejam as mais vendidas no carnaval, mas, concluído o processo eleitoral, no mundo real da política (e independentemente do gosto partidário de cada um), é José Dirceu quem comemora o “troco”, nas eleições.
Muita tinta ainda vai se gastar para explicar este fenômeno. Um bom ponto de partida é compreender uma distinção elementar entre o mundo da política e o mundo jurídico. No mundo jurídico, faz todo sentido a lógica brutal enunciada por Joaquim Barbosa, segundo a qual roubo é roubo, ladrão é ladrão, fatos são fatos. É a mesma lógica simples que guia a vida das pessoas, dia a dia, quando educam os seus filhos, pagam suas contas e devolvem o troco dado a mais na padaria. Ocorre que, por muitas razões, não é este o modelo de raciocínio que as pessoas utilizam no mundo da política. Expressão maior desta dicotomia é o argumento que, em ultima instância, sustentou a defesa dos réus do mensalão: a tese segundo a qual não havia, efetivamente, nenhum criminoso entre os acusados, visto que nenhum roubara para fins pessoais, e sim meramente políticos.
O PT tem mostrado dominar à perfeição a arte de lidar neste mundo fluido da política. E o faz com duas vantagens cruciais: aparece como protagonista de uma historia contada e recontada, em nossa cultura política, segundo a qual a “esquerda” é ética e democrática, enquanto a “direita” é corrupta e autoritária. E esta, num argumento circular, define-se pelo ato de opor-se ao próprio Partido. A segunda vantagem é a competência para colocar em marcha uma gigantesca operação gramsciana: um exército de intelectuais, professores, jornalistas e ativistas de todos os tipos, em geral no controle de organizações sindicais, comunitárias, estudantis e afins, reverberando os argumentos que interessam ao partido a cada momento, em uma apaixonada “guerra de posições” pela hegemonia política.
Não há dúvidas de que o julgamento do mensalão pertence à história da república. E só a ela. A desconstrução do mundo macunaímico da política, que o STF, sob a batuta de Joaquim Barbosa, produziu, simplesmente pela afirmação de fatos e valores amplamente compartilhados, não terá, ao que parece, qualquer efeito educativo perceptível em nossa vida pública, ao menos há curto prazo. Quem sabe suas lições sejam digeridas, muito lentamente, no futuro, pelos historiadores de ofício, e sirvam de aprendizado para uma nova compreensão ética da vida republicana.


(*) Fernando Luís Schüler é Doutor em Filosofia (UFRGS) e Diretor do Ibmec RJ
(Publicado no jornal "O GLOBO" em 30\10\12)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O TEMPO DO CONSERTO



"Incompetência e obtusidade de quem não admite que errou, que é hora de parar, de falar, de consertar o que ainda não está perdido, mantêm esse ritmo de queda veloz. Afundamos cada dia mais."


                                                             Lya Luft                        (Foto:fliporto.net)

Quando venho ao computador escrever esta coluna, trago comigo o tema já pensado. Muitas vezes, porém, quando começo a refletir, tenho a impressão de que me repito, de que nós todos nos repetimos, incansavelmente nestes últimos tempos, descrevendo as insanidades que não param. Frases sem sentido, afirmações loucas, brigas despudoradas e despudoradas deslealdades, tudo com uma naturalidade assustadora. Quando me contaram a historinha real do assaltante que levou de uma conhecida todos os pertences e o carro, e lhe apalpou o peito — dizendo, quando ela instintivamente se encolheu: "É pra ver se tu tem arma, dona, não te preocupa que a gente tem ética" —, lembrei dos tempos que correm.

Lembrei de nós, o país, o povo e as lideranças: ainda há, nesse palco vergonhoso, quem use o termo "ética"? Penso que sim, pois falta de ética implica o uso despudorado da palavra. Ninguém parece entender nada. Somos uma nau sem rumo, sem comandante, pobre Titanic sem majestade, mas com gente ajeitando a cadeira no convés para observar o espetáculo, e muitos nas margens (pode ser mar, rio ou poço o lugar do afundamento, tanto faz), apostando: "Agora vai! Ainda não vai! Vai de proa primeiro! Aquele vai cair da amurada! Outro subiu no mastro pra espiar a melhor salvação! Um deles subiu para de lá cuspir nos de baixo!".

O cansaço vai nos abatendo, já não torcemos pelo mocinho, nem acreditamos em mocinho. Alguém disse recentemente que nesse faroeste "são todos bandidos". Feito uma bactéria ou vírus, tudo isso nos deixa atordoados e quase sem reação. A reação, bonita, vem nas ruas, onde se mostra a alma do povo que vai deixando de ser bobo. Reconhecemos quem nos meteu nesse fantástico embrulho de uma dívida que não contraímos, responsabilidade de quem deveria nos liderar. Porém, incompetência e obtusidade de quem não admite que errou, que é hora de parar, de falar, de consertar o que ainda não está perdido, mantêm esse ritmo de queda veloz.

Afundamos cada dia mais. Cada dia notícias mais incríveis (agora, parece, o Planalto culpa o ministro Joaquim Levy pelo quase total descrédito do governo). Cada manhã acordo pensando que algo terá mudado. Cada manhã vejo jornais e TV esperando que algo gravíssimo, mas positivo, tenha ocorrido. Teremos de novo esperança de salvar o pobre Titanic brasileiro, e nós todos com ele. Cada manhã tenho de reconhecer que na essência nada mudou; apenas novas maluquices, trapalhadas e traições, rasteiras, invenções, reafirmações insanas ilustram nosso novo dia.

Parece que a Bolívia avisou que vai invadir o Brasil se a presidente cair; parece que não há nenhum líder possível à vista, pois o número de rabos enrolados se multiplica, e como é que a gente não sabia? Ou adivinhava algumas coisas, mas deixava pra lá? Personagens importantes e importantíssimas na vida pública e privada, que nos inspiravam, quem sabe, faziam suas tramoias pelas quais hoje o país e cada um de nós pagam alheios pecados mortais.

Sobem os impostos, mas cai a precária qualidade de vida. Sobem as dívidas: o Itamaraty deve fortunas no exterior, por extravagâncias em viagens oficiais; falta papel higiênico nas embaixadas, falta dinheiro de moradia, estudo, alimentação — ou passagem de volta para casa a estudantes para lá enviados com grande alarde e entusiasmo, mas bases furadas — e aqui no Brasil desisto de comentar a pobreza que se espalha, a ruína material e intelectual da nossa educação, das universidades às creches, a agonia da saúde dos postos aos hospitais, e a inexistente sesurança... Já tivemos isso um dia? Gomo era mesmo quando a gente podia sair às ruas em paz?

Enquanto desemprego e pobreza se multiplicam, o Senado dá um aumento de 41% ao Ministério Público, e o Planalto dá 500 milhões de reais à sua base aliada no Congresso. Que a lei e alguns homens honrados nos livrem desses vexames, e que preservemos, senão o otimismo, o teto sobre a cabeça, o feijão no prato e, com muita sorte, o filho na escola. Que seja logo. Está passando o tempo dos consertos.

 LYA LUFT - 29/08/2015 20:01:00 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Embrapa: e não é que o PT vai conseguir estragar mais uma instituição decente?


                                                                                                       Fonte: O Globo


Uma das coisas mais raras que existem é uma estatal eficiente. O BNDES já foi assim no passado, mas isso está lá, enterrado no passado. O Ipea teve sua credibilidade, mas isso é coisa do passado também. Se há ainda uma empresa estatal que goza de respeito (não pensem que vou falar da Fiocruz, aquele antro de marxista), essa é a Embrapa.
Suas pesquisas agropecuárias são apontadas como importantes para o salto de produtividade que o país deu no setor. A revista britânica The Economist chegou a reconhecer publicamente isso. É claro que um liberal sempre poderá questionar o custo de oportunidade, ou seja, como estaria o setor sem esses recursos tirados da iniciativa privada e destinados a essas pesquisas da estatal. Mas, ainda assim, trata-se de uma empresa séria e com um quadro de pesquisadores de ótimo nível.
Tratava-se, seria melhor dizer. Uma reportagem de hoje no GLOBO mostra como a Embrapa vem sendo aparelhada pelo PT também, com critérios mais flexíveis na escolha de pessoal. Na mitologia, existe o toque de Midas, onde tudo que o rei colocava a mão virava ouro. O PT parece ter o “toque de Mierdas”: tudo que ele coloca a mão apodrece! Vejam:

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sempre foi considerada uma ilha de excelência técnica, tanto na condução de pesquisas decisivas para o setor quanto na escolha dos profissionais de carreira que ocupam os cargos de chefia da estatal. O atual momento do órgão vem redesenhando essa impressão. A empresa vive uma fase de aparelhamento e apadrinhamento partidário num de seus setores mais estratégicos, afrouxamento das regras para a escolha dos diretores executivos — com a predominância do critério de indicação política — desmantelamento da capacitação internacional, e forte disputa interna. Além disso, uma investigação em curso apura supostas irregularidades cometidas por sete servidores na criação da Embrapa Internacional, com sede nos EUA.
Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que já está definida a extinção da Embrapa Estudos e Capacitação, também chamada de Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat), um projeto pessoal do então presidente Lula, inaugurado em maio de 2010. Lula pediu a criação da unidade para capacitar profissionais de outros países que atuam no campo da agropecuária, principalmente nações da África e da América Latina. Um bloco de quatro andares foi construído ao lado da sede da Embrapa em Brasília — os dois prédios estão conectados por um corredor — e os gastos somaram R$ 9,4 milhões.

Militantes do PT viraram chefes de departamentos importantes dentro da empresa. É a politização da Embrapa. O PT parece agir como os cupins, tomando conta do pedaço e estragando sua estrutura. É muito triste ver todo o estrago que o PT tem causado ao Brasil. Como disse Graça Foster sobre a investigação que faria na Petrobras, mas usando agora em contexto verdadeiro: não vai ficar pedra sobre pedra!


Fonte: Via e-mail de LT.

segunda-feira, 31 de março de 2014

31 de Março de 1964


                                                                Foto: web


O QUE FOI O 31 DE MARÇO DE 1964
Por Alexandre Garcia
 
Gostaria de dizer algumas coisas sobre o que aconteceu no dia 31/03/1964 e nos anos que se seguiram. Porque concluo, diante do que ouço de pessoas em quem confio intelectualmente, que há algo muito errado na forma como a história é contada. Nada tão absurdo, considerando as balelas que ouvimos... sobre o "descobrimento" do Brasil ou a forma como as pessoas fazem vistas grossas para as mortes e as torturas perpetradas pela Igreja Católica durante séculos. Mas, ainda assim, simplesmente não entendo como é possível que esse assunto seja tão parcial e levianamente abordado pelos que viveram aqueles tempos e, o que é pior, pelos que não viveram. Nenhuma pessoa dotada de mediano senso crítico vai negar que houve excessos por parte do Governo Militar. Nesta seara, os fatos falam por si e por mais que se tente vislumbrar certos aspectos sob um prisma eufemístico, tortura e morte são realidades que emergem de maneira inegável. 
Ocorre que é preciso contextualizar as coisas. Porque analisar fatos extirpados do substrato histórico-cultural em meio ao qual eles foram forjados é um equívoco dialético (para os ignorantes) e uma desonestidade intelectual (para os que conhecem os ditames do raciocínio lógico). E o que se faz com relação aos Governos Militares do Brasil é justamente ignorar o contexto histórico e analisar seus atos conforme o contexto que melhor serve ao propósito de denegri-los.
Poucos lembram da Guerra Fria, por exemplo. De como o mundo era polarizado e de quão real era a possibilidade de uma investida comunista em território nacional. Basta lembrar de Jango e Jânio; da visita à China; da condecoração de Guevara, este, um assassino cuja empatia pessoal abafa sua natureza implacável diante dos inimigos.
Nada contra o Comunismo, diga-se de passagem, como filosofia. Mas creio que seja desnecessário tecer maiores comentários sobre o grau de autoritarismo e repressão vivido por aqueles que vivem sob este sistema. Porque algumas pessoas adoram Cuba, idolatram Guevara e celebram Chavez, até. Mas esquecem do rastro de sangue deixado por todos eles; esquecem as mazelas que afligem a todos os que ousam insurgir-se contra esse sistema tão "justo e igualitário". Tão belo e perfeito que milhares de retirantes aventuram-se todos os anos em balsas em meio a tempestades e tubarões na tentativa de conseguirem uma vida melhor.
A grande verdade é que o golpe ou revolução de 1964, chame como queira, talvez tenha livrado seus pais, avós, tios e até você mesmo e sua família de viver essa realidade. E digo talvez, porque jamais saberemos se isso, de fato, iria acontecer. Porém, na dúvida, respeito a todos os que não esperaram sentados para ver o Brasil virar uma Cuba.
Respeito, da mesma forma, quem pegou em armas para lutar contra o Governo Militar. Tendo a ver nobreza nos que renunciam ao conforto pessoal em nome de um ideal. Respeito, honestamente.Mas não respeito a forma como esses "guerreiros" tratam o conflito. E respeito menos ainda quem os trata como heróis e os militares como vilões. É uma simplificação que as pessoas costumam fazer. Fruto da forma dual como somos educados a raciocinar desde pequenos. Ainda assim, equivocada e preconceituosa.
Numa guerra não há heróis. Menos ainda quando ela é travada entre irmãos. E uma coisa que se aprende na caserna é respeitar o inimigo. Respeitar o inimigo não é deixar, por vezes, de puxar o gatilho. Respeitar o inimigo é separar o guerreiro do homem. É tratar com nobreza e fidalguia os que tentam te matar, tão logo a luta esteja acabada. É saber que as ações tomadas em um contexto de guerra não obedecem à ética do dia-a-dia. Elas obedecem a uma lógica excepcional; do estado de necessidade, da missão acima do indivíduo, do evitar o mal maior.
Os grandes chefes militares não permanecem inimigos a vida inteira. Mesmo os que se enfrentam em sangrentas batalhas. E normalmente se encontram após o conflito, trocando suas espadas como sinal de respeito. São vários os exemplos nesse sentido ao longo da história. Aconteceu na Guerra de Secessão, na Segunda Guerra Mundial, no Vietnã, para pegar exemplos mais conhecidos. A verdade é que existe entre os grandes Generais uma relação de admiração.
A esquerda brasileira, por outro lado, adora tratar os seus guerrilheiros como heróis. Guerreiros que pegaram em armas contra a opressão; que sequestraram, explodiram e mataram em nome do seu ideal.E aí eu pergunto: os crimes deles são menos importantes que os praticados pelos militares? O sangue dos soldados que tombaram é menos vermelho do que o dos guerrilheiros? Ações equivocadas de um lado desnaturam o caráter nebuloso das ações praticadas pelo outro? Penso que não. E vou além.A lei de Anistia é um perfeito exemplo da nobreza que me referi anteriormente. Porque o lado vencedor (sim, quem fica 20 anos no poder e sai porque quer, definitivamente é o lado vencedor) concedeu perdão amplo e irrestrito a todos os que participaram da luta armada. De lado a lado. Sem restrições. Como deve ser entre cavalheiros. E por pressão de Figueiredo, ressalto, desde já. Porque havia correntes pressionando por uma anistia mitigada.
Esse respeito, entretanto. Só existiu de um lado. Porque a esquerda, amargurada pela derrota e pela pequenez moral de seus líderes nada mais fez nos anos que se seguiram, do que pisar na memória de suas Forças Armadas. E assim seguem fazendo. Jogando na lama a honra dos que tombaram por este país nos campos de batalha. E contaminando a maneira de pensar daqueles que cresceram ouvindo as tolices ditas pelos nossos comunistas. Comunistas que amam Cuba e Fidel, mas que moram nas suas coberturas e dirigem seus carrões. Bem diferente dos nossos militares, diga-se de passagem.
Graças a eles, nossa juventude sente repulsa pela autoridade. Acha bonito jogar pedras na Polícia e acha que qualquer ato de disciplina encerra um viés repressivo e antilibertário. É uma total inversão de valores. O que explica, de qualquer forma, a maneira como tratamos os professores e os idosos no Brasil.Então, neste dia31 de março, celebrarei aqueles que se levantaram contra o mal iminente. Celebrarei os que serviram à Pátria com honra e abnegação. Celebrarei os que honraram suas estrelas e divisas e não deixaram nosso país cair nas mãos da escória moral que, anos depois, o povo brasileiro resolveu por bem colocar no Poder.
Bem feito. Cada povo tem os políticos que merece.
Se você não gosta das Forças Armadas porque elas torturaram e mataram, então, seja, pelo menos, coerente. E passe a nutrir o mesmo dissabor pela corja que explodiu sequestrou e justiçou, do outro lado. Mas tenha certeza que, se um dia for necessário sacrificar a vida para defender nosso território e nossas instituições, você só verá um desses lados ter honradez para fazê-lo.
 
                                                                                        Foto: Web



Fonte: Recebido por e-mail de SMP

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

MINISTRO MARCO AURÉLIO LEMBRA: ESTÃO CONFUNDINDO O REGIME SEMIABERTO (QUE É FECHADO) COM REGIME ABERTO!!!


Nesta quarta, com correção, o ministro Marco Aurélio observou que estão confundindo o regime semiaberto com o regime aberto — neste, sim, o preso pode passar o dia inteiro fora, trabalhando, e voltar para dormir na cadeia. Afirmou o ministro:
“A Justiça não age de ofício, age mediante provocação. Está havendo confusão entre regime semiaberto e aberto. No regime
aberto, há o direito do reeducando, e esperamos que todos sejam reeducas, no sentido de trabalhar durante o dia e pernoite, à noite. No semiaberto, as saídas dependem de autorização e não podem ser saída continuadas e de forma linear.”

                                                                                                                           Web

É isso mesmo! Reinaldo Azevedo já havia chamado a atenção para essa questão em post do dia 23 de novembro. Eis um resumo do seu texto:

"A prisão em regime semiaberto tem regras de vigilância que são um pouco mais relaxadas do que as do regime fechado, e os presos contam com algumas regalias de que não gozam os do regime fechado. Ocorre que há precondições. Não e a casa da mãe joana — que é no que se transformou a Papuda dos mensaleiros. Trata-se, reitero, de regime fechado também. Seria conveniente, aliás, mudar o nome. Eu classificaria assim: Regime Fechado I e Regime Fechado II — deixo à escolha se o mais severo é um ou outro. Basta definir.

                                                                                                                         Web

O que diz a Lei de Execuções Penais:
"Art. 123 - A autorização será concedida por ato motivado do juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária, e dependerá da satisfação dos seguintes requisitos:

    I - comportamento adequado;

    II - cumprimento mínimo de 1/6 da pena, se o condenado for primário, e 1/4, se reincidente;

    III - compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.

Como se pode ler acima, não basta pedir pra sair e dar no pé. Vejam no Artigo 123, citado — o benefício só é concedido depois de cumprido pelo menos um sexto da pena. E o preso tem de ter bom comportamento. Não pode, por exemplo, fazer comício na cadeia. A atividade exercida fora da prisão tem de obedecer aos objetivos da ressocialização.

Vamos ver… Se o Zé, por exemplo, o Dirceu, quiser sair “para trabalhar”, e se esse “trabalho” for a sua atividade de lobista, convenham… Isso não ressocializa, né? Corre até o risco de ganhar o bilhete para uma nova temporada na Papuda, sabem como é… Se, por outro lado, o Zé decidir trabalhar como jardineiro em canteiros públicos, aí pode ser. Ele teria a oportunidade de ser, finalmente, apresentado ao trabalho. Pode ser uma experiência transformadora. Imaginem a manchete: "Dirceu está trabalhando".

O PT conseguiu criar mais uma confusão e, mais uma vez, botou a imprensa no caminho errado — e esta, infelizmente, acabou caindo na conversa, inclusive a de alguns advogados dos condenados. Quando José Dirceu passar para o regime aberto, aí, sim, ele pode sair todos os dias para “trabalhar”, por exemplo. Mas tem de ser um trabalho honesto.
Por Reinaldo Azevedo.
Editado por Fernando Lemos
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