***RUI BARBOSA***

***RUI BARBOSA***
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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domingo, 5 de junho de 2016

BURRO QUE ROUBA VIRA DOUTOR



Estudantes da Universidade de Coimbra e membros da Juventude Socialista Democrática de Portugal exigem a cassação do título de "Doutor Honoris Causa" concedido a Lula.


Estudantes da Universidade de Coimbra, Portugal, exigem a cassação do título de "Doutor Honoris Causa" concedido a Lula.

Empenhado em difundir a revolução socialista proletária Lula deixou intacto os velhos males do Brasil, além de criar outros. Tal como a Nigéria, o Brasil apresenta o dramático contraste de um Estado rico, com altos índices de corrupção, enquanto a maioria da população permanece em níveis inadmissíveis de desemprego. O desperdício de recursos milionários do petróleo, por obra de um estado que se comportou como péssimo administrador e gerente incapaz de gerir com acerto tanto riqueza, mostra-se agora mais patente e escandaloso do que nunca.
A deterioração do nível de vida nas classes média e baixa pode ser notada por qualquer pessoa que tenha conhecido o Brasil antes de Lula e hoje, passados 13 anos de governo socialista e observe a paisagem social do país. A essa realidade somam-se outras igualmente catastróficas: os serviços deficientes em hospitais públicos, a insegurança, com um índice jamais visto de crimes e roubos, o fechamento de milhares de dezenas de empresas e o índice recorde de 9,5 milhões de desempregados.
Lula foi incensado pelas esquerdas mundo afora, como o novo modelo de socialismo que emergia depois do gigantesco fracasso do socialismo no bloco do leste europeu, liderado pela antiga União Soviética. Os esquerdistas mundiais, órfãos desde a queda do muro de Berlim, viram em Lula, o operário metalúrgico e sindicalista brasileiro, a esperança de renascimento da idéia socialista. Ele foi apontado como um modelo. Como o mundo acadêmico, no planeta inteiro, é dominado pelo pensamento esquerdista, começou então uma cruzada pela sua beatificação, que passava pela concessão indiscriminada a ele de títulos de Doutor Honoris Causa.
Universidades as mais antigas, com uma enorme bagagem histórica de conhecimento, agiram de maneira totalmente irresponsável, até criminosa, ao atribuir essas homenagens a um tipo que declarava seu horror ao conhecimento. Agora esse mundo acadêmico é obrigado a se curvar e reconhecer que tinha homenageado sem pensar alguém que é absolutamente indigno da homenagem. Mais uma vez, a esquerda de viés marxista, socialista, vê cair o sonho de que um novo mundo é possível. Certamente, não o mundo imaginado pelas esquerdas e por um tipo como Lula.
COMERCIANTES INFORMAIS: demissões no mercado, tornam o artesanato uma fonte de renda duvidosa. Formalidade que não gera riqueza.

SALÃO DE BELEZA
Lula se parece hoje com um excêntrico milionário, que fora de casa, se permite toda espécie de extravagância, enquanto brasileiros comem o pão que o diabo amassou. Delírios oposicionistas? Mentiras do imperialismo? Intriga de capitalistas, inimigos da revolução petista? Tudo isso pode ser alegado pelos servidores do regime petista ou pelo próprio ex-presidente com sua linguagem chula, salpicada de ditos e imprecações de forte colorido folclórico.
Mas os números estão ai para comprovar. Se não vejamos: Inflação de 10,67% ao ano (2015). Taxa de desemprego no 1º trimestre dde 2016 de 10,9% segundo o IBGE, o que representa 11,4 milhões de pessoas sem emprego. Nem mesmo esse salão de beleza, com seu setor de maquiagem, em que foi transformado o IBGE consegue dissimular essa realidade espantosa. Em vez de criar fontes de trabalho, fomentando o investimento que gera emprego, ao longo de 13 anos, dedicou-se a acabar com elas.
A desorganização, a corrupção e a inépcia de Dilma mantiveram o caos. Dinheiro manipulado sem controle de ninguém, uma significativa parcela da justiça politizada, demagogia e um lulismo composto por oportunistas produziram no Brasil níveis portentosos de corrupção.
Como é próprio da natureza, o populismo gira sempre em torno das palavras, do jogo retórico revolucionário e de efeitos midiáticos, mas nunca chega a resolver os problemas típicos do subdesenvolvimento e da pobreza. Pelo contrário, as incrementa. Para ocultar sua incapacidade no terreno vital da produção e da economia, fabrica inimigos para lançar sobre eles a culpa de todos os males do Brasil.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

JURUNA TINHA RAZÃO. GRAVAVA POR NÃO CONFIAR!!! OU: O POLÍTICO QUE INVENTOU A GRAVAÇÃO NO PLANALTO.



Pra quem não se lembra ou desconhece a nossa história política, por essa onda de gravações que assola o país e para mostrar que isso não é novidade, vale lembrar...


Mário Juruna discursando na Câmara dos Deputados

Mário Juruna foi um líder indígena e político brasileiro. Filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), foi o primeiro e único deputado federal indígena do Brasil. Nasceu e viveu na sua aldeia de origem sem contato com o homem branco até os 17 anos, quando sucedeu seu pai na liderança da aldeia.
Na década de 1970, com pouco mais de 30 anos e ainda sem mandato parlamentar, já defendia e lutava pelos direitos indígenas. Ficou famoso por percorrer os gabinetes da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), em Brasília, quando, lutando pela demarcação da terra para os índios, portava sempre um gravador (foto) "para registrar tudo o que o branco diz" e provar que as autoridades, na maioria das vezes, não cumpriam com a palavra dada. Posteriormente, publicou o livro "O Gravador do Juruna".

Juruna e seu gravador que "prova que os políticos não cumprem a palavra".

Foi eleito deputado federal pelo PDT-RJ em 1982 com 31 mil votos. Sua eleição teve uma grande repercussão no país e no mundo. Foi o responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio no Congresso Nacional, o que levou o problema indígena ao reconhecimento formal.
Em 1984, denunciou o empresário Calim Eid por tentar suborná-lo para votar em Paulo Maluf, candidato dos militares à presidência da república no Colégio Eleitoral, mostrando (foto) e devolvendo publicamente os 30 milhões de cruzeiros recebidos na tentativa de suborno. Juruna, coerentemente, acabou votando em Tancredo Neves, candidato da oposição democrática.

Juruna devolvendo os 30 milhões de cruzeieros recebidos como suborno para votar em Paulo Salim Maluf.


Morreu por falta de cuidados, esquecido, pobre e doente em 17 de julho de 2002, aos 59 anos de idade, em decorrência de diabetes. Seu corpo foi velado no Congresso Nacional brasileiro. Uma última e justa homenagem ao (talvez) único político brasileiro verdadeiramente HONESTO de que se tem notícia.

Juruna, já doente, em Guará I, Brasília, DF, onde viria a falecer em 17/07/2002. 


Fontes: "Isto é Gente", "Descobrindo a Verdade (Blog)", Wikipédia.
Edição e concepção de texto: Fernando Lemos

terça-feira, 24 de maio de 2016

DEU JUCÁ




Tivesse o presidente Michel Temer prestado atenção neste texto de Roberto Pompeu de Toledo publicado na revista "Veja" no final de abril passado, provavelmente teria evitado o constrangimento de ser obrigado a exonerá-lo poucos dias depois da nomeação e posse. Lamentável!!!


Senador Romero Jucá - PMDB - Roraima



No mesmo dia 17 de abril em que uma presidência apodrecida foi derrubada por uma Câmara dos Deputados podre, o sistema político brasileiro morreu. Não, a afirmação não se sustenta. Seria bom demais para ser verdade. Nas horas seguintes, foram divulgadas fotos do Palácio do Jaburu, onde o vice Michel Temer aguardava, como marido ansioso, o parto de seu triunfo ─ e quem, numa dessas fotos, brilhava em primeiro plano, de pé, enquanto o vice e outros convidados figuravam ao fundo, sentados num sofá, assistindo à transmissão da TV? Romero Jucá! Jucá bem merece o ponto de exclamação. Anos atrás, este colunista confessou seu fascínio pelo senador por Roraima, cujos perfil e biografia resumem o que pode haver de mais característico no político brasileiro. Escrevi então:
“Procura-se alguém capaz de servir a (e servir-se de) diferentes regimes e governos? Dá Jucá na cabeça. Alguém que já saltou repetidas vezes de um partido para outro? Dá Jucá. Alguém com suficiente número de escândalos nas costas? Outra vez, Jucá não decepciona. Alguém que, representante de um estado pobre, de escassa oferta de oportunidades, consegue construir respeitável patrimônio pessoal? Jucá cai como uma luva. Um político que traz parentes para fazer-lhe parceria na carreira? Jucá! Proprietário de emissora de TV? Jucá! Um político que, derrotado aqui e denunciado ali, no round seguinte se reergue, pronto para novos cargos e funções? Jucá! Jucá!” (VEJA, 6/6/2007).
De lá para cá, Romero Jucá só fez ser fiel a si mesmo. Depois de servir como líder no Senado aos governos FHC e Lula, serviu também ao de Dilma Rousseff. Tudo somado, ficou mais de dez anos na liderança do governo dos três últimos presidentes. Pulou do barco de Dilma na campanha de 2014, quando só a presidente não percebeu que era uma ótima oportunidade para perder, e apoiou Aécio Neves. No ano passado, como era previsível, teve seu nome incluído na famosa “lista do Janot”, em que o procurador-geral da República arrolou os políticos implicados no escândalo da Petrobras. Nas últimas semanas, assumiu a presidência do PMDB, no lugar de Temer, e comandou a cabala de votos em favor do vice e a consequente oferta de empregos no futuro governo. Com Jucá em posição de relevância, não há possibilidade de mudança no sistema político. Não se encontrará entre os políticos brasileiros um mais fiel seguidor da regra de que, quando as coisas mudam, é para ficar tudo igual.
A duradoura influência de Jucá na política brasileira embute um enigma. Ele não se distingue como orador e carece de magnetismo pessoal. Nunca se ouviu dele uma ideia inovadora ou um discurso coerente sobre os rumos nacionais. Representa um estado pequeno (500 000 habitantes) e, fora do mundinho da política, poucos ligarão o nome à pessoa. Uma hipótese é que seu sucesso repouse exatamente na soma de tais deficiências. Por não fazer sombra a nenhum dos pares, circula com desenvoltura entre eles. Por não representar nenhuma ideia, não há como ser desafiado no campo intelectual. Jeitoso, conhece o caminho para, em todas, ficar do lado vencedor.
Há outros sinais de que o sistema seguirá o mesmo. A condescendência com Eduardo Cunha é o mais eloquente. Na votação de domingo, sempre que um deputado acusava o presidente da Câmara, sua voz era abafada por um coro de desprezo. Seguiu-se, um dia depois, uma articulação aberta para salvá-lo das punições que o ameaçam. Foi constrangedor ver um réu por crime de corrupção e lavagem de dinheiro no comando da sessão de impeachment e é inimaginável vê-lo como o segundo na linha de sucessão presidencial. Cunha perde de Jucá, porém, em itens decisivos. Ele se expõe, enquanto o outro se poupa. É atrevido como um jogador de cassino, enquanto o outro soa respeitoso como um sacristão. Por mais protegido que continue, Cunha talvez já não tenha condição de figurar numa foto junto ao provável futuro presidente. Jucá, na última quarta-feira, acompanhou Temer em um almoço com o ex-ministro Delfim Netto, e o trio foi fotografado à saída.

Dilma, uma presidente que une a inépcia à arrogância, não tinha como continuar. Seu governo derreteu-se na mesma medida em que se derretia a economia e esgotavam-se seus recursos para deter o desastre. Quem esperava no entanto que, em acréscimo, viria uma mudança no modo de fazer política perdeu. Deu Jucá.

Publicado na Veja - Edição 2475 de 27 de abril de 2016


segunda-feira, 7 de março de 2016

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

BRASIL: PÁTRIA MACUNAÍMICA




O MUNDO MACUNAÍMICO DA POLÍTICA
Por: Fernando Luís Schüler (*)
No mundo jurídico, faz todo sentido a lógica brutal enunciada por Joaquim Barbosa, segundo a qual roubo é roubo, ladrão é ladrão, fatos são fatos..Ocorre que, por muitas razões, não é este o modelo de raciocínio que as pessoas utilizam no mundo da política.
Tenho dificuldades para imaginar que outro partido, que não o PT, teria a capacidade de atravessar praticamente incólume a um julgamento como o que estamos assistindo, já em seus momentos finais, no STF. Por ampla maioria, a Suprema Corte do País, com sete de seus onze ministros indicados pelos presidentes Lula e Dilma, condenou a cúpula histórica do partido, nos termos que todos conhecemos. O processo já vai ingressando no terreno da história. Na linguagem do mercado financeira, seu custo eleitoral já está precificado, e parece ter sido, no fim das contas, irrelevante.
Trata-se de um intrigante caso de resiliência política. Na véspera do julgamento, havia a expectativa de que ele funcionasse como um divisor de águas, espécie de redenção ética da vida publica brasileira. Otimismo tropical. É possível que as máscaras de Joaquim Barbosa sejam as mais vendidas no carnaval, mas, concluído o processo eleitoral, no mundo real da política (e independentemente do gosto partidário de cada um), é José Dirceu quem comemora o “troco”, nas eleições.
Muita tinta ainda vai se gastar para explicar este fenômeno. Um bom ponto de partida é compreender uma distinção elementar entre o mundo da política e o mundo jurídico. No mundo jurídico, faz todo sentido a lógica brutal enunciada por Joaquim Barbosa, segundo a qual roubo é roubo, ladrão é ladrão, fatos são fatos. É a mesma lógica simples que guia a vida das pessoas, dia a dia, quando educam os seus filhos, pagam suas contas e devolvem o troco dado a mais na padaria. Ocorre que, por muitas razões, não é este o modelo de raciocínio que as pessoas utilizam no mundo da política. Expressão maior desta dicotomia é o argumento que, em ultima instância, sustentou a defesa dos réus do mensalão: a tese segundo a qual não havia, efetivamente, nenhum criminoso entre os acusados, visto que nenhum roubara para fins pessoais, e sim meramente políticos.
O PT tem mostrado dominar à perfeição a arte de lidar neste mundo fluido da política. E o faz com duas vantagens cruciais: aparece como protagonista de uma historia contada e recontada, em nossa cultura política, segundo a qual a “esquerda” é ética e democrática, enquanto a “direita” é corrupta e autoritária. E esta, num argumento circular, define-se pelo ato de opor-se ao próprio Partido. A segunda vantagem é a competência para colocar em marcha uma gigantesca operação gramsciana: um exército de intelectuais, professores, jornalistas e ativistas de todos os tipos, em geral no controle de organizações sindicais, comunitárias, estudantis e afins, reverberando os argumentos que interessam ao partido a cada momento, em uma apaixonada “guerra de posições” pela hegemonia política.
Não há dúvidas de que o julgamento do mensalão pertence à história da república. E só a ela. A desconstrução do mundo macunaímico da política, que o STF, sob a batuta de Joaquim Barbosa, produziu, simplesmente pela afirmação de fatos e valores amplamente compartilhados, não terá, ao que parece, qualquer efeito educativo perceptível em nossa vida pública, ao menos há curto prazo. Quem sabe suas lições sejam digeridas, muito lentamente, no futuro, pelos historiadores de ofício, e sirvam de aprendizado para uma nova compreensão ética da vida republicana.


(*) Fernando Luís Schüler é Doutor em Filosofia (UFRGS) e Diretor do Ibmec RJ
(Publicado no jornal "O GLOBO" em 30\10\12)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O TEMPO DO CONSERTO



"Incompetência e obtusidade de quem não admite que errou, que é hora de parar, de falar, de consertar o que ainda não está perdido, mantêm esse ritmo de queda veloz. Afundamos cada dia mais."


                                                             Lya Luft                        (Foto:fliporto.net)

Quando venho ao computador escrever esta coluna, trago comigo o tema já pensado. Muitas vezes, porém, quando começo a refletir, tenho a impressão de que me repito, de que nós todos nos repetimos, incansavelmente nestes últimos tempos, descrevendo as insanidades que não param. Frases sem sentido, afirmações loucas, brigas despudoradas e despudoradas deslealdades, tudo com uma naturalidade assustadora. Quando me contaram a historinha real do assaltante que levou de uma conhecida todos os pertences e o carro, e lhe apalpou o peito — dizendo, quando ela instintivamente se encolheu: "É pra ver se tu tem arma, dona, não te preocupa que a gente tem ética" —, lembrei dos tempos que correm.

Lembrei de nós, o país, o povo e as lideranças: ainda há, nesse palco vergonhoso, quem use o termo "ética"? Penso que sim, pois falta de ética implica o uso despudorado da palavra. Ninguém parece entender nada. Somos uma nau sem rumo, sem comandante, pobre Titanic sem majestade, mas com gente ajeitando a cadeira no convés para observar o espetáculo, e muitos nas margens (pode ser mar, rio ou poço o lugar do afundamento, tanto faz), apostando: "Agora vai! Ainda não vai! Vai de proa primeiro! Aquele vai cair da amurada! Outro subiu no mastro pra espiar a melhor salvação! Um deles subiu para de lá cuspir nos de baixo!".

O cansaço vai nos abatendo, já não torcemos pelo mocinho, nem acreditamos em mocinho. Alguém disse recentemente que nesse faroeste "são todos bandidos". Feito uma bactéria ou vírus, tudo isso nos deixa atordoados e quase sem reação. A reação, bonita, vem nas ruas, onde se mostra a alma do povo que vai deixando de ser bobo. Reconhecemos quem nos meteu nesse fantástico embrulho de uma dívida que não contraímos, responsabilidade de quem deveria nos liderar. Porém, incompetência e obtusidade de quem não admite que errou, que é hora de parar, de falar, de consertar o que ainda não está perdido, mantêm esse ritmo de queda veloz.

Afundamos cada dia mais. Cada dia notícias mais incríveis (agora, parece, o Planalto culpa o ministro Joaquim Levy pelo quase total descrédito do governo). Cada manhã acordo pensando que algo terá mudado. Cada manhã vejo jornais e TV esperando que algo gravíssimo, mas positivo, tenha ocorrido. Teremos de novo esperança de salvar o pobre Titanic brasileiro, e nós todos com ele. Cada manhã tenho de reconhecer que na essência nada mudou; apenas novas maluquices, trapalhadas e traições, rasteiras, invenções, reafirmações insanas ilustram nosso novo dia.

Parece que a Bolívia avisou que vai invadir o Brasil se a presidente cair; parece que não há nenhum líder possível à vista, pois o número de rabos enrolados se multiplica, e como é que a gente não sabia? Ou adivinhava algumas coisas, mas deixava pra lá? Personagens importantes e importantíssimas na vida pública e privada, que nos inspiravam, quem sabe, faziam suas tramoias pelas quais hoje o país e cada um de nós pagam alheios pecados mortais.

Sobem os impostos, mas cai a precária qualidade de vida. Sobem as dívidas: o Itamaraty deve fortunas no exterior, por extravagâncias em viagens oficiais; falta papel higiênico nas embaixadas, falta dinheiro de moradia, estudo, alimentação — ou passagem de volta para casa a estudantes para lá enviados com grande alarde e entusiasmo, mas bases furadas — e aqui no Brasil desisto de comentar a pobreza que se espalha, a ruína material e intelectual da nossa educação, das universidades às creches, a agonia da saúde dos postos aos hospitais, e a inexistente sesurança... Já tivemos isso um dia? Gomo era mesmo quando a gente podia sair às ruas em paz?

Enquanto desemprego e pobreza se multiplicam, o Senado dá um aumento de 41% ao Ministério Público, e o Planalto dá 500 milhões de reais à sua base aliada no Congresso. Que a lei e alguns homens honrados nos livrem desses vexames, e que preservemos, senão o otimismo, o teto sobre a cabeça, o feijão no prato e, com muita sorte, o filho na escola. Que seja logo. Está passando o tempo dos consertos.

 LYA LUFT - 29/08/2015 20:01:00 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Um Ilustre e Desconhecido Resendense



Em 2009, sem alarde e discretamente, um resendense tomou posse como Auditor e Ministro-Substituto no TCU; um dos cargos concursados mais importante da República. Agora, em 2015, pode vir a ser um voto decisivo nos destinos do governo e da nação brasileira.


Bacharel  André Luís de Carvalho ao discursar em sua posse no TCU


Em solene sessão extraordinária do Plenário do Tribunal de Contas da União (TCU), aos 30 de abril de 2008, cumprindo Decreto Presidencial de 13/08/2007, na "Sala de Sessões Ministro Luciano Brandão Alves de Souza" do TCU, foi empossado no cargo de Auditor e Ministro Substituto do TCU o resendense André Luís de Carvalho. O ato foi conduzido pelo então Presidente do TCU Ministro Walton Alencar Rodrigues, e prestigiado por autoridades civis, ministros do TCU, parlamentares, oficiais generais das Forças Armadas, representantes do Ministério Público, servidores da Casa, parentes e amigos. Após a execução do Hino Nacional Brasileiro, o Auditor Augusto Shermam saudou o empossado, enaltecendo as qualidades do novo Auditor e fez um relato sobre a vida pessoal e acadêmica de André, com destaque para o fato de que o concurso público para auditor do TCU, "é dos mais complexos e difíceis da República", tendo na banca examinadora Ministros do Superior Tribunal Federal (STF) como Gilmar Mendes e Ayres Brito, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio Noronha e o ex-Ministro de Estado Bresser Pereira. André foi o 1º colocado entre dez brilhantes concorrentes. O ponto alto da solenidade foi o discurso de André, dedicando, muito emocionado e embargado, "a celebração da posse como vitória de minha mãe, que entregou sua vida à educação dos filhos", ressaltando ainda que sua esposa (Adriana) e filhos (Mateus e Juliana) foram sua inspiração para uma vida melhor. Detalhe importante: o TCU abriga em seus quadros apenas quatro Auditores/Ministros Substitutos. 
Resende tem um de seus filhos ocupando discretamente, com méritos e sem alarde, um dos mais altos cargos concursados da República.
De família humilde, André é filho do casal Aurélio e Nilma de Souza Carvalho. Ele (já falecido), alfaiate nascido na Vila da Fumaça e ela, costureira, nascida em Bulhões. Moravam em frente à Igreja São Sebastião, ao lado do conhecido Bar do Élcio. Sem o pai desde os sete anos, foi criado pela mãe juntamente com seus irmãos: Yara, Jorge Luís e Kátia Valéria. Todos com formação superior (Comunicação, Economia e Direito, respectivamente). Dª. Nilma criou sozinha e com muitas dificuldades os quatro filhos, "costurando até altas horas da madrugada, em máquina de pedal, e no dia seguinte levantava-se cedinho para me levar em longa caminhada até a escola" nas palavras emocionadas de André na solenidade de posse. Na educação familiar, Dª Nilma priorizou aos filhos, com veemência e rigor, a religião, os estudos, a moral, a ética e a honestidade, dentre outros valores. Foi assim que o menino André formou sua forte personalidade, seu caráter e se preparou para ser hoje um julgador. A incansável e combativa Dª Nilma parou de costurar e continua a dar bons exemplos, dedicando parte de seu tempo ajudando seus semelhantes como voluntária na "Pastoral da Saúde" da Matriz de N.S. da Conceição. André fez os cursos regulares em escolas públicas de Resende: G.E. Olavo Bilac, João Maia e Souza Dantas, sempre com destaque pelas altas notas que alcançava. Antes de completar 16 anos foi para a Escola Preparatória de Cadetes (Campinas) e em 1986 graduou-se em 1º lugar como Bacharel em Ciências Militares da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), tendo passado para a Reserva (a pedido) em 1999 com a patente de Capitão, quando assumiria o Comando da 14ª Cia. de Comunicação Mecanizada em Campo Grande (MS), para se dedicar ao estudo das Leis e ao Magistério, que já exercia no Exército (veja detalhes abaixo). O caminho rumo ao cargo de Ministro do Tribunal de Contas da União está aplainado. Parabéns André, agora você deixa de ser um ilustre desconhecido em Resende e se torna um maiúsculo Resendense Ilustre. 
Em tempo: Sua irmã, Yara, é casada com Salvatore Veltri, o popular Salvador da banca de jornais do "Alô", em Campos Elíseos. 

Conhecendo melhor o Dr. André Luís de Carvalho:
Naturalidade: Resende " RJ, nascido em 14 de julho de 1965.

Formação acadêmica

1. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário Euroamericano, Brasília " DF: 2005.
2. Mestre em Aplicações Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, Rio de Janeiro " RJ: 1993. 
3. Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, Resende " RJ: 1986.

Histórico Profissional

1. Auditor (Ministro-Substituto) do Tribunal de Contas da União.
2. Analista de Controle Externo do TCU, de 1999 a 2008, tendo exercido as funções de Chefe de Gabinete do Ministro Augusto Nardes, em 2006/08, de Assessor do Ministro Guilherme Palmeira, em 2004/05, e de Assessor do Ministro-Substituto Lincoln Magalhães da Rocha, em 2003.
3. Auditor (Conselheiro-Substituto) do Tribunal de Contas do Estado de Goiás, em 2000.
4. Capitão da reserva do Exército, foi nomeado Comandante da 14ª Companhia de Comunicações Mecanizada (Campo Grande " MS), em 1999, além de ter exercido as funções de: Chefe da Seção de Administração e Fiscal Administrativo no Parque Regional de Manutenção da 1ª Região Militar (Rio de Janeiro " RJ), em 1998/99; Instrutor do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (Rio de Janeiro " RJ), em 1995/97; Instrutor-Chefe do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva na 5ª Companhia de Comunicações Blindada (Curitiba " PR), em 1994; Chefe de Operações, Chefe da Seção de Administração e Fiscal Administrativo na 5ª Companhia de Comunicações Blindada (Curitiba " PR), em 1992, Instrutor do Curso Avançado (2º Ano) da Academia Militar das Agulhas Negras (Resende " RJ), em 1989/91; e Comandante de Pelotão na 2ª Companhia de Comunicações Blindada (Campinas " SP), em 1987/88.

Experiência no exercício do Magistério

1. Universidade Católica de Brasília: professor do Curso de Direito, na disciplina Direito Constitucional.
2. Universidade de Brasília, Faculdade de Economia, Administração e Ciência da Informação e Documentação; Centro de Estudos Avançados em Governo e Administração Pública: professor de Direito Financeiro, de Direito Constitucional e de Direito Administrativo no curso de especialização em controle da gestão pública.
3.Fundação Getúlio Vargas: FGV Management, Brasília " DF: professor, desde 2002, de Controladoria do Setor Público no MBA em Controladoria e Finanças.
4. Associação Brasileira de Orçamento Público " ABOP: professor de Direito Administrativo e Controle Externo.
5. Instrutor do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, pós-graduação stricto sensu, da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (Rio de Janeiro " RJ), 1995/97.
6. Instrutor-Chefe do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva na 5ª Companhia de Comunicações Blindada (Curitiba " PR), 1994.
7. Instrutor do Curso Avançado (2° Ano) da Academia Militar das Agulhas Negras (Resende " RJ), 1989/91.

Artigos publicados

1. "Súmula Vinculante n.° 3 do STF: considerações e alcance." Revista Âmbito Jurídico ISSN 1518-0360 41 " n° 41 " Ano X, maio de 2007.
2. "Municípios em território federal, e o auxílio ao controle externo?". Revista Âmbito Jurídico ISSN 1518-0360 41 " n° 41 " Ano X, maio de 2007.

Títulos honoríficos

1. Medalha Marechal Hermes, Aplicação e Estudo, Prata com duas coroas, por ter obtido o 1° lugar no curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e o 1°lugar no curso da Academia Militar das Agulhas Negras.
2. Medalha "Estrella Militar" das Forças Armadas, no grau de "Estrella Militar", outorgada pelo Ministro da Defesa Nacional da República do Chile, em 1989.
3. Medalha Militar de Prata com passador de Prata, por contar mais de dez anos de bons serviços prestados ao Exército Brasileiro, outorgada pelo Diretor de Cadastro e Avaliação, em 1990.
4. Medalha do Pacificador, outorgada pelo Comandante do Exército Brasileiro, em 25 de agosto de 2008.

Aprovação em Concursos Públicos

1. Auditor (Ministro-Substituto) do Tribunal de Contas da União " CESPE 2007: 1º lugar;
2. Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União " CESPE 2004: 2º lugar;
3. Auditor (Conselheiro-Substituto) do Tribunal de Contas do Distrito Federal " CESPE 2003: 1º lugar;
4. Conselheiro-Substituto do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo " ESAF 2001: 5º lugar;
5. Analista de Controle Externo do Tribunal de Contas da União " ESAF 2000: 4º lugar;
6. Conselheiro-Substituto do Tribunal de Contas do Estado de Goiás " CESPE 2000: 2º lugar;
7. Analista de Controle Externo do Tribunal de Contas da União " CESPE 1999: 6º lugar.


Tribunal de Contas da União - Breve histórico:

A história do controle no Brasil remonta ao período colonial. Em 1680, foram criadas as Juntas das Fazendas das Capitanias e a Junta da Fazenda do Rio de Janeiro, jurisdicionadas a Portugal.
Em 1808, na administração de D. João VI, foi instalado o Erário Régio e criado o Conselho da Fazenda, que tinha como atribuição acompanhar a execução da despesa pública.

Somente a queda do Império e as reformas político-administrativas da jovem República tornaram realidade, finalmente, o Tribunal de Contas da União. Em 7 de novembro de 1890, por iniciativa do então Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, o Decreto nº 966-A criou o Tribunal de Contas da União, norteado pelos princípios da autonomia, fiscalização, julgamento, vigilância e energia.
A Constituição de 1891, a primeira republicana, ainda por influência de Rui Barbosa, institucionalizou definitivamente o Tribunal de Contas da União, inscrevendo-o no seu art. 89. 

Finalmente, com a Constituição de 1988, o Tribunal de Contas da União teve a sua jurisdição e competência substancialmente ampliadas. Recebeu poderes para, no auxílio ao Congresso Nacional, exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, à legitimidade e à economicidade e a fiscalização da aplicação das subvenções e da renúncia de receitas. Qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária tem o dever de prestar contas ao TCU.

Reportagem e Pesquisa: Fernando Lemos (MTb-RJ 16555)
Fontes: Site do Tribunal de Contas da União, DVD e CD de fotos da posse (TCU/SEMIT), entrevista com Dª Nilma de Souza Carvalho.
Colaboração: Rosamaria Rocha da Silva.




Nota: Postagem de nossa autoria publicada originalmente
no site "Resende Notícias" em 23/01/2009


sábado, 17 de janeiro de 2015

FRANCISCO, O PAPA QUE JOGOU O NOVO TESTAMENTO NO LIXO



Papa Francisco e o "murro"


“Vamos falar sobre Paris, sejamos claro”. O papa então disse: “Temos a obrigação de falar abertamente, de ter esta liberdade, mas sem ofender. É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se Gasbarri, grande amigo, diz uma palavra feia sobre minha mãe, pode esperar um murro. É normal!”, assegurou. “Dei este exemplo para dizer que na liberdade de expressão há limites, como o que Gasbarri disse da minha mãe”, disse o papa aos jornalistas. Francisco ainda lamentou que exista “muita gente que fala mal de outras religiões ou das religiões”. Para o pontífice, estas pessoas “provocam".
(Veja Digital)



A Bíblia - Edição de 1828
A BÍBLIA - NOVO TESTAMENTO
(Typographia de Bagster e Thoms, Bartolomew Close - Londres - 1828)

"Mas digo-vos a vós outros, que me ouvis: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos tem ódio. Dizei bem dos que dizem mal de vós, e orai pelos que vos caluniam. E ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. E ao que te tirar a capa, não defendas levar também a túnica. E dá a todo aquele que te pedir e ao que tomar o que te deu, não lho tornes a pedir. E o que quereis que vos façam a vós os homens, isso mesmo fazei vós a eles. E se vós amais aos que vos amam, que merecimento é o que vós tereis? Porque os pecadores também amam aos que os amam a eles. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que merecimento é o que vós tereis? Porque isto mesmo fazem também os pecadores." (LUCAS VI:27-33)

SOBRE CHARLIE EBDO E O PAPA FRANCISCO

Reinaldo Azevedo - 15/01/2015 às 17:07

PAPA FRANCISCO TROPEÇA NA SANDÁLIA DO PESCADOR DE ÁGUAS TURVAS E DIZ BESTEIRA. OU: BERGOGLIO ESTÁ PREPARADO PARA CURA DE ALDEIA, NÃO PARA CHEFE DA IGREJA CATÓLICA

O mundo vive uma crise de liderança sem igual. Em toda parte. Onde está Barack Obama, presidente dos EUA? Deixem-me ver. Ele tentou transformar em notícia desta quinta mais um passo do governo americano na aproximação com… Cuba! Quem se importa com essa bananice? No comando da Igreja Católica, está um jesuíta com formação teológica precária, talhado, como diz um meu amigo italiano, para ser “cura de aldeia”, não o chefe da Igreja. Sim, ele é o líder máximo da minha religião, mas suas ambiguidades me incomodam.

Se concede uma entrevista sobre o aborto, depois é preciso esclarecer pontos obscuros de sua fala; se tece considerações sobre catolicismo e homossexualidade, logo é preciso que o Vaticano esclareça o que quis dizer. Faço aqui uma ironia delicada: jesuítas sempre foram de uma inteligência política ímpar, mas, em matéria de teologia, não são aquilo tudo… E Padre Vieira? Foi o maior prosador da língua portuguesa e um… grande político. Na teologia, forçava a mão.

O ex-peronista Bergoglio não me entusiasma nem como teólogo, o que ele não é, nem como liderança política — e seu posto também tem esse significado. Parece-me viciado em aprovação popular. “E João Paulo II não era assim?”, poderia indagar alguém. Não à custa da clareza, respondo eu.

O papa falou a jornalistas durante uma viagem do Sri Lanka às Filipinas. Indagado sobre o ataque ao jornal francês “Charlie Hebdo”, saiu-se com a ambiguidade de hábito. Reconheceu que tanto a liberdade religiosa como a de expressão são “direitos humanos fundamentais”. Mas considerou: “Temos a obrigação de falar abertamente, de ter esta liberdade, mas sem ofender”.

É claro que ninguém defende o direito natural à ofensa. O ponto não é esse. A questão é saber como devem reagir os que se consideram ofendidos. O papa afirmou, sim, que não se deve matar em nome de Deus, mas se saiu com um exemplo de uma pobreza, lamento dizer, estúpida. Até botou a mãe no meio. Disse: “Temos a obrigação de falar abertamente, de ter esta liberdade, mas sem ofender. É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se Gasbarri, grande amigo, diz uma palavra feia sobre minha mãe, pode esperar um murro. É normal!”.

O exemplo é de um didatismo pedestre. Não é uma fala para ser entendida pelos simples, como devem fazer os cristãos, mas para excitar os tolos. Em primeiro lugar, “papa” e “murro” não devem se misturar numa mesma frase. Em segundo lugar, a sua metáfora cretina, queira ele ou não, justifica o ataque terrorista. Afinal, para os extremistas, eles apenas deram “um murro” — a seu modo — porque provocados.

A fala se dá em meio a outras declarações delinquentes. Ahmet Davutoglu, primeiro-ministro da Turquia, comparou seu congênere israelense, Benyamin Netanyahu, aos terroristas de Paris. Lideranças muçulmanas mundo afora têm se manifestado de forma ambígua sobre os ataques, sempre partindo desse lamentável ponto de vista do papa: “Eles falaram mal de nossa mãe” — no caso, do “nosso Profeta”.

Bergoglio, dito Francisco, deveria se calar. Ser ambíguo sobre aborto, homossexuais ou casamento de padres só traz alguma turbulência à própria Igreja. Ser ambíguo sobre terrorismo pode ser muito perigoso. A propósito: se alguém insultar Cristo, que tipo de “murro” o papa acha que os católicos devem dar?

sábado, 10 de janeiro de 2015

JORNAL NACIONAL "PAGA MICO" INTERNACIONAL!!!




Informação nem sempre confiável


A equipe do Jornal Nacional, o mais assistido noticiário da TV brasileira, produzido pela Rede Globo de Televisão, no açodamento da exclusividade que lhe é peculiar, acabou protagonizando um dos maiores "micos" da televisão mundial ao informar - e mostrar - um cartaz do que seria a próxima capa do jornal "Charlie Hebdo", vítima de atentado na França no último dia 7 de janeiro, e que praticamente dizimou a equipe de chargistas e cartunistas que produzia aquela publicação. 




Na edição da hoje do informativo global, o repórter e correspondente internacional André Luiz Azevedo mostrou a todos os jornalistas e repórteres presentes no saguão do "La Libération"; que cedeu espaço para que "os sobreviventes" do Charlie Hebdo possam editar a histórica edição - tiragem prevista de um milhão de exemplares - o que seria a primeira página da próxima edição. Aliás, o termo "Os Sobreviventes" deverá ser o tema da primeira edição após o atentado e que deverá circular já na  quarta feira que vem - 14 de janeiro.




Na verdade, a propalada "primeira página" era apenas a reprodução de uma edição de novembro de 2011, publicada em conjunto com o "La Libération" por conta de uma bomba incendiária que destruiu parte das instalações do jornal satírico à época, e que contou com a colaboração do "La Libération" para que não houvesse interrupção na circulação do "Charlie Ebdo".

Edição de novembro de 2011 mostrada como se fosse a próxima
do jornal satírico "Charlie Hebdo"

Para assistir ao vídeo da reportagem do Jornal Nacional (se é que ainda não foi editado ou retirado da página do JN), clique aqui.



Por: Fernando Lemos - 09/01/2014




sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Filhos de Gandhi: o pacifismo sob a ótica de Orwell


UM TEXTO ENXUTO, LÚCIDO E ATUALÍSSIMO

Mohandas Karamchand Gandhi


“O jeito mais fácil de terminar uma guerra é perdê-la.” (George Orwell)

Basta mencionar o nome Gandhi para que automaticamente muitos se lembrem do pacifismo como um meio para um fim nobre, que é a paz. “Olho por olho e o mundo acabará cego”, eis o resumo da doutrina gandhiana. Em muitos aspectos, essa doutrina remete aos ensinamentos de Cristo, que teria dito no famoso Sermão da Montanha: “Ouviste o que foi dito: olho por olho e dente por dente; Eu, porém, te digo que não resistas ao mau; mas se alguém te bater na tua face direita, oferece-lhe também a outra”. Em resumo, jogar fora a lex talionis e responder à violência com amor. O próprio Gandhi afirmara que “Cristo é a maior fonte de força espiritual que o homem até hoje conheceu”. E para ele, “a força de um homem e de um povo está na não-violência”.
Tudo isso parece, sem dúvida, muito bonito e nobre. Normalmente, aquele que propaga tais ideais adquire um ar de nobreza, de boa alma imbuída das mais belas virtudes. Quem poderia ser contrário à paz? Ocorre que a paz é uma finalidade, e existem diferentes meios para alcançá-la. Nem sempre o meio pacífico será o melhor. Muitas vezes será necessário, no mundo real, combater violência com violência, ou pelo menos com a ameaça de seu uso. Seria preciso combinar com o inimigo antes a estratégia de paz e amor. Afinal, para o pacifista retribuir chumbo com rosas, é crucial que ele esteja vivo acima de tudo. Mortos não costumam reagir a estímulo algum.
George Orwell foi, como jornalista, bastante realista. Em um artigo de 1948, chamado A Defesa da Liberdade, expressou sua opinião resumida sobre os métodos políticos de Gandhi, tendo como base o livro Gandhi e Stalin, de Louis Fischer: “Gandhi jamais lidou com um poder totalitarista. Lidava com um despotismo antiquado e um tanto vacilante, que o tratava de um modo razoavelmente cavalheiresco e lhe permitia a cada passo invocar a opinião pública mundial”.
Ele continua: “É difícil reconhecer como sua estratégia de greve de fome e desobediência civil poderia ser aplicada em um país onde os oponentes políticos simplesmente desaparecem e o público nada ouve além do que lhe permite o governo”. Ou seja: se Gandhi obteve algum sucesso com seu pacifismo romântico, isso se deveu ao fato de ser a Inglaterra do outro lado. Fosse um Stalin, por exemplo, e Gandhi seria apenas mais um mártir, um cadáver perdido numa pilha incontável. Não é preciso ficar na especulação: Dalai Lama adotou uma postura similar e isso nunca impediu que o povo tibetano fosse dizimado pelos chineses.
Um ano após o artigo de Orwell, Pablo Picasso estaria criando uma litografia para o cartaz do Congresso Mundial da Paz em Paris, que eternizou a pomba como símbolo dos pacifistas. Paradoxalmente, o evento era financiado pelos assassinos de Moscou. Picasso foi simpático ao comunismo, e chegou a ser agraciado com o Prêmio Lênin da Paz. Desconheço contradição maior que utilizar Lênin e paz na mesma expressão.
Os comunistas sempre fizeram muita propaganda pela paz, enquanto, na prática, foram sempre seus maiores inimigos. Tentavam monopolizar os fins para não terem que debater os meios, e desta maneira, todos que não compartilhavam dos seus slogans românticos eram belicosos ou assassinos em potencial. Foi assim que os comunistas franceses exortaram os soldados a abandonar seus postos poucas semanas antes de Hitler invadir a França. Oferecer a outra face para alguém como Hitler é o caminho certo para a destruição.
Ainda hoje nota-se que muitos seguem os passos de Gandhi, sempre reagindo com discursos lindos quando a escalada da violência é brutal. Basta dar carinho que os psicopatas assassinos poderão virar bons samaritanos. A impunidade permanece e o convite ao crime fica irresistível para os delinqüentes. Assim, os filhos de Gandhi saem às ruas com suas camisetas brancas na cruzada pela paz, já que cruzadas costumam valer mais pelo sentimento de bem-estar que incutem nos seguidores do que pelos resultados práticos concretos. Os criminosos agradecem. Olho por olho, e a humanidade acabará cega. Olho por rosas, e somente uma parte da humanidade acabará cega: a parte boa.
Texto presente em “Uma luz na escuridão”, minha coletânea de resenhas de 2008.
Rodrigo Constantino



domingo, 8 de junho de 2014

TAÇA JULES RIMET: Uma gloriosa, triste e vergonhosa história.


O orgulho nacional do futebol brasileiro estava materializado em um símbolo que há 33 anos deixou de estar sob o domínio da nação mais vitoriosa no esporte. 
O sumiço da taça Jules Rimet, roubada facilmente da sede da CBF no Rio de Janeiro em dezembro de 1983, por descuido e  total falta de desvelo da entidade máxima do nosso futebol, e que foi posteriormente derretida por um argentino; é uma vergonha incomensurável para a "pátria de chuteiras" ou "o país do futebol". 
Criada em 1929 pelo então presidente da Fifa, Jules Rimet para ser disputada por países do mundo inteiro, se tornaria domínio definitivo daquele que vencesse o torneio por 3 vezes. E o Brasil conquistou esse direito em 1970 no México, depois de vencer as copas de 1958 na Suécia e 1962 no Chile.
Naquele tempo não existia ainda o padrão FIFA (bilhões de reais) na disputa das Copas, mas apenas o simples e humilde padrão FUTEBOL. E hoje a grande mídia divulga e promove a copa de 2014 aqui no Brasil contando estórias e mais estórias da vida dos jogadores, nos entupindo de comerciais de patrocínio, mas não menciona nada sobre o criador do torneio, não lhe dedica uma simples e merecida homenagem como se ele não existisse, e trata da mesma forma a triste e vergonhosa história do fim melancólico de nosso maior símbolo de conquista futebolística: A TAÇA JULES RIMET.  

Foto da Taça Jules Rimet  - (Museu do Futebol)

Em 1983, a taça do tri campeonato mundial foi roubada da sede da CBF, para vergonha e tristeza nacional e escândalo vexaminoso internacional.

Os ladrões achavam que tinham conseguido arranjar dinheiro fácil. Não imaginavam que todos, sem exceção, estavam se metendo numa estranha história de mortes, prisões, torturas e humilhações. 

Durante um jogo de baralho num Bar de Santo Cristo, bairro na zona portuária do Rio de Janeiro, Sérgio Pereira Ayres, o Peralta, tentou convencer Antônio Setta, sujeito afeito a pequenos furtos, a participar de um roubo. Não seria um crime comum. O objetivo era pegar a Taça Jules Rimet e seu 1,8 quilos de ouro. 
Gerente de banco e dizendo-se representante do Atlético Mineiro (fato negado pelo clube), Peralta conhecia o prédio da entidade, no centro do Rio de Janeiro. Sabia também que haviam duas taças. A réplica, guardada num cofre, e a original, exposta na sala de troféus. Como pareciam especialistas em idiotices, os cartolas da CBF, além da bestice de guardar a réplica no cofre e deixar a original em exposição, ainda mandaram fazer uma caixa de vidro à prova de balas, mas com o fundo preso, com pregos, na parede. Mas, Antônio Setta recusou o "serviço". Lembrou do irmão que morreu de infarto na final da Copa de 1970. 
Dois meses depois, a noticia sobre o roubo da taça se espalhou pelo país. Ao encontrar um policial seu conhecido numa roda de jogo, Setta passou a bola. Ele contou que Peralta planejara o serviço. Peralta tinha 35 anos na época, era solteiro e morava em Santo Cristo. E foi na mesa de carteado, onde Setta recusara o convite, que Peralta encontrou os dois cúmplices de que precisava: José Luiz Vieira da Silva, o Luiz Bigode, e Francisco José Rocha Rivera, o Chico Barbudo. Bigode era decorador e Chico Barbudo fazia bicos comprando e vendendo ouro. Na noite de 19 de dezembro de 1983, Barbudo e Bigode, seguindo orientação de Peralta, roubaram a Taça Jules Rimet e mais 3 peças da sede da CBF. 


"Fac símile" de jornal da época. (Foto web)

As quatro peças roubadas da CBF  na noite de 19 de dezembro de 1983.

Na véspera, o futebol entrara de férias pelo país afora e aquela noite de segunda feira tinha tudo para ser bem calma na rotina de João Batista Maia, vigia do prédio da Confederação Brasileira de Futebol, na rua da Alfândega, 70, no centro do Rio. Por volta das 21 horas, tudo mudou. Dois homens renderam o vigia Maia, que foi amordaçado, amarrado e teve os olhos vendados com esparadrapo. De posse das chaves das salas, os dois ladrões subiram aos 9º andar, onde ficava a Taça. Ela estava protegida por uma caixa de vidro à prova de balas, mas com o fundo pregado na parede com apenas 4 pregos. Um pé de cabra resolveu a questão. Barbudo e Bigode pegaram a "Jules Rimet", mais outras duas taças (Independência e Equitativa), um troféu (Jarrito de Ouro) e fugiram. A ação não durou mais que 20 minutos. Ambos teriam se encontrado com Sérgio Peralta, autor intelectual do crime, e, em data incerta até hoje, repassaram o troféu para Juan Carlos Hernandes, o argentino dono de uma loja de comércio de ouro. No seu escritório, Hernandes tinha o equipamento necessário para derreter a taça. Mas ele só podia fundir no máximo 250 gramas por vez. O jeito foi cortar a Jules Rimet em pedaços. Assim foi feito numa operação que durou menos de sete horas. Derretida, a taça virou barras de ouro e desapareceu para sempre. 


Charge: Diogo - Jornal da Tarde
Sob pressão de seus superiores, que queriam a solução rápida de um caso com repercussão mundial, os policiais ficaram entusiasmados quando Setta denunciou Peralta. No dia 25 de janeiro de 1984, Peralta foi preso quando andava na Avenida Beira Mar, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele teve seu rosto coberto por um capuz, jogado no chão de um carro e levado para um lugar desconhecido onde ficou três dias sem comer. Foi torturado. Peralta, Bigode e Barbudo, mentor e executores foram presos. Mas, onde estava a taça? Com eles não estava. Havia, portanto, um receptador na história, alguém que ficara com a mercadoria roubada. Em fevereiro de 1984, doze policiais invadiram uma loja de comércio de ouro, no centro do Rio. Curiosamente, um mês antes , o estabelecimento mudara a razão social para o sugestivo nome de “Aurimet”, que, numa leitura livre, podia ser a combinação de “AURI” (prefixo de ouro), e “RIMET” (de Jules Rimet). O nome antigo era J. C. Hernandes, de Juan Carlos Hernandes, o argentino que costumava negociar com Chico Barbudo e que fora acusado por este de ter ficado com o troféu. Na verdade, ninguém tinha mais a taça do tri. Ele fora cortada, derretida e passada para frente. Acabara. Depois de alguns meses na prisão, em 1984, o quarteto passou a acompanhar o processo em liberdade. Em 1988, veio a sentença. Para Peralta, o mentor, cinco anos de cadeia. Para os ladrões, seis anos. Para o receptador, três anos. Logo após o anúncio, o quarteto desapareceu. Peralta somente foi preso em 1994, em Cabo Frio. Foi para o presidio Esmeraldino Bandeira, em Bangú. Em setembro de 1998 ganhou liberdade condicional. Chico Barbudo não ficou muito tempo foragido. No dia 28 de setembro de 1989, ele foi assassinado num bar, em Santo Cristo. Em dezembro de 1985, Antônio Setta, o alcagüete, foi vítima de um acidente automobilístico fatal, próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas. Setta tinha uma audiência no tribunal naquela semana. Luiz Bigode foi capturado pela Policia em 1995. Passou três anos trancafiado em Bangú e, em 1998 vivia em regime semi aberto na Colônia Agrícola de Magé. Preso por policiais ao desembarcar na Rodoviária de São Paulo, Juan Carlos Hernandes, foi reconhecido pelo delegado Marcelo Itagiba da Divisão de Repressão e Entorpecentes da Policia Federal. Hernandes se juntou ao destino dos seus outros três comparsas no crime. Nenhum ficou rico, todos perderam o que tinham na época do escândalo e garantem ter sido torturados pela policia. Um deles morreu assassinado. Outro cumpre pena na Colônia Agrícola de Magé, no Rio de Janeiro. Hernandes foi transferido para uma cela com outros 27 presos na Politer carioca. O quarto acusado de ser o mentor do sumiço, vive hoje em liberdade condicional, mas sabe que uma espécie de maldição persegue os envolvidos no escândalo.


Acima, a esquerda, Sérgio Pereira Ayres, o "Peralta" - um dos ladrões da Taça

Foto: Kodak institucional

Carlos Alberto Torres - O "Capitão do Tri" posa com a taça.

Atualização: 02/08/2014 - Novas Fotos

1930 - Francês Jules Rimet à esq. presidente da Fifa entrega o troféu da primeira Copa do Mundo a Raul Jude presidente da Federação Uruguaia de Futebol


A taça Jules Rimet original era assim.


Fonte: Reportagem de Rogério Daflon para a Revista Placar, 1988.
Do blog: ICH LIEBE FUSSBALL
Editado por Fernando Lemos


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