***RUI BARBOSA***

***RUI BARBOSA***
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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sábado, 9 de maio de 2009

TRÂNSITO - AUDIÊNCIA PÚBLICA DA CÂMARA MUNICIPAL DE RESENDE DISCUTE PROJETO "URBANO HUMANO".

O Secretário de Gestão Estratégica e Planejamento Ton Kneip apresenta o projeto "Urbano Humano". Foto: Fernando Lemos

Em audiência pública promovida pela Câmara de Vereadores de Resende, e realizada no plenário da mesma, o Secretário de Planejamento Ton Kneip apresentou nesta sexta-feira (08/05/09), o novo plano urbanístico e de trânsito para Campos Elíseos e parte do centro da cidade (Rodoviária e adjacências). Presentes; a maioria dos Vereadores da Casa, o Prefeito José Rechuan Júnior, Secretários de Governo, Jornalistas e Cidadãos. O Presidente, vereador Luiz Fernando O. Pedra cedeu ao colega Joaquim Romério a direção dos trabalhos, que solicitou ao autor que iniciasse a apresentação do projeto; adiantando que perguntas poderiam ser feitas ao Sr. Kneip somente após a explanação da matéria. Foi então exibido um áudio-visual (de excelente qualidade) de todo o projeto com o Secretário explicando os detalhes do mesmo.

População compareceu em bom número. Foto: Fernando Lemos

A seguir, o próprio Romério iniciou a sessão de perguntas passando em sequência a palavra aos colegas da Casa (Tivo, Célio Caloca, Carlos Santa Rita, Pedro Paulo Florenzano, Dr. Julianelli) que elogiaram o projeto e solicitaram ao arquiteto maiores informações sobre cruzamentos, vias expressas, entradas para bairros, estacionamento, e também dos recursos financeiros para a execução do ousado intento. O autor respondeu às perguntas com tranqüilidade e bom humor, deixando claro que tinha consciência que o projeto não vai resolver a questão do trânsito na cidade, mas que, com a criação de vias expressas, colocação de sinalização e semáforos em pontos estratégicos acredita na melhoria da fluidez dos veículos e na maior segurança para os ciclistas e pedestres, além do visual moderno que a cidade vai passar a apresentar, podendo se tornar mais uma referência turística a exemplo do que ocorre em outras localidades. Citando o exemplo de Curitiba, que assim como Resende também não foi uma cidade planejada, mas era uma vila que cresceu desordenadamente, o Secretário deixou clara sua inspiração no também arquiteto e urbanista Jaime Lerner, que modificou aquela cidade paranaense e a tornou referência internacional quando se fala em trânsito.

Secretário Municipal de Gestão Estratégica e Planejamento arquiteto Ton Kneip (Foto: Fernando Lemos)

Foi então dada a palavra aos cidadãos que fizeram perguntas mais específicas, como a entrada para o hospital do Samer para os que vem da Rodovia Presidente Dutra, tendo sido explicado que já se estuda a possibilidade de uma alternativa via acesso leste (Bairro Monet). O Sr. Roque Cerqueira, ex-diretor do Detran em Resende, lembrou que em 1981 quando assumiu o órgão, tinha Resende cerca de onze mil carros circulando, e hoje temos mais de quarenta mil, e nada foi feito nesse período para acompanhar esse crescimento de veículos na cidade, e não poupou elogios ao autor do projeto pela coragem e competência com que elaborou o mesmo, lembrando que já havia trabalhado com o mesmo na remodelação da Casa em que estávamos e que todos podiam ver, ali mesmo, apesar dos que não aceitavam a revitalização, o resultado da obra. O representante do CREA em Resende (cujo nome falhei em anotar, pelo que peço desculpas) também fez uso da palavra para elogiar o Secretário de Planejamento, dizendo que havia mostrado aos colegas do Conselho e mais de 80% deles o tinham aprovado, principalmente pelo fato do autor não ter usado o recurso de novas pontes, viadutos e passarelas, que consumiriam vultuosos recursos financeiros e poderiam inviabilizar a obra. Destacou ainda a “invasão” das calçadas da rua Alfredo Whately, que a tornam proibidas aos pedestres por causa das mesas e cadeiras que os bares ocupam no passeio público. Também fiz uso da palavra para saber sobre a questão das árvores que poderiam ser afetadas ou mesmo cortadas para a implantação do projeto, dando ênfase especial ao pinheiro em frente ao Supermercado Royal (Campos Elíseos) e uma figueira que fica logo na entrada da cidade, próxima a Filtroil. Foi-me garantido que essas duas não seriam mexidas, mas que em frente a Igreja Batista, na Av. Nova Resende, não teria como evitar. Também perguntei sobre o enterramento dos fios nas ruas que o projeto contempla, pois os novos postes e pórticos projetados não fariam sentido com essas linhas de transmissão à vista. A resposta veio de forma subjetiva, informando que isso era uma outra etapa e que as coisas iriam fluir no seu devido tempo. Apesar disso, elogiei o empreendimento e ressaltei mais uma vez que com os “varais”, como bem definiu o autor do plano, o intento ficaria prejudicado, deixando claro também minha posição quanto à questão ecológica.

Sentados, da direita para a esquerda: Prefeito Rechuan e Vereadores: Santa Rita, Pedra e Florenzano. (Foto: Fernando Lemos)

O ex-secretário do governo passado Sr. Ruy Saldanha também se manifestou favorável ao autor e elogiou o projeto, mas fez alguns alertas ao colega quanto ao alargamento das pontes, cujos suportes de aço seriam fixados nos pilares das mesmas, pois o projeto inicial delas talvez não permita que se os utilizem para tal finalidade, oferecendo inclusive os cálculos estruturais que ele conseguiu da ponte Tácito Viana Rodrigues. Também aproveitou para lembrar ao Sr. Kneip quanto aos riscos de ser processado por motivos mesquinhos de “ongueiros”, que não passam de “macaquinhos” das Ong’s estrangeiras, que fazem e desfazem em seus países de origem, mas aqui impõem condições absurdas quando se trata do meio ambiente e tudo fazem para impedir obras do tipo proposto, já que ele sofreu um processo no Ministério Público quando da revitalização da Avenida Rita Ferreira da Rocha (Beira Rio). O autor agradeceu os elogios e aos alertas e encerrou a apresentação, seguido pelo Vereador Romério, que agradeceu a presença de todos e encerrou a audiência pública.

* Um esclarecimento pessoal: Não faço parte de nenhuma Ong e nem copio maniqueísmo de ambientalistas locais, nacionais ou estrangeiros. Jamais processei alguém por questões ecológicas. Sou defensor do meio ambiente por convicção e às minhas expensas, pois acho que tudo e todos fazem parte da cadeia da vida. Respeito a natureza e tudo que nela há, inclusive as pessoas. E sempre que necessário, denunciarei nas mídias disponíveis aqueles que cometerem vandalismo contra a Mãe Natureza.

Feliz Dia das Mães à todos.

©Fernando Lemos – 10/05/2009


O PROJETO:

As fotos e legendas do Projeto "Urbano Humano" abaixo são de autoria de Otacílio Rodrigues, do blog Resende Afora e foram retiradas do Blog do Norrival

Em primeiro plano, a nova ponte Miguel Couto Filho
Av. Mal. Castello Branco e a rua Gulhot Rodrigues, que terá mão invertida
Av. Mal. Castello Branco e os ícones que darão identidade visual ao projeto

Pórtico de entrada da rua Gulhot Rodrigues, com trânsito em direção ao rio

Rua Gulhot Rodrigues cruzando o Calçadão no sentido rio

O novo Calçadão ocupará toda a av. Albino de Almeida

Tendas em meio às árvores para proteger os pedestres do sol e da chuva

Visão geral do novo Calçadão

Do alto da Ponte Velha, a vista do início do Calçadão

Av. Mal. Castello Branco e os novos postes de iluminação

Vista aérea do Calçadão, que se estenderá pela travessa do 'Cosa Nostra'

Um novo deck sobre o rio, de frente à rua Gulhot Rodrigues

Visão lateral do deck a partir da av. Nova Resende, que terá mão invertida

Vista aérea da ponte Miguel Couto Filho, que terá as laterais ampliadas

Anfiteatro que será construído de frente à Igreja Batista

Novas passagens laterais da ponte Miguel Couto Filho, suspensas por cabos de aço

Vista da ponte Miguel Couto Filho, a partir da av. Presidente Kennedy

Nova ponte sobre o rio Sesmaria, na av. Presidente Kennedy

Nova passarela de pedestres sobre a Praça da Concórdia até a Ponte Velha

A nova rodoviária 'velha', que passará a ser um ponto de ônibus

Em primeiro plano, a ponte Tácito Viana Rodrigues e a passarela até a Ponte Velha

Setas indicam os novos sentidos do trânsito nas ruas integrantes do projeto
O novo itinerário das linhas de ônibus


quarta-feira, 6 de maio de 2009

TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA - Finalmente ACABOU!!!

Foto: Fernando Lemos

Você já recebeu sua conta de luz deste mês? Acabei de receber a minha e fiquei surpreso, quase não acreditando! Não consta mais a famigerada cobrança da "Contribuição de Iluminação Pública - Prefeitura". Finalmente a Prefeitura de Resende deixou de cobrar essa taxa dos consumidores de energia elétrica. E mais ainda: Acredite se quiser. Houve uma redução de 1,23% na tarifa, conforme consta (em letrinhas miúdas) no corpo da conta. Essa redução é o cumprimento da Resolução nº 782 de 10/03/2009 da ANEEL. Com essa medida, os valores cobrados a partir de 15/03/2009 ficam próximos aos praticados em 2005. Ótimo, né não?
Consta na conta também que o número de telefone da ANEEL mudou para 167 (Ligação gratuita de telefone fixo e tarifados na origem para celulares).

Finalmente, boas novas para nós, consumidores. Redução de despesas e custos são sempre bem-vindas. Parabéns Prefeito Rechuan, que abre mão de uma pequena receita, mas ganha muito do nosso respeito por cumprir mais essa promessa de campanha.

terça-feira, 5 de maio de 2009

RESENDENSE MARIA ELISA ANTONELLI VENCE ETAPA DO MUNDIAL EM SHANGAI (CHINA)


Resendense Maria Elisa Antonelli exibe o Troféu de Melhor Jogadora do Torneio da China.

A dupla brasileira Maria Elisa Antonelli/Talita Antunes, venceu na madrugada deste sábado (02/05/2009), a etapa chinesa do Campeonato Mundial de Volley de Praia. Elas disputaram 6 partidas e venceram todas. As campeãs invictas jogaram 15 sets perdendo apenas 3. A dupla já é considerada a sensação da temporada 2009, pois venceu duas das quatro primeiras etapas do Circuito Banco do Brasil de Volley de Praia (Campeonato Brasileiro), ficando com o vice na terceira etapa. No circuito mundial, na primeira etapa em Brasília, não foram muito bem e ficaram apenas entre as treze melhores classificadas. Mas a dupla não desanimou e partiu com tudo na etapa chinesa, despachando na final as favoritas que jogavam "em casa", chinesas Wang-Zuo (Prata nas Olimpíadas 2008) com facilidade por 2 sets a zero (parciais de 21/17 e 21/13) em partida que durou apenas 37 minutos, além de derrotarem por duas vezes no mesmo torneio as também favoritas e badaladíssimas irmãs Maria Clara e Carol, filhas da lendária Isabel. E para fechar com chave de ouro, nossa Maria Elisa foi escolhida a melhor jogadora do torneio, ganhando troféu e prêmios individuais. Agora é torcer pelas meninas no torneio do Japão, que será realizado em Osaka de 19 a 24 de Maio de 2009. No Slide Show, veja o título da foto apenas apontando na mesma. Para ver ampliada, basta apontar e clicar.

Fonte:http://www.fivb.org/EN/BeachVolleyball/Competitions/WorldTour/2009/beach_page.asp?pg=MDRE&TRN=WSHA2009&sm=12


Um, Dois, ou Três


O presidente do Senado, José Sarney, e o presidente da República, Lula, participam de assinatura de Pacto Republicano, em Brasília. Foto:Antonio Cruz/Agência Brasil


Cláudio Lembo
De São Paulo (SP) - 04 de Maio de 2009


Entre todas as pessoas, há um sentimento predominante. Poucas são as exceções. Nada relevantes. Mesmo estas preservam convicção dominante, apesar das aparências em contrário.

A imensa maioria acredita - tem convicção absoluta: o presidente Lula não será candidato à reeleição. Ou seja, não buscará o terceiro mandato. Ao término do presente, se retirará do Palácio do Planalto.

Pode ser. Nas entrelinhas, porém, o bom leitor encontrará traços de uma permanência de Lula na presidência da República. Claro que na hipótese de uma alteração da Constituição.

Esta mudança na Carta maior é viável. Existe proposta de emenda na Câmara Federal. Seria necessário criar-se um sentimento de oportunidade do terceiro mandato junto à opinião pública.

É processo difícil, mas para bom marqueteiro nada é impossível. É dar a idéia e ir buscar os resultados. Tantos são os casos de sucesso que duvidar não é bom.

O tema - terceiro mandato - surge aqui e ali nas entrelinhas dos jornais. O presidente do Senado, José Sarney, concede entrevista à revista "Isto É". Aponta o resultado do descrédito do Congresso.

O descrédito conduzirá à adoção da democracia direta, aquele em que a cidadania resolve os assuntos de seu interesse sem intermediários, os deputados e senadores.

Ora, por meio de um plebiscito, previsto na democracia direta, a sociedade pode ser consultada sobre a concessão de um terceiro mandato ao presidente Lula. O resultado é de fácil previsão.

O primeiro elemento, portanto, foi considerado pelo presidente do Senado. Não é só, todavia. Argüido a respeito da candidatura da ministra Dilma Roussef, mostrou dúvidas, o próprio Lula mostrou dúvidas.

Dilma é sua candidata, mas terá que ser aprovada pelas convenções de seu partido, o PT, e das demais agremiações integrantes da chamada base aliada. Um traço de dúvida. Convenção partidária é caixa de surpresas.

A todos estes elementos de natureza política acresce-se mais um: a enfermidade que acometeu à ministra Dilma. Todas as pessoas fazem uma corrente de esperança em sua plena recuperação.

Com sua coragem ao informar sobre o mal que a acometeu, Dilma cresceu em sua trajetória pública. Tornou-se conhecida e respeitada pela transparência que deu à doença.

É muito. Mas, os caminhos da vida são tortuosos. Muitas vezes insidiosos. Quase sempre imprevisíveis. Estas variáveis podem desembocar em um desejo de manutenção do aparentemente certo.

Aí se estará na presença de Lula. Acresça-se a tudo isto o desejo dos quadros petistas em se manterem no Poder. Já se imaginou a desocupação de todos os cargos de confiança hoje detidos pelo PT?

Seria o maior êxodo de nossa História. Brasília se tornaria uma cidade fantasma. Vazia. O seu movimento cairia assustadoramente. Aqui mais um ponto para ponderação.

Os petistas estão prontos a correr os riscos inerentes a todas as eleições, onde existem vencedores e vencidos. Não podem se imaginar vencidos, após muitos anos no exercício do Poder. Seria intolerável.

A soma de todos estes elementos pode, em determinado momento, conduzir a uma grande cruzada pela a reeleição de Lula. A ocorrência de terceiro mandato tem se mostrado corriqueira na América Setentrional.

Os partidos hoje de oposição afiguram-se despreocupados. Esperam o pleito com um sorriso. Já erguem a faixa presidencial. Não contam com os riscos do processo político, sempre mutável.

Acreditam os partidos de oposição na permanência das regras ora existentes. Na segurança do Direito, portanto. Esquecem, contudo, que, quando no governo, inseriram na Constituição a possibilidade de reeleição.

Romperam - os partidos de oposição - uma tradição republicana consolidada. Os constituintes de 1891 alertaram para o risco da implantação do instituto da reeleição no cenário nacional.

Lembraram os constituintes republicanos os costumes políticos existentes nas múltiplas regiões do país. As práticas locais levam ao mandonismo e a formação de grupos incrustados nos poderes.

No processo atual, resta ao cidadão acompanhar o desenvolvimento dos fatos e exigir compostura de seus representantes. Eles devem responder pela preservação dos valores republicanos tradicionais.




Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.

Fonte: Terra Magazine (www.terra.com.br)

Carta do Chefe Seattle ao Presidente dos EUA (Sec.XIX)

Foto:E.M. Sammis-1864

Uma lição de ecologia de um povo que, desde tempos imemoriais, respeita os homens e a terra com tudo que nela há, pois sabe que somos todos de uma só origem. Um documento eterno.


Carta de resposta do Chefe Seattle ao Presidente dos EUA por ocasião da proposta de compra das terras indígenas onde viviam os Pele-Vermelha


"O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. Há uma ligação em tudo".

"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa-idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho-da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.

O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.

Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.

E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir.

Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer a terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está a floresta? Desapareceu.

Onde está a águia? Desapareceu.

É o final da vida e o início da sobrevivência".

O Baile (ou...fragmentos de uma vida)

Uma história real...

Não me lembro exatamente a data, nem o porque, nem como. Mas me parece o pedaço cortado de um grande filme que foi se deteriorando com o tempo. E ficou só esse fragmento em bom estado. E ficou pra sempre! O resto do rolo perdeu-se...
Sei que foi à noite, no grande salão de festas do então Grupo Escolar "Olavo Bilac" no final dos anos 50. Eu vestia terno preto, meias branca, gravata borboleta e reluzentes sapatos de verniz preto. A ponta de um lençinho branco se destacava no bolso de cima do paletó. Devia estar com uns nove ou dez anos. Ela estava linda (como sempre foi) com um vestido de baile também comprado especialmente para a ocasião. A delicada luvinha rendada que usava, era fina o suficiente a não me impedir de sentir as vibrações de sua mão na minha. Regulávamos na idade. Seus olhinhos caramelados brilhavam como nunca. O salão, todo decorado e muito bem iluminado, transmitia a atmosfera de uma grande festa! As mesas arrumadas com toalhas brancas, arranjos florais, taças e copos cintilantes rodeavam a pista de dança. Enorme pista de dança. Do lado de fora, braços dados e em fila, aguardávamos o sinal para entrar. Éramos o "casal" principal e entraríamos puxando os outros participantes. Também não sei porque éramos "o par da noite". Ao sinal, fomos adentrando no recinto, lotado, que nos recebeu de pé e com aplausos exageradamente longos. Todos vestidos em traje de gala. Aquilo devia ter sido ensaiado, mas... não me lembro disso. Os outros pares, rodearam também o salão e nós dois ficamos sós. Bem no meio da pista. Olhávamos firmes nos olhos um do outro, com leves desvios para o chão. Senti o sapato novo me mordendo os pés, e um frio na barriga quando a orquestra começou a valsa. E bailamos. Por um bom tempo, bailamos sozinhos. Nessa hora, o chão era o foco de nossos olhos. Era o medo de errar o passo, de pisar no pé do outro. De dar "vexame". Então, na segunda valsa e aos poucos, os outros pares foram nos fazendo companhia. Aos poucos, nos misturamos aos outros, formando um só grupo de dança e desaparecendo no meio de todos. Novamente nossos olhos se cruzaram. Ficaram por instantes fixos. Depois, fomos nos explorando facialmente. Não sei o que ela viu, mas eu me recordo como se fosse agora, o que vi. Um sorriso encantadoramente suave. Os cabelos encaracolados, porém cuidadosamente arrumados e com fitas que lhes caiam por sobre os ombros, combinando com o vestido finamente rendado. Sua face ruborizada irradiava uma alegria contagiante e isso me deixou menos nervoso e apreensivo. Naquele breve momento, o mundo sumiu; acabou. Éramos só os dois a valsar, e valsar e valsar.
De repente... Pára a música! Voltamos à realidade. Um mundo de gente nos cercava e aplaudia. Nos separando; fizemos o mesmo. Aplaudimo-nos e aos outros junto com o resto.
Quem "cerimoniava" a festa era o Aloísio "Simplício" Braz. E eis que, para nossa surpresa, ele nos chama ao palco (isso não foi ensaiado, com certeza!). Nos entreolhamos, demos as mãos e sob alguns tímidos aplausos, subimos pela entrada que tinha à esquerda. Passamos pela orquestra e ficamos frente a frente com aquele sujeito todo vestido de branco, com um baita microfone na mão. Ele se dobra todo e pergunta pra ela, de sopetão: "Você é filha de quem?"... "Meu pai é o "seu" Ruy de Almeida Braga..." Aplausos comedidos. "Seu" Ruy se levanta na mesa. Muitos aplausos! Vira-se pra mim, que já suava por onde vocês nem imaginam, e faz a mesma pergunta. Pensativo; olho para o microfone como se fosse uma arma pronta para o disparo e respondo com firmeza: "Sou filho do meu pai, oras!". A platéia vem abaixo em risadas. Ele insiste: "Mas quem é seu pai, minino?!"...Silêncio total... "Meu pai... (aponto pra mesa dele) é aquele lá ó... O "seu" Lemos!". Ele se levanta meio sem graça... Risos e aplausos vem do salão lotado como uma onda de calor por sobre mim. Atônito, perdido, envergonhado, querendo fugir... Sinto uma mão rendada segurar forte a minha e uma voz suave ao ouvido dizer "Muito bem... Você alegrou a festa!!!". E sorrindo, me deu um beijo no rosto. E de mais não me lembro... O filme foi cortado aí. Deteriorou-se no tempo das memórias. Foi descartado. Não sei porque, mas foi!
Apesar de termos continuado morando na mesma cidade, não tenho mais nenhuma lembrança dela além dessa. E também não sabia o destino que havia tomado. Não é estranho isso?
Soube em junho passado, quando meu noticiarista espontâneo, o Júlio Miravetti, no meio da Ponte Velha, me disse que uma moça havia falecido ao cair de um dos andares mais altos do prédio da APM. Ao pronunciar o nome Sonia Elizabeth, minha memória foi imediatamente ao arquivo do fragmento do "Baile" e senti o chão sumir. Confirmei com ele a paternidade dela! Era ela mesmo. A filha do "Seu" Ruy Braga...
Voltei estupefato pro trabalho, e iniciei mentalmente essa crônica. Só a terminei hoje. Precisei desse tempo todo, para entender o porque de tudo isso. Durante toda a minha vida, poucas vezes me lembrei dela e disso. Mas lembrava... Em momento algum fiz trabalho de pesquisa ou investiguei o que de fato aconteceu naquele dia de junho, pois a mídia, quer escrita, falada ou televisiva, não noticiou o acontecido. E eu nem queria saber. Só entender, porque esse pedaço de filme ficou gravado, indelével no meu HD. Hoje sei...
Você, menina dos cabelos de mel, foi meu primeiro amor! E um dia, voltaremos a bailar, seja em que dimensão for...


Fernando Lemos " Jan/2007

segunda-feira, 4 de maio de 2009

De noite, na Praça...

O casarão onde funcionava o jornal "A Lira" e a "Casa Modelo".  Triste fim para o Patrimônio Histórico da cidade.        Foto: Fernando Lemos

Essa me foi contada... Mas antes, um pouco de memória.

Final dos anos 60. A praça Oliveira Botelho era o ponto central dos boêmios, "políticos-filósofico-teóricos", revoltados, comentaristas mundanos da vida alheia, e principalmente; "técnicos de futebol". Quase todos movidos a muito álcool. Tínhamos ali uma gama variada e razoável de bares, lanchonetes e restaurantes funcionando a pleno vapor: Em frente ao Cine Odeon (hoje Igreja Evangélica), o sofisticado Bar Atlântico ("Dª Dodô & Murilo"), com serviço "a La Carte", garçons a caráter e tudo o mais. Era o "point" da época. Adiante, a Lanchonete Mundial (Hermínio e Joaquim, dois portuguesinhos simpáticos e tolerantes). Na mesma calçada, o Bar do Ponto ("Bananinhas") com um bom bar/restaurante em cima e sinuca no subsolo (onde o jogo de cartas e dados - "trolinho" - corria solto depois da meia-noite). Do outro lado, à esquerda, a Lanchonete Princesa do Vale (Vítor, outro português de boa safra, hoje na padaria do Lavapés, quase em frente à Santa Casa) onde se comia um bife a cavalo inigualável e uma omelete fantástica! Ao lado, pegadinho, o Bar Galo Verde (ponto dos cadetes) e a Pastelaria do Minoru Komori (a preferida do Roberto "To Puto" Vasconcellos), que servia uns pasteizinhos pequenos; deliciosos de se comer tomando o "Guaraná Favorito", de fabricação local e infelizmente não mais existente; ambos. Mais adiante, ao lado do Cine Vitória, o Bar Meu Cantinho (Ailton) e alguns passos à frente, o Bar e Restaurante Primor ("Seu Tiãozinho", que adora uma briga de galos " era criador mesmo!). Isso sem contar os barzinhos da Rodoviária, que forneciam fregueses já "embalados" para esses bares todos. Então, só na praça, cheia de vida, filosofia, política, futebol e de palavras ao vento, eram sete bares/restaurantes pra satisfazer a sede dos cervejeiros, pensadores e pingaiadas da madrugada. Sem contar a "Bombonière Vitória" do "Seu" Hely Balieiro, que não vendia alcoólicos, mas era importante na época do calor pra refrescar a turma do sorvete Kibom. A coisa ficava "quente" sempre depois da meia noite, quando o miolo da praça ficava meio vazio e o pessoal se concentrava nos copos... Mas vamos ao "causo" que assim me foi contado:

"Ele veio chegando das bandas da Dodô, já meio torto, com aquele olhar de quem enxerga mas não vê, com a boca meio mole e falando coisas que não se compreendia bem. Parou em frente à Princesa do Vale e fez sinal de positivo pra turma que bebia por ali. Alguém então lançou o desafio: Duas voltas em torno da Praça, passando por trás da Igreja, naquela bicicleta velha que tava estacionada em frente... Mas tinha que ser "pelado ". Nu em pelo! Nem meia podia! Prêmio: duas cervejas. Uma pra cada volta. Topou. Entrou na lanchonete, foi até o fundo, perto do banheiro e tirou a roupa. Todinha. Apoiando-se na parede e sob o olhar espantado de alguns e sorridente de outros, perguntou: "É naquele "calhau" ali que tenho que andar?" Diante da resposta positiva, chegou na porta do estabelecimento, olhou pros lados (se é que tava vendo alguma coisa) e juntou firme na velha bicicleta preta. Sentado, ajeitou as "coisas" no selim e deu a primeira pedalada. A "preta" rangeu, fez que ia pra esquerda, voltou pra direita, resvalou no meio fio e partiu. Devagar, a princípio. Ele se levantou do selim e pedalou mais forte. Embalou. Quando sentou de novo, ouvimos um urro de dor... Deve ter sentado em cima "das coisas"... Nessa altura, o barulho que a turba fazia no local da partida levou os freqüentadores dos outros bares a sair pra ver o que acontecia. Quando ele passou em frente ao "Meu Cantinho" e pelo "Primor", foi uma gritaria só! Quase erra o caminho e desce pro Lavapés, mas conseguiu virar por trás da Igreja que impedia a visão do Colégio João Maia. Ele sumiu das nossas vistas. De repente...Um barulho de ferros se arrastando pelo chão... Apreensão geral... E eis que surge o desafiado empurrando a "magrela". Montou de novo e continuou. Quase que desce pra Rodoviária, mas com muito jeito (apesar de subir na calçada) conseguiu botar prumo no rumo. Em frente ao Bar do Ponto, até a turma do jogo já tinha subido pra ver o que se passava e o saudaram com palmas e vaias... "Êta bunda feia, sô!" Gritou alguém... Ele não deu importância (se é que ouviu) e tocou em frente. Na Princesa do Vale, alguém improvisou uma "bandeirada da chegada" com a camisa dele mesmo. A algazarra era enorme! Mas ele fez com a mão o sinal de "um" no dedo, e prosseguiu naquela coisa que chamavam de bicicleta. Nessa altura, tava tudo mundo nas portas dos bares, fazendo uma folia só... Delírio geral! Novamente ele fez a volta na igreja e novamente, na zona morta de visão ouviu-se barulho de ferro com cimento arrastando pelo chão. Apareceu com a cara meio avermelhada, e quando chegou ao que seria o final do desafio levantou a mão e mostrou com os dedos o número três! O desafiante não se manifestou, mas ele seguiu em frente mesmo assim. Deu a terceira volta, com barulho de ferro e cimento de novo atrás da igreja, e ao se aproximar da "linha de chegada", recebeu a "camisada" final. Tentou parar mas o que se ouviu foi a ranger de ferro com ferro... E pra parar, subiu na calçada da praça. A maioria dos que assistiam, excitados ao inusitado fato; fizeram uma barulheira danada e ele foi carregado pra lanchonete. Escorria-lhe um filete de sangue pela testa, tinha ralado o nariz, os dedos e parte do braço, além de um pequeno corte no joelho. Não pronunciou uma única palavra. Calmo e cambaleante entrou na lanchonete, foi ao banheiro se lavou na torneira e vestiu as roupas. A lanchonete tava cheia, lotada! O pessoal dos outros bares veio ver e cumprimentar o sujeito. Outros já criticavam, apesar de bêbados também. Quando ele surgiu na porta do banheiro, foi festejado e aclamado como herói. Quebrou o mutismo: "Desce uma super gelada, Vítor! E bota na conta dele" disse apontando pro desafiante, que logo chiou: "Foi combinado duas... A terceira foi por sua conta!". Sem discutir, pensou um pouquinho, limpou a ponta do nariz que escorria um suor avermelhado e perguntou: "Só queria saber quem foi o corno que colocou o muro do João Maia no meio da rua... sacanagem, pô!"
A terceira cerveja (e todas as "outras" que ele conseguiu beber) ficou por conta do Vítor. Afinal... Ele conseguiu trazer todo mundo pra sua lanchonete. Inclusive os donos dos outros bares, que fecharam as portas e terminaram a noitada na Princesa do Vale."

Quem me contou, merece crédito. Pediu pra não citar nomes por que o "atleta" ainda está entre nós.

Fernando Lemos - 09/2005
Publicado no "Ponte Velha"

Jorge "Jesus" (ou apenas... Jorge)

Rua Eduardo Cotrim nos anos 50 (Bairro Lavapés) - Aqui viveu Jorge "Jesus" - Foto: Arquivo Pessoal Fernando Lemos

Hoje vou falar de um tipo bem conhecido dos resendenses não tão antigos, pois até há (relativamente) pouco tempo ele ainda estava entre nós. Eu, e muitas outras pessoas o chamávamos simplesmente de Jorge "Jesus". Não diretamente a ele. Era um apelido meio secreto. Quando nos dirigíamos a ele dizíamos apenas... Jorge. Para os que não o conheceram, e como não tenho foto dele, vou tentar fazer uma breve descrição do tipo. Não era muito alto. Devia ter perto de 1,70m. Longos cabelos pretos cacheados, assim como sua nunca aparada barba. Ambos pareciam ensebados. Rosto branco, magro, macilento, os grandes olhos pretos tinham um brilho incomum, que lhe emprestavam um olhar rasputiniano. Boca bem torneada com dentes maltratados. Quase sempre sem camisa; cobria o forte tronco com um saco de estopa velho, que era recoberto por um pedaço de plástico transparente nos dias de chuva. As calças rotas e sujas amarradas na cintura com uma cordinha de sisal e com as pernas dobradas bem enroladinhas até perto do joelho, deixavam à mostra canelas brancas não muito finas, assim como polpudas batatas da perna. Pés grandes; andava invariavelmente descalço, o que lhe propiciava um solado natural grosso e aparentemente indestrutível. Não fumava, não bebia e nunca o vi de chapéu ou boné. Tinha a aparência de um legítimo mendigo. Ou louco. Mas não era nem uma coisa nem outra. Colocassem-lhe uma coroa de espinhos na cabeça e dessem-lhe uma cruz para levar às costas... Daí o apelido. Eu sempre me perguntava: "Porque não o chamam para interpretar o Auto da Sexta-Feira Santa? Ficaria bem mais original que aquela imagem que crucificam em frente à Igreja". De vez em quando passava pela gente resmungando alguma coisa ou mesmo falando com seus botões. Nunca vi ou soube que tivesse praticado qualquer maldade ou um ato tresloucado contra alguém. E nem rasgado dinheiro. Gostava de "matar" ou "internar" os moradores mais conhecidos do bairro. Pura brincadeira. De mau gosto, é certo, mas que rendia muito riso entre as "comadres e compadres", geralmente suas vítimas preferidas. E a forma que ele usava para divulgar a "notícia" era infalível. Via o comércio que tinha mais gente e em voz alta falava ao comerciante, seu conhecido: "Ouvi dizer que o fulano morreu" ou "está internado muito mal na Santa Casa" e saía batido, sem dar maiores detalhes. A novidade se espalhava rapidinho e era um tal de uma comadre ou compadre bater na casa do "falecido" e ser recebido pelo próprio. Ou ir visitar o "internado" e descobrir que o mesmo estava gozando de plena saúde. E depois do susto, a farra no bairro era inevitável. Coisa de cidade pequena, pacata, gostosa de se viver. Coisa dos bons tempos... Quem de fora da cidade o visse, certamente se afastaria dele por causa dessa sua forma singular de se trajar. Além do aspecto de sujeira. Porém, não cheirava mal. Possuía umas casinhas no Lavapés, que alugava. Numa delas, morava nos fundos. Dizem que dormia em cima de uma goiabeira e quando chovia, usava uma lona plástica pra se cobrir. Não sei se é lenda essa parte da goiabeira. Homem de poucas palavras podia, no entanto ser visto sentado na praça da Matriz conversando com um seleto grupo de amigos. Todos bem vestidos. O assunto, quase sempre era política. E consta que sabia muito bem o que estava falando. Quando chegava alguém estranho ao grupo, ele ouvia um pouquinho da prosa do novato e se não gostasse, simplesmente saia. Ia embora sem nada falar. Apenas resmungava alguma coisa ininteligível. Provavelmente xingando o intrometido. Também era facilmente encontrado nas missas da Matriz. Ficava sempre em pé, nos fundos da igreja. Freqüentava com assiduidade os enterros. Às vezes carregava a coroa de flores. Sempre caladão. O detalhe mais interessante é que, apesar da aparência, era de inteira confiança. Os comerciantes do Lavapés que o conheciam bem, lhe confiavam o pagamento de contas, títulos, depósitos e recebimento de cheques, por isso era sempre visto também nas filas de banco. Alguns se assustavam com a presença de um "mendigo" no caixa pagando e recebendo. E os seguranças já o conheciam e não impediam sua entrada. Muito pelo contrário. Encontrei-o por diversas vezes no Itaú e Banco do Brasil. As pessoas (geralmente senhoras de idade, as famosas "comadres") também lhe pediam para comprar coisas nos super mercados e lojas mais distantes. As mães se aproveitavam de sua aparência estranha, de "Bicho Papão" e quando queriam assustar os filhos pequenos, ameaçavam: "Se você não sossegar vou chamar o barbudo pra te pegar!!!" Coitado do Jorge. Tão pacífico e inofensivo, sendo usado pra corrigir criança mal educada. Realmente uma figura incomum, que fazia parte do folclore da cidade. Detestava a palavra banho. Dizem que o pessoal mais chegado a ele ali no Lavapés, às vezes cismava e o pegavam a força para uma "aguada" no Paraíba, nos fundos da Escola da Da. Antonina. Aí sim, nessa hora ele deixava de ser "Jesus" e virava Besta, se tornava agressivo. Violento mesmo. Mas o pessoal, com jeitinho acabavam dominando-o e, debaixo de gritos, palavrões, urros e gemidos, lhe davam uma boa esfrega no rio. No fundo, bem no fundo, acho que ele gostava, pois percebia que tinha muita gente que se importava com ele. E nesse dia, vestia uma camisa limpinha. O saco de estopa ficava esquecido, dependurado na goiabeira. Se foi como viveu. Sem deixar rastro. Apenas... Saudade. E fica a pergunta: Porque para nós ele não era visto como mendigo ou louco, mas lembrava a imagem do Menino Deus? Quase sempre, as aparências enganam... Acho que virou Jorge Jesus de vez.

Fernando Lemos " 19/01/2009
Foto: (Arquivo pessoal) Rua Eduardo Cotrim nos anos 50 (Bairro Lavapés-Resende-RJ)

MARIA ELISA/TALITA - VICE CAMPEÃS EM CURITIBA (PR)


A resendense Maria Elisa se esforçou muito, mas dessa vez não deu. Foto: Sílvio Ávila/CBV


22.03.2009 | 11h54


Circuito BB: Renata e Val são campeãs no Paraná

CURITIBA, 22.03.09 " Em uma virada emocionante, Renata (RJ) e Val (RJ) quebraram a invencibilidade de Talita/Maria Elisa (AL/PE), neste DOMINGO (22.03), e ficaram com o título da etapa de Curitiba (PR) do Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia 2009. Nas areias do Parque Barigui, a dupla carioca superou a parceria campeã das etapas de Balneário Camboriú (SC) e Santa Maria (RS) por 2 sets a 1, parciais de 11/18, 21/19 e 15/13. O terceiro lugar da etapa paranaense ficou com as irmãs Maria Clara e Carolina (RJ).

Com a vitória na decisão, Renata e Val quebram a invencibilidade de Talita/Maria Elisa, que já durava 14 partidas do Circuito Banco do Brasil 2009. De quebra, a dupla carioca dá o troco nas ex-parceiras pelas derrotas sofridas nas decisões das etapas catarinense e gaúcha.

"Entramos no jogo querendo muito esta vitória, até pelos resultados das últimas finais. Apesar disso, estávamos bastante tranquilas na quadra e a Renata foi muito bem nos momentos decisivos. O resultado foi bom, mas queremos mais. Agora é daí para melhor. Estamos na briga também", sentencia Val.

O JOGO
O primeiro set da decisão começou amplamente favorável a Maria Elisa/Talita. Com o bom desempenho da pernambucana no fundo da quadra, a dupla não demorou a abrir 6/1. No fim, Talita, com um ponto de bloqueio e outro de ataque, fechou a parcial: 18/11.

O segundo set parecia ir pelo mesmo caminho. Logo no começo, vantagem de 7/3 para Talita e Maria Elisa, após um ataque para fora de Val. A diferença foi reduzida a um ponto em 13/12, mas logo Talita e Maria Elisa respiraram novamente: 17/14 em um bloqueio da alagoana. Quando a final parecia decidida, as cariocas buscaram forças e viraram, fechando em 21/19 com um ataque de Renata.

O set decisivo foi equilibrado do começo ao fim. As cariocas abriram 4/1, mas logo viram o placar apontar para um empate no quinto ponto. No fim, Renata atacou com força na diagonal e encerrou a partida: 15/13.

"Nas últimas duas finais, comandamos o placar, mas elas não desistiram e conseguiram reverter. Desta vez, fomos nós que fizemos isso. Estávamos em uma situação muito difícil no segundo set e encontramos forças para reagir. Isso mostra que somos capazes. Agora é dar sequência à preparação, sem relaxar", promete Renata.

Maria Clara e Carolina ficam em terceiro lugar mais uma vez

Se a final feminina foi a mesma nas três etapas da temporada, a dupla que ficou em terceiro lugar também foi. Terceiras colocadas em Balneário Camboriú (SC) e Santa Maria (RS), as irmãs cariocas Maria Clara e Carolina voltaram a subir no pódio na etapa paranaense.

Mas, desta vez, a conquista da terceira colocação reservou uma emoção especial. Pela primeira em suas carreiras, as irmãs derrotaram Juliana/Larissa (CE/PA): 2 sets a 1 (13/18, 18/16 e 15/12).

"Não é o resultado que a gente queria, mas não podemos nem pensar em desprezar este terceiro lugar. Para nós, é um momento especial, afinal é a primeira vez que derrotamos Juliana/Larissa. A Juliana está de parabéns pelo retorno. Fiquei feliz por ela. A dupla delas irá crescer muito na temporada", prevê Maria Clara.

Juliana satisfeita com o retorno

Derrotada na decisão de terceiro lugar, Juliana concorda com as palavras da rival. A cearense, tricampeã do Circuito Banco do Brasil, considera uma vitória ter chegado às semifinais.

"Muita gente só considera como vitória um título, mas eu não. Neste momento, ter disputado um torneio tão forte durante três dias é uma grande vitória para mim. Não senti absolutamente nada no joelho, embora ele tenha sido bastante exigido. Agora é recuperar o ritmo de jogo e crescer junto com a Larissa", espera a cearense.

A quarta etapa do Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia acontecerá entre os dias 2 e 5 de abril, na cidade de São José dos Campos, em São Paulo.

Todos os resultados da etapa paranaense estão disponíveis aqui

Para ver as fotos disponíveis no site clique aqui

Fonte:
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imprensacbv@volei.org.br

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CIRCUITO BANCO DO BRASIL: MARIA ELISA E TALITA VENCEM NOVAMENTE!!!


Maria Elisa, como sempre, vibra muito e empurra a dupla para a vitória. Fotos: Sílvio Ávila - Veja Slide Show ao final da reportagem.


08.03.2009 | 10h29

Circuito BB: Maria Elisa e Talita vencem em Santa Maria

SANTA MARIA, 08.03.09 " No Dia Internacional da Mulher, as areias de Santa Maria (RS) foram palco do segundo título de Maria Elisa/Talita (RJ/AL) na temporada 2009 do Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia. Na decisão, a parceria recém-formada derrotou Renata/Val (RJ) por 2 sets a 0, parciais de 20/18 e 18/14, repetindo o resultado da etapa de Balneário Camboriú (SC). O terceiro lugar da etapa gaúcha ficou com Maria Clara/Carolina (RJ), que ocupou a mesma colocação na etapa catarinense.

O segundo título em duas etapas disputas destaca o bom começo de temporada de Talita/Maria Elisa. A parceria, que foi iniciada em 2009, comemora os bons resultados iniciais.

"Foram praticamente duas estréias para nós. E os resultados foram os melhores possíveis. Estes títulos nos dão confiança para acreditar que o trabalho está sendo bem-feito. Nossa união não é apenas dentro da quadra, é também na maneira de pensar. Este foi o segredo para vencermos esta final emocionante", destaca Maria Elisa.

O JOGO
O primeiro set da decisão foi marcado pelas diversas reviravoltas no placar. A primeira parceria a sair na frente foi Renata/Val, que marcou 8/3 após um contra-ataque. Apoiada pelas defesas de Maria Elisa, a dupla rival reagiu e passou a frente em 12/11, com um bloqueio de Talita, mas voltou a ficar atrás em 14/12, quando Val parou Maria Elisa. No fim do set, a carioca (Resende-RJ) acertou um saque forte e fechou em 20/18.

A segunda parcial foi bastante diferente. Talita e Maria Elisa dominaram do começo ao fim. A primeira vantagem considerável a favor das campeãs aconteceu em 5/2, quando Talita venceu uma disputa na rede. Renata e Val reagiram, chegaram a ficar apenas um ponto atrás (13/12), mas não evitaram a derrota em 18/14, após um ataque colocado de Talita.

"Precisei de um pouco mais de tempo para entrar no ritmo do jogo e Maria Elisa me ajudou demais neste momento. Esse é o verdadeiro espírito de uma parceria. Estamos felizes com o que apresentamos nestas primeiras etapas, mas sabemos que temos muito onde melhorar ainda. As finais com Renata/Val têm sido muito equilibradas e, nas próximas etapas, a Juliana (CE) retornará, assim como Ana Paula/Shelda (MG/CE). Isso tornará o Circuito Banco do Brasil ainda mais equilibrado", analisa Talita.

Maria Clara e Carolina sobem ao pódio novamente

Em Santa Maria (RS), as irmãs Maria Clara e Carolina ficaram em terceiro lugar, mesma colocação obtida em Balneário Camboriú. A parceria, que iniciou a disputa da etapa gaúcha no qualifying, superou Camila/Thati (RJ/PB) por 2 sets a 0 (18/13 e 18/14) na partida que valia a vaga restante no pódio.

"Jogamos muito nesta decisão de terceiro lugar. Nos mantivemos à frente do placar durante toda a partida e isso é muito importante. Lógico que queríamos estar na final, mas valorizamos demais esta terceira colocação. Mostra que estamos com uma regularidade boa neste começo de ano", destaca Carolina.

A próxima parada do Circuito Banco do Brasil será Curitiba (PR). A capital paranaense receberá as disputas entre os dias 19 e 22 de março.

Todos os resultados da etapa gaúcha estão disponíveis no site:

http://www.cbv.com.br/cbv2008/cbbvp/etapas.asp?et=2

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Governo estuda elevar a Cide sobre combustíveis













Edison Lobão e Lula: Preparando mais um aumento de imposto.(Foto: Internet)

22/04/2009 - 14:47
Por Cláudio Gradilone (claudio.gradilone@gmail.com)

Brasília, mais uma vez, não me surpreende. Em mais um passo da reforma (?) tributária, o ministro das Minas e Energia, o senador Edison Lobão (PMDB-MA) afirmou que o governo precisa arrecadar mais impostos, e por isso planeja elevar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis. Lobão disse que essa alternativa faz parte de um estudo que deverá ser concluído em três ou quatro meses. Lobão explicou que a elevação da Cide é apenas uma das alternativas em estudo.

A Cide, como boa parte das idéias que povoa o inferno, nasceu com a melhor das intenções. Se houvesse alguma flagrante distorção na economia - como por exemplo um segmento da economia que estivesse ganhando demais e enfraquecendo a cadeia produtiva - a Cide serviria para corrigir os desajustes. Por exemplo, transferindo renda da produção para a distribuição, ou vice-versa, de modo a não tornar uma determinada atividade proibitiva.
Por exemplo, vamos supor que a atividade de distribuição de combustíveis em Roraima, região baixamente ocupada, fosse economicamente impraticável. Para ser rentável, o distribuidor teria de vender gasolina a, digamos, dez reais o litro. Nesse cenário, faz sentido que todo o país contribua com alguns centavos para equalizar os preços em Roraima. Claro, isso é só uma daquelas boas intenções que está queimando no oitavo círculo infernal. Na prática, o governo usa a Cide como mais um imposto.
Agora, depois de distribuir benesses para a indústria automobilística e a de eletrodomésticos, sem falar na farra de gastos, o governo percebeu que o dinheiro está perigando ficar curto de novo. O que fazer? Fácil - vamos elevar a Cide sobre os combustíveis, para que a elite privilegiada que anda de carro eleve sua parcela de contribuição.
Ninguém fala do povo pedestre que depende de ônibus (que vai ficar mais caro) e come arroz, feijão e bife que são transportados de caminhão movido a diesel (e que também vão ficar mais caros, porque o custo do transporte vai subir). Mas isso é raciocínio de elitistas como eu.
Agora, com licença, que meu mordomo já tocou a sineta pela segunda vez: o faisão com aspargos ao molho de trufas belgas está esfriando.

Fonte: http://portalexame.abril.com.br/blogs/gradilone/20090422_listar_dia.shtml?permalink=162302

CIRCUITO BANCO DO BRASIL: MARIA ELISA E TALITA CONQUISTAM PRIMEIRO TÍTULO DO ANO


Maria Elisa Antonelli demonstrou a garra de sempre. Veja Slide Show ao final do texto.

15.02.2009 | 10h41
Circuito BB: Talita e Maria Elisa vencem em Balneário Camboriú

BALNEÁRIO CAMBORIÚ, 15/02/09 " O primeiro título da temporada 2009 do Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia já tem dono: a dupla Talita/Maria Elisa (AL/PE). A parceria, formada no começo do ano, garantiu a primeira colocação da etapa de Balneário Camboriú (SC), neste DOMINGO (15.02), ao derrotar Renata/Val (RJ) por 2 sets a 0, parciais de 23/21 e 18/12, na arena montada na Barra Sul. As irmãs cariocas Maria Clara e Carolina completaram o pódio da etapa catarinense.

Jogando juntas pela primeira vez, Talita e Maria Elisa mostraram ótimo entendimento no primeiro torneio da dupla. Na etapa catarinense, foram cinco vitórias até o título e apenas um set perdido.

"É ótimo iniciar uma parceria com um título como estes, mas não podemos esquecer que o nosso trabalho é em longo prazo. Temos que ter muito cuidado para que esta conquista não mascare nossas falhas, que são absolutamente naturais pelo pouco tempo em que jogamos juntas. Erramos bastante nesta etapa, mas conseguimos melhorar ao longo da competição. Com o decorrer do trabalho, vamos evoluir bastante", analisa Talita, quarta colocada nos Jogos Olímpicos de Pequim.

A final em Balneário Camboriú colocou frente a frente quatro atletas que se conhecem muito bem. Afinal, Renata e Talita jogaram juntas nas últimas quatro temporadas, enquanto Maria Elisa e Val formavam parceria entre 2006 e 2008.

"A Renata e Val são excelentes jogadoras, muito difíceis de serem marcadas, mesmo para quem as conhece bem, como Talita e eu. Por isso, procuramos testar as duas ao longo da partida, buscando explorar o aspecto psicológico. Depois que achamos a estratégia correta, conseguimos levar bem a partida", afirma Maria Elisa, que não esconde a felicidade pelo início vitorioso da dupla.

"Estamos começando um ciclo muito promissor e estamos muito empolgadas por isso. Recebi a Talita e a comissão técnica delas como se as conhecesse há anos. Ela percebeu minha motivação e meu empenho e está muito feliz também. Sempre nos demos muito bem fora da quadra e estamos conseguindo transferir este bom relacionamento para as partidas", finaliza.

O JOGO
O domínio inicial do primeiro set foi de Renata/Val. Mostrando bom volume de jogo, a dupla conseguiu bons contra-ataques e, contando com um erro de Maria Elisa, abriu 5/2. A pernambucana venceu uma disputa na rede poucos pontos depois e igualou o marcador: 8/8. Renata e Val voltaram a melhorar na partida e abriram 15/12, ficando muito próximas da vitória. Talita e Maria Elisa encontraram forças para reagir e, após um belo rally, Talita marcou o ponto decisivo no ataque: 23/21.

Na segunda parcial, o panorama foi totalmente diferente. Mais confiantes, Talita e Maria Elisa se impuseram desde o início e logo abriram 9/5 após um bloqueio da alagoana. Mostrando grande eficiência no fundamento, Talita marcou mais dois pontos de bloqueio e a diferença chegou a 16/9. No fim, Maria Elisa atacou na diagonal e fechou o jog 18/12.

Maria Clara e Carolina completam o pódio

As irmãs cariocas Maria e Carolina iniciaram a temporada 2009 com um lugar garantido no pódio da etapa catarinense. Na disputa de terceiro lugar, as filhas da ex-jogadora Izabel Salgado, derrotaram a paraense Izabel e a brasiliense Chell por 2 sets a 0, parciais de 18/16 e 18/13.

"As duas duplas que chegaram à final foram melhores que nós nesta etapa e mereceram chegar à decisão. Chegamos com a intenção de ir à final, mas não há como negar que o terceiro lugar é uma boa colocação. Representa uma boa largada para uma temporada tão longa e importante. Demos bem o primeiro passo, agora é melhorar ainda mais. Acredito que cinco ou seis duplas, incluindo Carol e eu, irão se revezar no pódio no Circuito Banco do Brasil", conta Maria Clara.

A próxima etapa do Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia será realizada em Santa Maria (RS), entre os dias cinco e oito de março.

Todos os resultados da etapa catarinense estão disponíveis no site:

http://www.cbv.com.br/cbv2008/cbbvp/etapas.asp?et=1

Fotos disponíveis no site:

http://www.cbv.com.br/cbv2008/imprensa/fotos.asp?Quant=10

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Fotos: Sílvio Ávila/CBV

Melhores de 2008: Maria Elisa é destaque novamente.



Resendense Maria Elisa Antonelli é destaque novamente. Além de bela, é fera!!!


A resendense Maria Elisa levou o prêmio de melhor saque, enquanto a cearense Shaylyn conquistou a taça de melhor recepção pelo segundo ano consecutivo. Completando a lista de premiadas, a bicampeã mundial Sub-21 Bárbara Seixas foi eleita a revelação da temporada 2008.

Confira os premiados de 2008:

Melhor Jogadora: Larissa (PA)
Melhor Saque: Maria Elisa (RJ)
Melhor Recepção: Shaylyn (CE)
Melhor Levantamento: Larissa (PA)
Melhor Ataque: Larissa (PA)
Melhor Bloqueio: Talita (AL)
Melhor Defesa: Renata (RJ)
Revelação: Bárbara Seixas (RJ)
Melhor Técnico: Reis Castro (CE)

Fonte: FBV/Terra

2009 - Maria Elisa com parceira nova.



Em 2009, a resendense Maria Elisa Antonelli deverá ter como parceira, Talita, que fazia dupla com Renata, classificadas em 3º lugar no Rankink Mundial em 2008 (Veja quadro abaixo). Maria Elisa fechou o ano em 5º lugar, tendo como parceira Leão. Comenta-se nos meios esportivos que a nova dupla Maria Elisa/Talita tem grandes chances em 2009. Além de estarem de olho nas Olimpíadas de 2012. As feras estarão soltas.

Beach Volleyball World Rankings 2008
World Tour 2008 - women
Updated 17 November 2008

Rank Team Country Points

1 Ana Paula-Shelda BRA BRA 146,980
2 Ross-Boss USA USA 125,300
3 Talita-Renata BRA BRA 125,100
4 M.Clara-Carol BRA BRA 155,060
5 Antonelli-Leão BRA BRA 124,500
6 Tian Jia-Wang CHN CHN 94,160
7 Xue-Zhang Xi CHN CHN 94,100
8 Branagh-Youngs USA USA 84,060
9 Juliana-Larissa BRA BRA 83,840
10 SchwaI-Schwaiger AUT AUT 15,000

Fonte:FIVB (Fédération Internationale de Volleyball)
(www.fivb.org/EN/BeachVolleyball/Rankings/2008/Rank_WTwomen.asp)
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