***RUI BARBOSA***

***RUI BARBOSA***
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Hans Israel Hirsfield


Inesquecível história real sobre um homem por quem sempre nutri grande admiração. 
Publicado no "O Ponte Velha" em 2007.

                                                                           Imagem: internet


         Era um tipo diferente e estranho aquele... Homem de poucas palavras, aparentando ter passado dos 50 anos, muito alto, magro, braços enormes com números tatuados em azul na altura de um dos punhos (que se via de relance), pernas muito compridas, cabelo grisalho cortado bem curtinho, rosto vincado; marcado pela dura vida passada. Nariz afilado com uma verruga numa das narinas, boca grande, orelhas maiores ainda, olhos pequeninos, que às vezes brilhavam de maneira vívida, outras ficavam meio que embaçados, tristes, distantes, parecendo perdidos em lembranças de momentos fortes, com traços de cansaço. Olhar  que eu percebia através dos óculos “fundo de garrafa” com grosso aro preto, assim como seu chapelão redondo, de feltro, enterrado até a testa e cuja aba lhe cobria quase a metade dos ombros, mas que certamente o protegia do sol. Estava sempre com um surrado paletó preto “risca de giz” e camisa abotoada até o pescoço, porém sem gravata. Usava invariavelmente um mesmo par de sapatos social preto (que já tinham tido lá seus dias de glória), encadarçado com barbantes, meias que haviam sido brancas  e amarelaram com o passar dos tempos, a boca dos canos esgarçadas e arriadas, deixando à mostra parte dos ossos do calcanhar. Calças largas de linho cinza, presas à cintura por um cinto de cor indefinida, de onde saía uma língua de couro que lhe caia até quase a metade da coxa, com a bainha sempre presa por elásticos pra evitar um enrosco na corrente da bicicleta; uma Philips preta (seu único meio de transporte), com banco de couro e molas, que rangiam a cada pedalada, e, um guarda-chuva enrolado, eternamente preso ao quadro da mesma. No porta bagagens, uma caixa de madeira que usava para carregar os ovos que vendia. Morava lá na Fazenda da Barra, numa pequena propriedade rural na comunidade judaica, perto da chácara do “tio” Maércio, onde passávamos as férias escolares. Era de lá que o conhecia desde os anos 50. Mas o fato que vou narrar, se deu por volta de 1965. Pois é... Eu já era bancário, apesar da pouca idade (15 anos) e trabalhava como contínuo. Aliás, registre-se que naquele tempo, TODO o serviço bancário era manual, viu gente?! Nada de computadores ou algo que sequer se aproximasse disso. As máquinas mais modernas que tínhamos por lá eram elétricas: uma de escrever e outra de somar! Caneta só tinteiro. Esferográfica era coisa a ser inventada.
            Na época, o expediente bancário para o público começava as oito da manhã e terminava as quatro da tarde, sem intervalo. Normalmente eu saía pro almoço por volta de onze e meia e retornava próximo de uma da tarde. Fazia minhas refeições, rapidamente, no extinto e saudoso Bar Caçula, indo em seguida pra loja de meu pai, na Alfredo Whately (Casa das Miudezas) para que ele e meu tio (João) pudessem almoçar. O tio voltava logo, pois morava perto. Meu pai comia em casa também, mas um pouco mais distante (na Eduardo Cotrim) sem hora certa pra voltar. Nesse espaço de tempo, a loja ficava sob minha responsabilidade. Pois bem... Certo dia, o “seu” Hans, vai ao Banco e o atendo no balcão. Acho que era um depósito (o pior era escrever o nome Hirsfield, com aquela caneta de pena que a gente molhava no tinteiro e às vezes borrava tudo.) Atendi-o em alguns minutos e ele saiu. Logo a seguir, deu minha hora de almoço. Após a rápida refeição, fui pra loja  cobrir o horário do pai e do tio. Lá eu tirava a gravata e paletó que usava pra compor o tipo “bancário”. Nesse meio tempo em que estava sozinho, entra o “seu” Hans. Ele me dá uma lista de coisas que precisava: arame, pregos, parafusos, etc. Comecei a separar a mercadoria e notei que ele me olhava de maneira esquisita. Levei uns vinte minutos pra atender seu pedido, embrulhar, receber e fazer o troco. Foi embora me olhando meio enviesado. Parecia desconfiado... Não demorou pro tio João chegar. Comentei  sobre o freguês e ele me disse que “seu” Hans era assim mesmo, meio esquisito. Voltei imediatamente pro Banco. Passados uns quinze minutos, entra o “seu” Hans novamente e o atendo. Queria falar com “a Maércio”... Expliquei-lhe que ele estava em horário de almoço, mas não devia demorar. Sentou-se num banco de madeira que tinha lá e ficou me olhando fixamente um bom tempo. Eu já estava até meio sem jeito quando bruscamente se levanta, vai até o balcão onde eu estava e  pergunta com aquele sotaque carregado: “Você ter uma irrmaum???” Pra não ter que ficar explicando o acidente que tinha vitimado minhas duas irmãs recentemente (o assunto me incomodava muito!) disse-lhe que sim. Ele só balbuciou um “Aah!!!” E voltou a se sentar. O tio Maércio chegou e eles sumiram na sala da gerência. Não o vi mais naquele dia. Algumas semanas depois (ele ia ao Banco com freqüência, e sempre me olhava de esgueio) eis que se dirige a mim e pergunta: “Sua irrmaum sumiu do loja de sua babai. Que houve?” Aí caiu a ficha... Eu, muito ordinário e sem-vergonha, disse que ele estudava fora. Limitou-se ao tradicional “Ah!!” e calou-se. Dias depois, volta e me diz: “Nunca via irrmauns gêmeas tão iguais no meu vida, querria tanto ver as dois juntas. Quando ele vem?”. Como consegui segurar o riso, não sei. Mas respondi, sério, que não sabia. E tratei de sair de perto. Fui rir no banheiro... Não é que o danado foi falar com meu pai? Uns quinze minutos depois; telefone pra mim. Meu pai pede que vá até a loja. Urgente!
Fui... me borrando de medo! Sabia o que me esperava... “Mentiroso e safado” foram os adjetivos mais leves que meu pai usou contra mim. “Pede desculpas pro “seu” Hans...Anda!” E cascudo comendo solto... Desculpas cabisbaixas pedidas, “seu” Hans sai sorrindo (nunca o tinha visto sorrir!) e dizendo: “Náu bate muito nela náu, ela serr muito inteligente e brincalhona!”. Pra encurtar. Levei mais uns tabefes à noite em casa, peguei 15 dias de castigo (sem cinema e clube) e toda vez que o “seu” Hans ia ao banco ou à loja, me refugiava no banheiro. Pra rir... de vergonha!!!

Aproveito para me solidarizar com as vítimas do Holocausto, pois foi vendo o noticiário sobre o toque de silêncio em Israel no dia 16 p.p. que me lembrei dessa história do Sr. Hans Israel Hirsfield, que não vejo já há muitos anos, mas por quem guardo muito respeito, carinho e admiração. Apesar da brincadeira dos gêmeos...

Shalom aleikhem. 


ÓFernando Lemos – 19/04/2007

quinta-feira, 20 de junho de 2013

sábado, 15 de junho de 2013

RUA PADRE MANOEL DOS ANJOS - Uma Releitura da História de Resende


Rua Padre Manoel dos Anjos esquina com a Rua do Rosário - 14/06/2013


                É recorrente para quem pesquisa história, começar uma busca e se deparar com detalhes que nada tem a ver com o que se quer saber. E foi assim, pesquisando não sei nem mais o que, que observei um detalhe interessante sobre o padre mencionado no título deste texto, e (embora surpreso) tive a certeza de que tivemos dois padres com idades e nomes  assemelhados, mas que ficou registrado errônea e injustamente na história que se ensina e se publica, como apenas um, que recebe as homenagens que devem ser prestadas a outro. Senão vejamos:

1- Padre Manuel Seraphim dos Anjos (Prestou serviços em Resende entre 1807 e 1819):
Segundo Itamar Bopp em seu livro de 1973 (Notas Genealógicas de Vigários e Padres na Paróquia de Resende, Casamentos de 501 a 602 e 701), esse padre nasceu na Vila de Sorocaba,  e foi batizado em 1765, e seria ele o padre homenageado com o nome da rua no bairro Lavapés. Foi esse cidadão ordenado padre em 26/04/1787, aos 22 anos ou em 1796 (31 anos). Mas, curiosamente, o genealogista não faz neste seu livro nenhuma referência à fundação da Santa Casa de Resende (outrora Casa de Misericórdia) por este padre. Diz apenas que: “...cuja lembrança se eterniza em inequívocas demonstrações do seu valor...”  (pag.37) e que “...devia ser muito querido das famílias importantes da época ...” pois realizou os casamentos do Comendador Bento de Azevedo Maia[¹] e outras figuras de destaque na época (Bento Maia se casou em 11/06/1808). De fato, encontrei diversos registros de casamentos e batizados realizados por esse padre em outro livro do mesmo autor, editado pelo Instituto Genealógico Brasileiro em 1971 (Casamentos na Matriz de Resende – 300 a 500), mas nenhuma referência ao trabalho dele junto à Santa Casa de Misericórdia Resende, fundada em 1835; quando Manuel Seraphim dos Anjos já estaria com 70 anos completos, considerando-se ter nascido no ano de seu batismo, 1765. Itamar Bopp também não faz referência no primeiro livro acima citado, sobre a cor e como vivia esse Manoel dos Anjos, mas dá grande destaque para o bairro Lavapés e a rua em questão.
Acho no mínimo estranho a falta dessas informações no livro de um genealogista cuidadoso e minucioso como era Itamar Bopp, pois em fichas de seu arquivo de anotações, existem esses detalhes anotados,  e numa delas, foi riscado (na ficha) o detalhe da cor “preta” (ficha 2252-v) e está anotado ainda que “... nome [da rua] dado pelo povo por residir naquele local o Padre Manoel dos Anjos, preto, que veio de Areas, com fama de construtor e de entendido em construções de Igrejas.” Aí cabe a pergunta: Porque Itamar Bopp omitiu essas informações no seu livro de 1973 se ele as possuía? No mínimo, estranho. Talvez por dúvida, já que na ficha 2394-v ele anotou claramente a relação deste Manuel Seraphim dos Anjos com a fundação da Santa Casa.
Curiosamente, esse padre ministrou os sacramentos somente até por volta de 1819, não tendo batizado o Dr. João Maia, mas suas irmãs Escolástica (1813) e Ana Claudina (1817).
Como o Dr. João Maia nasceu em 1820 e não recebeu os Santos Óleos pelo Padre Manuel Seraphim dos Anjos, deduzo que não o fez porque o mesmo talvez já tivesse sido transferido para outra paróquia. Não encontrei (até aqui) registro do destino final desse padre, nem outros registros de casamentos ou batizados com datas posteriores a 1819[²].

[¹] – Manuel Seraphim dos Anjos estava com 43 anos quando efetuou o casamento do Comendador Bento de Azevedo Maia.
[²] - Registro de um batizado à pag. 102 do livro de 1971 acima mencionado  (Casamentos de 300 a 500) – “Bento – 02-II-1819” – Padrinhos: Comendador Bento de Azevedo Maia e esposa.

2- Padre Manuel dos Anjos Barros (Prestou serviços em Resende entre 1835 e 1840):
Dá-nos notícia, o Dr. João de Azevedo Carneiro Maia, em seu livro “Notícias Históricas e Estatísticas do Município de Rezende Desde a sua Fundação”  (Tipografia da Gazeta de Notícias, 1891. E  2ª edição Prefeitura Municipal de Resende/Conselho de Cultura, 1986, com o título “Do descobrimento do Campo Alegre até a criação da Vila de Resende”), de que esse foi o padre que organizou, administrativamente e de fato fundou a Casa de Misericórdia de Resende em 1835, tendo também criado a Irmandade respectiva. Isso pode ser lido com toda clareza nas páginas 200 a 203 do livro de 1891; e  124/125 do livro reeditado em 1986 (2ª Edição). Conforme se vê ali o padre Manuel dos Anjos Barros, foi convidado para fazer esse trabalho em 1835, e o realizou com sucesso.  Mas o autor não menciona que esse foi o padre que casou seus pais, o Comendador Bento de Azevedo Maia. Não menciona esse detalhe pelo simples fato de que não foi esse o padre que casou seus pais e batizou suas irmãs. Se fosse o mesmo, certamente não teria omitido esse detalhe.
Além disso, o Dr. João Maia detalha que, as notícias biográficas sobre esse sacerdote vêm das “...que ficaram na memória de poucos contemporâneos. Era natural de São João Del Rei, província de Minas Gerais; de cor preta, mas nascimento livre. (...) Depois de ordenar-se, veio para a vila de Areias, não se sabe em que tempo, e de lá para Resende, na época que já referimos. Extremamente pobre, mal trajado, quase descalço, sua abnegação era tal que tudo quanto recebia de suas missas, repartia com os necessitados. (...) “...vindo a falecer em 1840 ou 1841, de uma anasarca, na idade de setenta anos, mais ou menos...”.
Ora, fica patente que são pessoas distintas, de épocas e missões diferentes por nossas terras, pois se se tratasse da mesma pessoa, além da igualdade dos  sobrenomes (dos Anjos), certamente João Maia não deixaria de mencionar isso. E o mais curioso, é que Itamar Bopp sabia desses detalhes (provavelmente tirados do livro de João Maia) mas não os mencionou na pequena biografia que publicou sobre o Manuel Seraphim, a quem dedica (erroneamente, em minha opinião) o nome da rua. Basta ver a ficha de anotações nº 2070 do próprio Bopp (frente e verso) para se ter certeza disso.

Somente a título de informação: Não encontrei no livro do Cel. Alfredo Sodré (Resende Cem Anos de Cidade – Vol. I) e nem no do Bopp com o mesmo título, a anotação de 1873 sobre o nome da rua, que teria sido concedido pela Câmara Municipal.
E é de suma importância observar que o Dr. João Maia conviveu com o padre Manuel dos Anjos Barros, visto que, nascido em 1820; em 1835 (data de criação da Casa de Misericórdia) tinha o mesmo, 15 anos; e um ano depois, com apenas 16 anos, foi para São Paulo cursar direito na prestigiada Faculdade de Direito de São Paulo, conhecida também como a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, fundada em 11 de agosto de 1827 por Lei Imperial . Dotado de precoce sapiência, dedicação aos estudos e memória extraordinária, não teria o Dr. João Maia se lembrado do padre que casou seus pais? Aliás, outro detalhe importante é que o próprio Comendador Bento de Azevedo Maia (que se casou em 1808 conforme dito no tópico acima), um dos fundadores da Casa de Misericórdia em 1835 e pai do Dr. João Maia; também foi contemporâneo do Manuel dos Anjos Barros, pois faleceu em 1859, aos 75 anos. Teria esse detalhe passado despercebido pelo autor (e seu pai), caso fosse esse o mesmo padre que casou seus genitores? Evidentemente que não. Não teria o pai comentado com o filho que esse era o mesmo padre que havia realizado o seu casamento em 1808? Evidentemente que sim!  
Pesquisando mais profundamente, encontrei até aqui, a muito custo e paciência, um registro de sacramento ministrado por Manuel dos Anjos Barros. Trata-se do casamento de Leonor de Souza Barros com Antonio Pinto Coelho de Souza Barros, realizado aos 07 de agosto de 1835 (ano da fundação da Casa de Misericórdia), “com provisão do Reverendo Vigário da Vara, Antonio Maria Ribas Sandim”, tendo por testemunhas, o vereador Padre Francisco do Carmo Froês e Domingos Gomes Jardim, os mesmos que, em 04 de abril de 1829 sugeriram a criação da Casa de Misericórdia através de subscrição popular. É um registro importante pois demonstra que o Padre Manuel dos Anjos Barros veio para Resende com a missão única de fundar e organizar a Casa de Misericórdia, e  só podia ministrar sacramentos mediante provisão superior. Por isso é tão difícil encontrar anotações dos atos sacramentais desse padre nos livros de genealogia do Itamar Bopp. Este registro está na pág. 97 (casamento 434, filho 2) do livro de 1971, já mencionado acima (Casamentos de 300 a 500).

Placa afixada na esquina com a Rua do Rosário


E assim, baseado nos documentos acima mencionados, concluí que tivemos dois padres com nomes e idades semelhantes, mas que serviram a Resende em épocas diferentes; e não apenas um Manoel dos Anjos, cujo nome correto seria, nos dois casos, Manuel.
Concluí também que; pela obra de cada um,  a Rua Padre Manoel dos Anjos no bairro Lavapés, homenageia o fundador da Santa Casa e sua Irmandade: MANUEL DOS ANJOS BARROS, o pobre e abnegado padre negro, de São João Del Rei (MG) e não  Manuel Seraphim dos Anjos, de Sorocaba (SP).

Espero que este trabalho de pesquisa seja utilizado para se corrigir um lamentável engano, e que se faça justiça por meio desta verdade histórica, corrigindo-se (via Câmara Municipal de Resende) o nome da rua em questão para Padre Manuel dos Anjos Barros.



Fernando Lemos – 15/06/2013 às 00:26h

(Jornalista e Pesquisador de História)

sábado, 20 de abril de 2013

"Almanack do Centenário de Rezende"



O "Almanack do Centenário de Rezende para o anno de 1902", é uma publicação organizada por Henrique Fonseca e Heitor Bittencourt e foi publicada pela Typographia e Papelaria "Fonseca" em 1902 na cidade de Resende, Estado do Rio de Janeiro. Reúne textos originais de repórteres, poetas, jornalistas, historiadores, políticos e representantes da grande imprensa da época, que descrevem como foram as festas e outras curiosidades da comemoração do centenário, em 1901, da elevação do Curato de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova a condição de Vila em 29 de Setembro de 1801, quando passou a chamar-se simplesmente Resende. Um documento histórico que precisa e deve ser divulgado para o conhecimento de todos. 

Aguarde alguns segundos para o carregamento do livro



segunda-feira, 8 de abril de 2013

A REVOLUÇÃO SILENCIOSA



O texto é de 2006, mas permanece atualizado, como se escrito hoje. Por isso o publico.

Crédito da foto: http://downloads.open4group.com

A Revolução Silenciosa, por Diego Casagrande 

Não espere tanques, fuzis e estado de sítio.
Não espere campos de concentração e emissoras de rádio, tevês e as redações ocupadas pelos agentes da supressão das liberdades.
Não espere tanques nas ruas.
Não espere os oficiais do regime com uniformes verdes e estrelinha vermelha circulando nas cidades.

Não espere nada diferente do que estamos vendo há pelo menos duas décadas.

Não espere porque você não vai encontrar, ao menos por enquanto.

A revolução comunista no Brasil já começou e não tem a face historicamente conhecida. Ela é bem diferente. É hoje silenciosa e sorrateira. Sua meta é o subdesenvolvimento. Sua meta é que não possamos decolar.

Age na degradação dos princípios e do pensar das pessoas. Corrói a valorização do trabalho honesto, da pesquisa e da ordem.

Para seus líderes, sociedade onde é preciso ser ordeiro não é democrática.

Para seus pregadores, país onde há mais deveres do que direitos, não serve.

Tem que ser o contrário para que mais parasitas se nutram do Estado e de suas indenizações.

Essa revolução impede as pessoas de sonharem com uma vida econômica melhor, porque quem cresce na vida, quem começa a ter mais, deixa de ser "humano" e passa a ser um capitalista safado e explorador dos outros.

Ter é incompatível com o ser. Esse é o princípio que estamos presenciando.

Todos têm de acreditar nesses valores deturpados que só impedem a evolução das pessoas e, por consequência, o despertar de um país e de um povo que deveriam estar lá na frente.

Vai ser triste ver o uso político-ideológico que as escolas brasileiras farão das disciplinas de filosofia e sociologia, tornadas obrigatórias no ensino médio a partir do ano que vem.

A decisão é do ministério da Educação, onde não são poucos os adoradores do regime cubano mantidos com dinheiro público. Quando a norma entrar em vigor, será uma farra para aqueles que sonham com uma sociedade cada vez menos livre, mais estatizada e onde o moderno é circular com a camiseta de um idiota totalitário como Che Guevara.

A constatação que faço é simples.

Hoje, mesmo sem essa malfadada determinação governamental - que é óbvio faz parte da revolução silenciosa - as crianças brasileiras já sofrem um bombardeio ideológico diário.

Elas vêm sendo submetidas ao lixo pedagógico do socialismo, do mofo, do atraso, que vê no coletivismo econômico a saída para todos os males. E pouco importa que este modelo não tenha produzido uma única nação onde suas práticas melhoraram a vida da maioria da população. Ao contrário, ele sempre descamba para o genocídio ou a pobreza absoluta para quase todos.

No Brasil, são as escolas os principais agentes do serviço sujo.

São elas as donas da lavagem cerebral da revolução silenciosa.

Há exceções, é claro, que se perdem na bruma dos simpatizantes vermelhos.

Perdi a conta de quantas vezes já denunciei nos espaços que ocupo no rádio, tevê e internet, escolas caras de Porto Alegre recebendo "freis betos" e mantendo professores que ensinam às cabecinhas em formação que o bandido não é o que invade e destrói a produção, e sim o invadido, um facínora que "tem" e é "dono" de algo, enquanto outros nada têm.

Como se houvesse relação de causa e efeito.

Recebi de Bagé, interior do Rio Grande do Sul, o livro "Geografia"obrigatório na 5ª série do primeiro grau no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Os autores são Antonio Aparecido e Hugo Montenegro.

O Auxiliadora é uma escola tradicional na região, que fica em frente à praça central da cidade e onde muita gente boa se esforça para manter os filhos buscando uma educação de qualidade.

Através desse livro, as crianças aprendem que propriedades grandes são de "alguns" e que assentamentos e pequenas propriedades familiares "são de todos".

Aprendem que "trabalhar livre, sem patrão" é "benefício de toda a comunidade". Aprendem que assentamentos são "uma forma de organização mais solidária... do que nas grandes propriedades rurais".

E também aprendem a ler um enorme texto de... adivinhe quem? João Pedro Stédile, o líder do criminoso MST que há pouco tempo sugeriu o assassinato dos produtores rurais brasileiros.

O mesmo líder que incentiva a invasão, destruição e o roubo do que aos outros pertence. Ele relata como funciona o movimento e se embriaga em 
palavras ao descrever que "meninos e meninas, a nova geração de assentados... formam filas na frente da escola, cantam o hino do Movimento dos Sem-Terra e assistem ao hasteamento da bandeira do MST".

Essa é A revolução silenciosa a que me refiro, que faz um texto lixo dentro de um livro lixo parar na mesa de crianças, cujas consciências em formação deveriam ser respeitadas.

Nada mais totalitário. Nada mais antidemocrático. Serviria direitinho em uma escola de inspiração nazifascista.

Tristes são as consequências.

Um grupo de pais está indignado com a escola, mas não consegue se organizar minimamente para protestar e tirar essa porcaria travestida de livro didático do currículo do colégio.

Alguns até reclamam, mas muitos que se tocaram da podridão travestida de ensino têm vergonha de serem vistos como diferentes. Eles não são minoria, eles não estão errados, mas sentem-se assim.

A revolução silenciosa avança e o guarda de quarteirão é o medo do que possam pensar deles.

O antídoto para A revolução silenciosa? "Botar a boca no trombone"alertar, denunciar, fazer pensar, incomodar os agentes da "Stazi" silenciosa.

Não há silêncio que resista ao barulho!

Diego Casagrande é jornalista em Porto Alegre/RS

Recebido por e-mail de LT.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

OS CEGOS


Imagem ilustrativa: Artefato Cultural.


OS CEGOS

                Eles eram quatro e fizeram parte da minha infância/juventude e, acredito, da dos resendenses  dos anos 50/60. Não tinham afinidades entre si. Eu os observava muito, e assim como o Sr. Gilberto Izoldi, Elias Atta  e muitos outros sobre quem ainda pretendo escrever, se tornaram (pra mim) figuras folclóricas e lendárias. Todo mundo os conhecia. Nunca os vi mendigando e não sei como faziam para se manter. Cada um com sua característica. Dois eram brancos e os outros dois, afro-descendentes (politicamente correto, correto?). Não sei o motivo da cegueira que os acometeu, e só de um eu conhecia a morada. O nome deste, fiquei sabendo dia desses pelo Silvinho da loja de uniformes esportivos da galeria Campos Elíseos. Era o Sr. Vargas, que morava no Alto dos Passos, perto da caixa d’água velha, pai do José Cláudio (hoje militar) e do Luis Cláudio. Homem bonitão, alto, olhos claros, cabelos sempre penteados (Gumex? Alguém se lembra?) barba sempre bem escanhoada, perfumado, bigodes aparados com perfeição, uma bengala branca, assim como suas calças, sempre limpas, sandália de couro natural e invariavelmente acompanhado do filho menor, de calcinha curta, suspensório e também com olhos muito claros, sempre arrumadinho e cheiroso. Mas a característica que o identificava era o assobio. Gente, ele assobiava com uma maestria ímpar. E seu assobio tinha dupla finalidade: encantar nossos ouvidos e avisar que tava passando. Eu morava no caminho que ia pra sua casa, por isso, quase todas as manhãs (ou sempre que ele saía) eu ouvia seu assobio e saía na janela para vê-lo passar. Acho que o menino-filho o acompanhava para ajudar a atravessar as ruas, sempre quietinho e com aquele olhar meigo, meio perdido, meio encantado com o pai que tinha... Uma imagem que jamais me sai da cabeça essa dele descendo a Padre Marques assobiando com o filhinho pelas mãos. Acho que seus limites eram de casa até a praça O.Botelho. De vez em quando o via em Campos Elíseos acompanhado da esposa (também sempre bem arrumada). O outro cego branco também tinha olhos claros, mas não o mesmo cuidado com o trato no vestir e se cuidar. Com a barba sempre por fazer, andava por quase toda a cidade com uma varinha pintada de branco na ponta, a camisa aberta até o peito e pra fora das calças. Sua principal característica era o eterno mau humor. Se a gente tivesse no seu caminho e ele esbarrasse a varinha na gente, sempre resmungava alguma coisa ininteligível. E me dava a impressão que vivia mastigando as palavras e a própria boca. Nunca entendi o que ele dizia e me assustava com sua presença. Mas acho que não fazia mal a ninguém. Os outros dois eram afro-descendentes e muito parecidos em tudo: Altos, magros, roupas um tanto quanto rasgadas e sujas; uma cordinha de sisal esgarçada amarrando a cintura das calças, chapéus de palha na cabeça, sacos de pano às costas (que será que carregavam ali? Nunca soube!) e varinhas de bambu pra servir de guia. Sempre rodeados de um bando de crianças, umas iam à frente e atrás, outras dos lados e muitos, mas muitos cães juntos. Por isso, quando passavam movimentavam a rua. Ambos fumavam. Acho que um deles pitava até um cachimbinho daqueles de barro, lembram? Mas o interessante no caso deles, é que não podiam se encontrar que a coisa ficava feia. Era briga na certa. E começava assim: Os cães de um e de outro se avançavam. As crianças iam apartar e acabavam brigando entre si. Choravam... Aí, os cegos começavam a esbravejar e dar varadas para acertar o cachorro do adversário. Acabavam acertando as crianças, que choravam e gritavam mais ainda. Eles, sem saber o que acontecia, gritavam cada vez mais um com o outro, os cães não se largavam, ganiam, uivavam, se mordiam e tome de varada pra lá e pra cá. Quem assistia, não tinha como entrar pra separar. Seria alvo fácil pra tomar bifa de vara sem ter nada com isso. Como separar esse aranzé todo? Era no grito meus amigos! Geralmente as senhoras das imediações deixavam seus afazeres, saiam às ruas e entre rindo (era engraçado mesmo) e gritando pediam, em nome de Deus, que parassem com aquilo. Sempre funcionava. A briga dos cães era interrompida com baldes de água fria. E cada um seguia seu rumo até o próximo encontro... Sabe-se lá onde seria... Pois um desses “próximos” se deu bem em frente à (já extinta) Cantina Portuguesa (alô Alfredo, aquele abraço!). Pra quem não sabe, fica aqui o registro: Ali existia um ponto de ônibus e táxis, bem no meio da Alfredo Whately (que era de mão dupla, se não estou enganado). Era chamado (não sei porque) Tabuleiro da Baiana. Essa construção de concreto e piso alto começava quase em frente à (hoje) loja Lamartine e se estendia até o Rei dos Salgadinhos. Além de ponto de ônibus e táxis, trabalhavam ali muitos engraxates profissionais, naquelas cadeironas grandes e altas, e onde a gente se sentia rei lá em cima. Também tinha gente vendendo pipoca, algodão doce e amendoim torrado naquelas latas com carvão acesso (mas que lembrança gostosa), além da turma que escrevia o jogo do bicho. Enfim, um lugar muito movimentado. Pois bem... Voltando ao assunto, eles se encontraram nesse ponto. E começou uma briga das boas. Por ali, não existiam senhoras pra gritar com eles e Deus devia ter ido tirar uma soneca. Mas tinham os que trabalhavam no tabuleiro da baiana. Gente muito boa... Taxistas, bicheiros e etc... Em vez de tentar separar, tacaram mais lenha na fogueira. E foi juntando gente. E as varas cantando no ar.  E a criançada gritando e chorando, a cachorrada se pegando legal... E a platéia se deleitava. Riam e corriam pra não levar varada. E foi esquentando cada vez mais... Até que um gaiato (dizem que foi taxista) gritou: “FACA NÃO!!! AÍ É COVARDIA!!!” Gente, os cegos ficaram alucinados. Um pensando que o outro tava armado de faca. Passaram a distribuir varadas a esmo, tentando atingir o outro, acabaram partindo pra cima da platéia que ria a não mais poder, e foi um corre-corre dos diabos. Até que ele se tocaram... Costas com costas. Pararam... Um pergunta em voz baixa: “Ce tá com faca?” O outro responde “Não!!!”. “Então agora é nóis  neles...” E partiram pra cima da platéia, os dois lado a lado como dois samurais enfurecidos. Deram ordens pras crianças pararem e separar os cães e botaram todo mundo pra correr. Depois que tudo se acalmou, sentaram no chão da calçada, lado a lado e um disse pro outro; “Ce vai pra onde?”. Pro Manejo foi a resposta. “Então eu vou pra praça...” Levantaram-se e saíram em direções opostas. Detalhe: O homem do algodão doce deu algodão pra toda a criançada, que com as carinhas lambuzadas de açúcar,  seguiram os pais (?), felizes da vida...
Assim, meus amigos, era Resende. Duvido que nos dias de hoje um deles conseguisse atravessar a rua, né não “Urbanus”? Teriam sido atropelados (eles e as crianças) há muito tempo...



©Fernando Lemos - Outubro/2005

Atualização: "Urbanus" era um dos pseudônimos do saudoso e querido amigo Toninho Capitão.
                    Este texto foi publicado, na época, no jornal "O Ponte Velha".
                    Para ler sobre Gilberto Isoldi, clique AQUI.
                    Breve publicarei uma homenagem feita ao Dr. Elias Atta, "O Médico das Canetas".
                    

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Enchente em Penedo (Itatiaia - RJ) - 10/01/2013


A TV RIO SUL, EMISSORA AFILIADA DA REDE GLOBO DE TELEVISÃO, E A PRÓPRIA TV GLOBO, ESTÃO OMITINDO DE SEUS TELESPECTADORES AS NOTÍCIAS SOBRE A ENCHENTE OCORRIDA NA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE PENEDO, MUNICÍPIO DE ITATIAIA (RJ), CONHECIDA INTERNACIONALMENTE. ESSAS EMISSORAS ESTÃO COMETENDO UM CRIME COM A OMISSÃO DA NOTÍCIA POIS OS TURISTAS CONTINUAM A CHEGAR AO LOCAL DA ENCHENTE, E NADA SABEM SOBRE O OCORRIDO. COMO ESTAMOS EM TEMPORADA DE FÉRIAS E CONTINUA A CHOVER MUITO NA REGIÃO, PERGUNTO: SERÁ QUE ELES TÊM NOÇÃO DE QUE ESTÃO COLOCANDO EM RISCO - DESNECESSARIAMENTE - PESSOAS QUE ESTÃO NA SEGURANÇA DE SEUS LARES?

VEJAM AS FOTOS ABAIXO, OBTIDAS NO DIA 10/01/2013 
(QUINTA-FEIRA) E TIREM SUAS CONCLUSÕES:
















VEJAM ABAIXO O VÍDEO FEITO POR RODRIGO R. MONTEIRO (FBOOK):




Créditos: Fotos recebidas por e-mail de Norival R. Duarte, sem identificação do autor.
                Vídeo de Rodrigo R. Monteiro (https://www.facebook.com/rodrigo.tecelao?ref=ts&fref=ts)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O Museu do Índio, A Confederação dos Tamoyos e a Kari-Oca 92. ACORDA CABRAL!!!




Por Marcos Terena - Via Facebook

"Domingo eu vou ao Maracanã, Torcer pelo time que sou fã....." - assim dizia um velho samba em alusão ao ex-Templo do Futebol ou o Maior Estádio do Mundo....
Durante a Rio-92 organizamos o maior evento mundial sobre meio ambiente, a Kari-Oca. Tudo nasceu ali junto ao Maracanã, na praça das Bandeiras onde sempre, até hoje, tem enchente. Talvez o engenheiro do branco achou que o asfalto seria mais forte que a água de um rio que também se chama Maracanã...
Agora as vésperas da Copa do Mundo, Cabral reaparece (sempre trapalhão - o de ontem e o de hoje), tentando destruir outro templo, o templo da memória, da cultura indígena que antes abrigava o Museu do Índio. Cabral não conhece a força do Índio. Não é uma força física, é uma força que vem com o canto, a dança e o soar das maracás. É a força espiritual....
Foi no Rio de Janeiro, que surgiu o maior movimento indígena de toda a história: a Confederação dos Tamoios, e para apagar essa parte da história do povo carioca, construíram de frente pro mar no Flamengo uma Pirâmide em homenagem ao maior matador dos Tamoios, Estácio de Sá.
Dia 20 de Janeiro é o aniversário do Rio de Janeiro.
Mais do que nunca é preciso juntar as forças do negro, do branco e do Índio. Essa luta representa o espírito do Kari-Oca que canta o morro, a favela, a zona sul sob o olhar do Cristo Redentor.
O prédio do antigo Museu do Índio não é apenas um prédio velho. Ele representa o Memorial do Índio no Rio de Janeiro. Deve ser parte da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016, como símbolo do respeito as primeiras nações e a Mãe Terra.
Nós Indígenas vamos ser partes desses dois eventos no Brasil para ensinar que antes de competir, é preciso celebrar.
...CABRAL, CAI NA REAL: ÍNDIO TAMBÉM É GENTE...PERGUNTE AO SEU PAI!!!


MARCOS TERENA - é fundador do Ministério da Cultura no Brasil - 1985


  • MARCOS TERENA é Guerreiro Xumono, Piloto de Aeronaves, Escritor e Comunicador Indígena. Coordinó la Conferencia Indigena Mundial sobre Desarrollo y Sustentabilidad - RIO+20 - KARI-OCA.2012 Fundador do 1º movimento indigena no Brasil - UNIND - União das Nações Indigenas; Criador da Voz do Indio, programa de rádio em 1985; Comentarista Indígena do Jornal de Vanguarda - TV Band; Coordenador da Cumbre Mundial dos Povos Indigenas - RIO.92; Organizador do Diálogo dos Pajés; Idealizador do Jogos dos Povos Indigenas; Membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz; Membro do Conselho da Fundação Palmares; Membro do Conselho da Fundação Darcy Ribeiro; Professor da Cátedra Indigena Internacional; Membro do Comite Intertribal - ITC; Membro do Conselho da ANDI; Membro do Conselho Editorial do Tierramerica; Membro do Conselho Editorial do Jornal Folha do Meio Ambiente; Membro da Coalizão Internacional Land is Life; Membro de la Iniciativa Indigena por la Paz; Conselheiro Indígena Terena.
  • Mora em Brasília
  • Nasceu em 15 de julho
  • Fala Língua terena, Língua inglesa e Língua Espanhola

    Colaboração Especial: Sonia Maria Pereira Pozzato.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal - Bom Ano Novo


DESEJO A TODOS OS AMIGOS E AMIGAS, VIRTUAIS OU NÃO, UM NATAL CHEIO DE PAZ E UM ANO NOVO REPLETO DE SAÚDE E REALIZAÇÕES. 

Fernando Lemos -   Dez/2012


Cartão de Natal do ano de 1925




segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Turista morre em trilha no Parque Nacional do Itatiaia




A montanha não é um parque de diversões

Era para ser um final de semana cotidiano pelas montanhas da Mantiqueira, mas uma fatalidade aconteceu no Parque Nacional de Itatiaia no final de semana do dia 24/11/2012. Um turista faleceu de enfarte na trilha para o Pico das Agulhas Negras, a quinta montanha mais alta do Brasil.

O resgate só ocorreu na manhã do domingo (25/11/2012)
Estávamos escalando no Morro do Couto durante a tarde, no final do dia quando íamos até o camping do parque, que fica ao lado do Abrigo Rebouças começos a entender o que estava acontecendo. Ainda na trilha encontramos pessoas preocupadas indo até a portaria (Posto Marcão), em busca de socorro. De inicio pensamos que era um caso simples, com uma pessoa passando mal na montanha, mas encontramos uma outra pessoa que disse que um rapaz teve um enfarte e provavelmente naquele momento já não estava mais vivo.

Chegamos no Abrigo Rebouças e recebemos a notícia que ele já havia falecido. Foi uma noite tensa, a vítima estava em um grupo grande, e iriam passar a noite no abrigo, muitas pessoas ficaram abaladas com a situação. Apenas por volta das 23 horas o resgate chegou, e ficou por lá bastante tempo, estávamos no camping e fomos dormir.

Na manhã seguinte acordamos com as sirenes do carro da Defesa Civil, que veio buscar o corpo que tinha passado a noite no Abrigo Rebouças. O turista que faleceu era da cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, tinha por volta de 45 anos de idade, estava acompanhado por sua esposa e outras pessoas do grupo que veio passar o final de semana no Parque Nacional de Itatiaia.
Segundo relato de alguns turistas que estavam no grupo, e também do guia, o grupo saiu no início da tarde de sábado para atingir o cume do Pico das Agulhas Negras, o grupo tinha cerca de 15 pessoas do Rio de Janeiro e São Paulo, no início da trilha tudo corria normal, depois de algum tempo, a vítima que estava com sua esposa começou a ficar para traz, dizendo que estava apenas um pouco cansado.
Pelo relato do guia do grupo, no inicio da parte mais difícil da subida, na parte das rochas, onde é necessário uma “escalaminhada” a vítima foi ficando para traz e disse que não iria mais subir a montanha e iria esperar, um guia ficou com ele e sua esposa, mas o rapaz começou a falar que estava se sentindo mal, um mal estar no corpo e foi ficando pálido.

Depois disso a situação ficou mais tensa, não temos certeza do que aconteceu, mas tudo foi piorando, enquanto algumas pessoas voltavam em busca de resgate outros já estavam fazendo massagem cardíaca para tentar reavivar a vítima, mas tudo sem sucesso, o óbito aconteceu por volta das 19h de sábado, provavelmente por enfarte, sendo que a vítima tinha histórico de problemas cardíacos e tomava muitos medicamentos.

Outro grande problema era voltar com o corpo para o abrigo, com o início da noite e um tempo chuvoso, não existia uma maca para resgate dentro do Parque Nacional de Itatiaia. Um grupo de militares estava escalando as Agulhas Negras com equipamentos e ajudaram bastante nesse resgate, conseguindo improvisar uma maca e trazer o corpo até o abrigo durante a noite.

Apenas manhã de domingo a Defesa Civil do Rio de Janeiro chegou até o Abrigo Rebouças para buscar o corpo e levar para o IML.

O clima nesse final de semana foi tenso, muitas pessoas abaladas com essa situação que sempre imaginamos que não vai acontecer com a gente, todos ajudando da forma que podiam. Resta tirar um pouco de aprendizado por ter vivenciado de perto essa situação, a montanha não é um parque de diversões seguro, exige muito respeito, o preço de não ter um preparo, de achar que é fácil e simples pode custar uma vida.

Vemos também um pouco de despreparo e negligencia de muitas partes envolvidas, desde a vítima que segundo as informações tinha problemas cardíacos, tomava muitos medicamentos e não tinha uma vida totalmente ativa em atividades outdoor, a agência ou o guia que deveriam fazer um questionário prévio para saber o histórico do cliente, a falta de pessoas capacitadas e aptas para atuar em uma situação de emergência, a administração do Parque Nacional de Itatiaia que não tem nenhuma estrutura básica para uma situação de emergência, não tinham nenhuma maca para trazer o corpo da trilha até o abrigo.

O texto não tem muita ligação com o objetivo do blog, mas queria expor essa situação por ter vivenciado tudo de perto e mostrar que o ambiente em montanha não é uma simples brincadeira, a montanha cobra, exige respeito!
Fonte: Editado do blog Diário do Himalaia
Nossa opinião:
É muito triste esse acontecimento. Mas, cabe sim responsabilidades. Falo com experiência de quem frequenta o PNI (e outras montanhas) desde os anos 60. É necessário sim, um mínimo de conhecimento do guia sobre aqueles que participarão da empreitada. O Parque Nacional do Itatiaia, vergonhosamente, não possui estrutura básica para emergências, e nem para o conforto dos montanhistas -apesar de cobrar ingresso dos visitantes. Apesar da estrada, a partir da portaria (Posto Marcão) estar em precárias condições, nada justifica a demora no socorro ao turista (passou mal às 15:00h e o resgate só chegou às 23:00h), pois de Resende ao Rebouças, duas horas em ambulância são mais que suficientes para o atendimento. O que houve, na realidade, foi a falta de comunicação entre o Posto Marcão e o Hospital em Resende ou Itatiaia para o atendimento.
Quando estive em Machupicchu, um rapaz se acidentou no alto do Waynapicchu, e foi socorrido imediatamente. Quem conhece sabe das dificuldade de acesso neste local (foto). Infelizmente, nossos Parques (salvo raríssimas exceções), sejam estaduais ou nacionais, não oferecem nenhuma estrutura ao turistas, principalmente o de Itatiaia, onde nem na parte baixa existe uma cantina para se tomar um simples cafezinho ou degustar um chocolate quente. E ainda criaram na região o Parque Estadual da Pedra Selada. Vergonhoso.
Resgate em Machupicchu - No Perú a infraestrutura é de primeiro mundo


sábado, 20 de outubro de 2012

CENTENÁRIO DO BONDINHO DO PÃO DE AÇÚCAR - 1912 / 2012


27 de Outubro de 1912 - Inauguração da linha do bondinho do morro Pão de Açúcar na cidade do Rio de Janeiro - Brasil. Abaixo, apresentação de fotos históricas da construção deste que seria o terceiro teleférico e entrar em operação no mundo, e o maior em extensão na época.

Clique na imagem para ampliar  




Fonte: Por e-mail de A.Santana

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O PT na hora do lobo



A Hora do Lobo é um filme de Ingmar Bergman. Os antigos a chamavam assim porque é a hora em que a maioria das pessoas morre… e a maioria nasce. Nessa hora os pesadelos nos invadem, como o fizeram com o personagem Johan Borg, interpretado por Max von Sydow.


Fernando Gabeira - terça-feira, 02 de outubro de 2012 | 17:50

Como projeto destinado a mudar a cultura política do País, o PT fracassou no início de 2003. Para mim, que desejava uma trajetória renovadora, o PT sobrevive como um fósforo frio. Entretanto, na realidade, é uma força indiscutível. Detém o poder central, ocupou a máquina do Estado, criou um razoável aparato de propaganda e parece que o dinheiro chove em sua horta com a regularidade das chuvas vespertinas na Floresta Amazônica.
Mas o PT está diante de um novo momento que poderia levá-lo a uma crise existencial, como o personagem de Bergman, atormentado pelos pesadelos. Pode também empurrá-lo mais ainda para o pragmatismo que cavou o abismo entre as propostas do passado e a realidade do presente.
O PT sempre usou duas táticas combinadas para enfrentar as denúncias de corrupção. A primeira é enfatizar seu objetivo: uma política social que distribui renda e reduz as grandes desigualdades nacionais. Diante dessa equação que enfatiza os fins e relativiza os meios, alguns quadros chegam a desprezar as críticas, atribuindo-as às obsessões da classe média, etiquetando-as como um comportamento da velha UDN, partido marcado pela oposição a Getúlio Vargas e pela proximidade com o golpe que derrubou João Goulart.
A segunda é criar uma versão corrigida para os fatos negativos, certo de que a opinião pública ficará perdida na guerra de versões. Esta tática é a que enfatiza o desprezo da política moderna pelas evidências, como se o confronto fosse uma guerra em que a verdade é vitimada por ambos os lados.
Acontece que essa fuga das evidências encontra seu teste máximo no julgamento do mensalão. O ministro Joaquim Barbosa apresenta as acusações com grande riqueza de detalhes. As teses corrigidas foram sendo atropeladas pelos fatos. Não era dinheiro público?
Ficou claro que sim, era dinheiro público circulando no mensalão. Ninguém comprou ninguém, eram apenas empréstimos entre aliados. Teses que se tornam risíveis diante da origem e do volume do dinheiro. O PT salvando o PP de José Janene, Pedro Correa e Pedro Henry da fúria dos credores?
O relatório de Joaquim Barbosa apresenta o mensalão como uma evidência reconhecida pela maioria do Supremo, dos órgãos de comunicação e dos brasileiros. Como ficará a tática do PT diante dessa realidade? Negar a evidência? É um tipo de reação que, mesmo em tempo de prosperidade econômica, não funciona quando os fatos são inequívocos.
Ao longo de minhas viagens observei que o mensalão não havia afetado as eleições municipais. Mas o processo está em curso. Algumas cidades já estão afetadas, como São Paulo e Curitiba. Nesta ocorre algo bastante irônico: o candidato Gustavo Fruet (PDT) é acusado de ter o apoio do PT e por isso perde votos. Fruet foi um dos deputados que investigaram o mensalão na CPI dos Correios.
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E A REAÇÃO?
A reação do PT diante da possível condenação de seus líderes vai ser decisiva. Encontrará forças para reconhecer seu erro, aceitar o julgamento do STF e iniciar um processo de autocrítica? Tudo indica que não. A teoria conspiratória domina suas declarações. O mensalão foi uma invenção da mídia golpista, dizem alguns. Na nota dos partidos aliados, que deviam ser chamados de partidos submissos, acusa-se uma manobra da oposição, como se tudo isso tivesse sido construído por ela, que descansa em berço esplêndido.
Numa entrevista raivosa, um dos réus, Paulo Rocha (PT-PA), alega que as denúncias do mensalão ocorrem porque Lula abriu o mercado brasileiro aos países árabes. A tese conspiratória é tão clássica que os judeus não poderiam ser esquecidos.
O ex-presidente Lula parece viver realmente a hora do lobo. Percorre o Brasil atacando adversários e diz que, tal como venceu o câncer, vai derrotar os candidatos de oposição. Se o ressentimento e o rancor brotam com tanta facilidade dos lábios do líder máximo, o que esperar do exército virtual de combatentes pagos para atirar pedras?
Este é um momento crítico na história do PT. Deve contestar estas evidências com a mesma eloquência com que contestou outras. Mas as de agora são transmitidas ao vivo, foram submetidas ao exame de ministros do Supremo, estão coalhadas de fatos, depoimentos, provas.
Ao contestar as evidências o PT não inventa um caminho. Paulo Maluf foi acusado durante anos de desviar dinheiro para o exterior e sempre negou. A condenação e a eventual prisão de líderes não afastam o PT do poder, mas transformam o encontro nos jardins da casa de Maluf em algo mais que uma simples oportunidade fotográfica. O PT não só verteu milhões para os caixas do partido Maluf, como aceitará a tática malufista de negar as evidências, mesmo quando são esmagadoras.
Em defesa de Maluf pode-se dizer que ele nunca prometeu a renovação ética da política brasileira. Usa apenas um mesmo e fiel assessor de imprensa para rebater críticas nos espaços de cartas de leitores. Descendente de árabes, Maluf jamais, ao que me consta, culpou uma conspiração sionista por sua desgraça. Sempre foi o Maluf apenas, sem maiores mistificações.
Montado numa máquina publicitária, apoiado por uma miríade de intelectuais, orientado por competentes marqueteiros, o PT viverá em escala partidária a aventura individual de Maluf: negar as evidências. Até o momento nada indica que assumirá a realidade. Seu caminho deve ser negar, negar, como o marido infiel nas peças de Nelson Rodrigues – por sinal, o inventor da expressão “óbvio ululante”.
O mensalão não é um cadáver no armário, invenção de opositores ou da imprensa. Nasceu, cresceu e implodiu nas entranhas do governo. É difícil sentar-se em cima dos fatos. Ele são como uma baioneta: espetam.

Fonte: Tribuna da Imprensa.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

VOTAR - Raquel de Queiroz



Há 65 anos, Raquel de Queiroz escreveu sobre a Magnitude do Voto. 
O texto é mais que atual. Poderia ter sido escrito hoje.
Vale reler. E meditar...





Raquel de Queiroz(*) -  Revista "O Cruzeiro" 11/janeiro/1947:


"Não sei se vocês têm meditado como devem, no funcionamento do complexo maquinismo político que se chama govêrno democrático, ou govêrno do povo. Em política a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato.
No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: govêrno do povo. Porque, numa democracia, o ato de votar representa o ato de FAZER O GOVÊRNO.
Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar por determinado prazo de tempo.
Escolhem-se pelo voto aquêles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas – e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia.
Escolhemos igualmente pelo voto aquêles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aquêles que irão estipular a quantidade dêsses impostos. Vejam como é grave a escolha dêsses “cobradores”. Uma vez lá em cima podem nos arrastar à penúria, nos chupar a última gôta de sangue do corpo, nos arrancar o último vintém do bôlso.
E, por falar em dinheiro, pelo voto escolhem-se não só aquêles que vão receber, guardar e gerir a fazenda pública, mas também se escolhem aquêles que vão “fabricar” o dinheiro. Esta é uma das missões mais delicadas que os votantes confiam aos seus escolhidos.
Pois, se a função emissora cai em mãos desonestas, é o mesmo que ficar o país entregue a uma quadrilha de falsários. Êles desandam a emitir sem conta nem limite, o dinheiro se multiplica tanto que vira papel sujo, e o que ontem valia mil, hoje não vale mais zero.
Não preciso explicar muito êste capítulo, já que nós ainda nadamos em plena inflação e sabemos à custa da nossa fome o que é ter moedeiros falsos no poder.
Escolhem-se nas eleições aquêles que têm direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático. E, circunstância mais grave e digna de todo o interêsse: dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de tôdas as fôrças armadas: o exército, a marinha, a aviação, as polícias.
E assim, amigos, quando vocês forem levianamente levar um voto para o Sr. Fulaninho que lhes fêz um favor, ou para o Sr. Sicrano que tem tanta vontade de ser governador, coitadinho, ou para Beltrano que é tão amável, parou o automóvel, lhes deu uma carona e depois solicitou o seu sufrágio – lembrem-se de que não vão proporcionar a êsses sujeitos um simples emprêgo bem remunerado.
Vão lhes entregar um poder enorme e temeroso, vão fazê-los reis; vão lhes dar soldados para êles comandarem – e soldados são homens cuja principal virtude é a cega obediência às ordens dos chefes que lhe dá o povo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos, passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se nós próprios fôssem.
Entregamos a êsses homens tanques, metralhadoras, canhões, granadas, aviões, submarinos, navios de guerra – e a flor da nossa mocidade, a êles prêsa por um juramento de fidelidade. E tudo isso pode se virar contra nós e nos destruir, como o monstro Frankenstein se virou contra o seu amo e criador.
Votem, irmãos, votem. Mas pensem bem antes. Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva.
Porque, afinal, a mulher quando é ruim, dá-se uma surra, devolve-se ao pai, pede-se desquite. E o govêrno, quando é ruim, êle é que nos dá a surra, êle é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da bôca dos nossos filhos e nos faz aprodecer na cadeia. E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo.
E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar êste ou aquêle candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto.
Se o obrigam a prometer, prometa. Se tem mêdo de dizer não, diga sim. O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha. Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem mêdo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. Falte com a palavra dada à fôrça, e escute apenas a sua consciência. Palavras o vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno”.

(*)Rachel de Queiroz - (Fortaleza, 17 de novembro de 1910 — Rio de Janeiro, 4 de novembro de 2003) foi uma tradutora, romancista, escritora, jornalista, cronista prolífica e importante dramaturga brasileira. Autora de destaque na ficção social nordestina. Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Em 1993, foi a primeira mulher galardoada com o Prêmio Camões, equivalente ao Nobel, na língua portuguesa. Ingressou na Academia Cearense de Letras no dia 15 de agosto de 1994, por ocasião do centenário da instituição.

Recebido por e-mail do amigo L.T. 



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