***RUI BARBOSA***

***RUI BARBOSA***
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A LENDA DO TIMBURIBÁ - ORIGINAL NA ÍNTEGRA...


Reedição do original - Gráfica "A Lyra" - Início dos anos 1900
Acervo Fernando Lemos
 Veja original completo no final desta postagem em formato Issuu.




A LENDA DO TYMBURIBÁ
(Tema Indígena - Puris)
Data da publicação: 1883 sob pseudônimo "SILVANO"
(Tipografia do jornal "O Tymburibá" - Resende,RJ)






A propósito do tema indígena:

Há quem se persuada que o tema indígena, confinado nos limites da vida selvagem, por isso mesmo que não tem a opulência dramática dos grandes sucessos como se passam em nossas sociedades, não serve para elevar a concepção estética à altura da arte moderna. Não é assim. O drama impõe-se onde quer que exista o homem com o seu organismo emocional ou afetivo, respire ele o ar da serrania, ou o ambiente das sociedades cultas. E, para um e outro, quem poderia traçar a linha de nível até onde sobem ou descem as suas paixões em alvoroço ?

Nem sempre a vida bárbara se passa entre a guerra desalmada, a vindita feroz e o amor impuro para dizer-se que ela não pode criar, a certos respeitos, situações elevadas.
Na alma do índio feroz e superticioso, não é raro encontrar-se a mesma liga de ouro fino e de metal bastardo que entra na constituição psicológica de nossas sociedades.

Para desconhecer as abundâncias do tema selvagem, é preciso não saber estimar a qualidade dos diamantes que têm colhido nessa seara tantos engenhos nossos, e que em outras literaturas datam já dos “Cantos de Ossian” e dos “Niebelumgem”. Se o gênero presta-se, ou não, as concepções da arte moderna, isso agora é uma questão que não daríamos por líquida, enquanto não viessem dizer-nos onde é que existe a verdade da arte que foi ponto de litígio das duas escolas. O fato é que, sendo os realistas os que se dizem mais adiantados, não há desacerto em expor a natureza tal qual se apresenta em sua nude selvagem, com seus tipos abertos e acima da tarifa das convenções.

Mas, para que agitar uma questão que não pertence a esse século resolver?
Em matéria de literatura temos de andar ainda muito caminho. Como a sociologia progride e com ela os estudos biológicos, tempo virá em que noções mais precisas sobre o homem e as suas relações de sociabilidade hão de modificar o gênio de todos os literatos. Já o disse Jules Rig: “Enquanto o caráter de nossa sociabilidade não for bem acentuado, a vida pública não pode ser idealizada na ordem mais elevada da poesia, seja épica ou dramática.”

Mas a evolução na arte, como nas ciências, têm um processo calmo; e, enquanto é força obedecer às formas literárias do presente, porque não há de ser lícito por em cena a vida selvagem que, a despeito das conquistas da civilização, é ainda uma realidade contemporânea de caráter muito acentuado, e atuando no meio que lhe é próprio.

Nenhuma forma poética mais apropriada ao assunto do que a lenda. Ela não perpetua só o que é grande: grava os feitos heróicos ao lado da paixão bastarda e também do crime que se tornara estupendo. Metade ficção, e metade história, tão livre é a lenda como o poema, ou o romance, na forma do enredo e na pintura dos caracteres.

Assim é que neste conto a parte inventiva liga-se a traços que não repugnam com a tradição, por estarem de acordo com o gênio e costumes da tribo que outrora habitou uma e outra margem do Paraíba.

O velho cacique, por exemplo, vingando-se traiçoeiramente do jovem guerreiro que inquietava o seu orgulho de chefe, não destoa da insidiosa do aborígene, quando sente que lhe falecem as forças para empunhar o arco da vindita franca e descoberta. Tabára, amando a filha do mesmo cacique até a ferocidade, e alucinado de zelos, exprime o caráter cioso que distingue o homem de sua raça; assim como a fidelidade da Jacyra harmoniza-se com a virtude da esposa selvagem, conforme narram historiadores que falam de costumes indígenas e de suas relações de família.

O que dá ainda um testemunho verossímel do que pode haver de generoso e nobre no coração do gentio é a magnanimidade do guerreiro que após a vitória, poupou a morte do pai de Jacyra, que, segundo os estilos da guerra, tinha de sucumbir varado pela flecha do desafio. Um grande sentimento de justiça manifesta-se finalmente nos remorsos do bárbaro amante, que acaba expiando os seus crimes no suplício da loucura.

Quanto ao velho Tymburibá, que ainda ontem vimos aprumar-se como um obelisco no alto da colina e com a sua comprida cabeleira de musgos infundir-se o respeito de um patriarca dos tempos bíblicos, não lhe podíamos recusar um papel proeminente. De tempos imemoriais, ele foi o comparsa de cena de tantos acontecimentos notáveis; porque não se havia de tornar legendário como os castelos senhoriais da idade média, o subterrâneo, a torre e a liça dos torneios, que fica-
ram impregnado de maravilhas pelos sucessos de que foram teatro e testemunhas? Havia na tragédia antiga, um grupo de figurantes (comparsas) que entravam em cena conservando-se mudos até o fim, e, fazendo séquito com os cronistas, não deixaram de produzir o seu efeito teatral.

Suponha o leitor que o Tymburibá, nesta lenda, não é só uma figura de adorno, mas o solitário da montanha que recolhe em segredo um tesouro de notícias sobre as gerações passadas, julgando os homens das coisas de seu tempo, com a isenção do observador e com a indulgência de um sábio.

Não merecia um lugar de honra?

O Autor


LENDA DO TYMBURIBÁ


I

Jacyra , a formosa indígena de olhos negro-cetim, era filha de Pojú, o velho chefe de uma tribo de puris que viviam aldeados em terras onde é hoje a freguesia de São Vicente Ferrer.

De tão velho que era seu pai, já o arco lhe tremia no punho descarnado e pesava-lhe na cabeça vergada para o chão o cocar de plumas e adereços do tempo das suas façanhas de moço. Era como o tronco da pacobeira que mal sustém o cacho preso a seu turbante de folhas amarelentas.

Assim mesmo decrépito, ninguém lhe falasse sucedê-lo na governança. Dos olhos encovados chispava-o o mesmo lume rábico da pantera que envelhesse no covil, donde outras feras pretendem desalojá-la. E tinha as suas razões para viver picado de zelos.

Tabáta que era a flor dos guerreiros da sua tribo, já uma vez em pocemas frenéticas, ia sendo aclamado chefe após um combate em que só ele deitou por terra, mais de trinta inimigos, trazendo suas cabeças para içar nos postes colocados a frente da cabana do velho cacique. Por infelicidade deste jovem guerreiro, que era seu êmulo, também já tinha senhorado o coração de Jacyra, que o amava com esse amor indomável, próprio da sua raça tisnada pelo fogo dos trópicos.

Seu pai tinha um valido que lhe destinava para esposo: era Imburé, que nem possuía a gentileza de Tabáta e nem sua reputação de intrépido combatente. Jacyra detestava-o, como a narceja vivaz a quem se quisesse prender nas garras de um abutre.

Como era de esperar, o ciúme do amante preterido entrou em pacto sanguinário com os despeitos do cacique ameaçado de perder o mando, e tramaram, ambos, a morte de Tabára.

II

Tinha por vezo o guapo mancebo, quando vinha da caça, trazer para a cabana de Jacyra,a pluma das aves mais lindas com que ela ornava as suas redes finas de tucum, reservando sempre a mais vistosa para o seu cocar de princesa em dia festivo; mas, como o índio aprende com as feras a presentir de longe o fogo cavado pela traição, Tabára não foi mais à cabana de Pojú, passando a colocar aqueles mimos na fenda de um tronco de sucupira, pouco além do pátio da cabana, d’onde Jacyra recolhia o amado presente, evitando, quanto possível, os olhos suspeitosos de seu pai, e de Imburé que a seguia com o faro da lontra rastreando o ninho furtivo da saracura.


Um dia foi descoberto o esconderijo e o cacique disse a Imburé: “Tomai o meu arco mais possante e uma flexa ervada no suco da manacá, para introduzires no peito da jararaca que vem enroscar-se ali no tronco da sucupira, quando o sol vai dormir com a mãe de ouro nas furnas sombrias do Itatiaya”.

Jacyra ouviu e, por intermédio de uma índia já idosa que era sua confidente, mandou aviso a Tabára. Depois ocultou-se em um recanto da cabana, e quando Imburé cumpria a ordem de seu pai, embebendo a flecha no suco venenoso, ela conseguiu apanhar o arco, que estava de um lado, e passou pela corda uma substância que tinha a virtude de combalir a fibra mais resistente.

No dia seguinte veio Tabára ao lugar costumado; mas em vez de plumas para adornos de sua amada, trazia no carcaz duas flechas, tendo uma delas preso na haste, um guiso de cascavel. Imburé espreitava-o no pátio da cabana, e mal divisando o vulto de seu rival ao pé da sucupira, engatilhou a flexa envenenada. Quando ia vibrar o dardo traiçoeiro, esticando o seu arco de brejaúba, partiu-se pelo meio a corda infiel no mesmo lugar em que Jacyra hávia posto a essência misteriosa.
Tabára aproveita o ensejo e despede-lhe uma flecha tão odienta que foi certeira no coração do pérfido.

Em seguida, arremessa para o tronco de um cedro gigante que havia junto a porta da cabana: era a que tinha o chocalho da cascavel, e segundo o rito selvagem, queria dizer que ele anunciava guerra de morte contra o cacique. Também, era de uso ficar cravada ali, até que no fim da contenda, o vencedor arrancasse-a para enterrar no peito do vencido.

III

Mal despontava o segundo sol, depois daqueles sucessos, já uma troça de guerreiros vinha em marcha sobre a cabana de Pojú defendida por fossos e caiçaras cercados de espinhos.

Tabára vinha na frente. Cingia-lhe a cintura uma pele de sucuri ornada de plumas de ema e tendo por abotoaduras um enorme dente de jaguar. Não trazia uma flecha que não fosse ervada no veneno do bororé. Só o aspecto deste guerreiro servido de músculos atrevidos, e agitando a sua maça (tacape) de cabreúva curtida no sangue de tantos inimigos, bastava para amedrontar os poucos que defendiam a morada do velho cacique.
Seguiu-se o ataque. Um chuveiro de setas desabou sobre os que estavam em linha defensiva defronte da cabana. Estes responderam com frieza, enquanto Pojú via o assalto escondido por trás de um parapeito giçaras.

Tabára com os seus, ia saltar os fossos, e galgar as trincheiras para travar-se a peleja corpo a corpo, quando a filha do cacique surge na esplanada com um ramo do Tymburibá, que era o sinal da rendição de seu pai.

Tinha o vencedor de ir ao tronco do cedro, arrancar a flexa do desafio e cravá-la no coração de Pojú. Jacyra ajoelha-se aos pés do amante, intercede pela vida do pai, e ouve em resposta :
“Eu era o jaguar ferido, e tinha sede de vingança; mas a fera altiva rejeita o sangue do morcego. Pojú viverá; mas tu hás de seguir-me”.

Dizendo isto, arrebatou-a, transpôs o valado de um salto e desapareceu no cerrado das matas, tendo ainda a bela virgem o ramo de paz seguro pela mão e unido ao peito como o emblema de um culto.

Ele, soberbo da presa, ela, entre chorosa e contente, foram descançar à entrada de uma gruta de pedra guarnecida de trepadeiras e de bombolinas (folhagens) de parasitas. Ali os estalidos dos primeiros beijos resoou nas abóbodas daquele céu de granito, e a natureza abençoou o consórcio dos dois amantes...

Tabára lhe disse: "Onde queres, jaçanã formosa, que vá construir o teu ninho?" E ela respondeu: "Quero longe destas árvores que respiram sangue. Vamos para além do rio de águas prateadas onde moram os tiapáros e a maldição de meu pai há de recuar diante de suas cachoeiras magestosas."
"Levarei comigo, para plantar ao pé da nossa tenda, esse ramo que pôs termo à carnificina da cabana, poupando os dias àquele de quem despresaste o sangue, como vil, mas, que agora, folgas de ver borbulhar de amor em minhas veias."

Dias depois, o par fugitivo já estava na margem esquerda do Paraíba, duas léguas distante da velha aldeia, donde quase toda a cabilda desertara para acompanhar o seu novo chefe.

À pressa construiram uma igara de bicuibuia em que os amantes atravessaram o rio, indo em jangadas o resto da tropa e a bagagem de armas e utensílios daqueles imigrantes que feriam os ares com palmas e cantos de alegria ao tomarem posse da terra virgem à margem do rio.

IV

O sítio escolhido para a tenda foi uma linda chapada no cimo da montanha de onde se avista o gigante de pedra da serrania fronteira, e no Paraíba as catadulpas (quedas d’águas) fervendo em cachões (cachoeiras)e formando mais abaixo, uma larga baia de águas serenas.

O primeiro cuidado de Jacyra foi mergulhar na terra ao pé da cabana, o ramo querido, relíquia do lar paterno, e com suas mãos regava sempre aquela vergôntea (ramo de plantas) expatriada. O Tymburibá cresceu como por encanto e no fim de poucos anos, debaixo de sua coma esplêndida, vinham os dois amantes fruir as delícias de um amor que ainda não tinha descido um grau de sua antiga temperatura.

O primeiro filho de Jacyra, morto com dois anos, foi sepultado junto à raiz daquele tronco.

Correram os anos, e Jacyra tinha no ventre nova esperança, quando numa noite de trovões medonhos ela ouviu o bacurau soltar um pio de agouro no cimo da árvore predileta: Estremeceu horrorizada.

No outro dia, quando Tabára veio da pesca, silencioso e de sobrolho carregado, ela ouviu-lhe estas alusões tremendas :

“Venho de escutar a mãe d'água; ela me disse que a jaçanã se tornara em serpente para iludir aquele que a tirara de seu ninho podre, onde aprendeu com seu pai a ser fementida como a cobra. Quando o esposo vai à caça, vem um guará da selva e ela recebe os seus beijos. O que está no seu ventre a mãe d’água o disse..."
"Agora, bebe o suco desta planta" concluiu Tabára deitando fogo pelos olhos. Jacyra obedeceu com a mudez da inocência tranquila e de um trago sorveu o licor desconhecido. Em duas horas era mãe pela segunda vez; e Tabára, vendo a sua efígie estampada no rosto do filhinho morto, prostou-se enternecido aos pés de Jacyra.
Quando faziam a cova para enterrar a infeliz criança no mesmo lugar onde estava o primeiro fruto dos seus amores, Tabára disse à esposa :

"Amas Potiá? Não cuspas a baba da mentira na sepultura dos filhos e diante desta árvore sagrada: quando eu parto não vem ele à cabana atraiçoar o teu esposo?"

-Vem, tornou ela, "porque é o teu amigo do peito; mas sai triste quando não te encontra e vai procurar-te no coração das brenhas. Espreita-o e verás se eu minto."

-Ele não volta, murmurou Tabára, "já lhe mordi as entranhas e atirei o seu coração à caverna onde mora o canguçu esfomeado. A mãe d’agua não mente, Jacyra, e se queres ouví-la, vamos ao boqueirão."

E foram ambos interrogá-la por baixo de uma pedra sonora em forma de campanário, e de onde surgia um lindo jorro d’agua. Segundo a crença, o espírito que ali estava conhecia o pensamento do evocante e para ouví-lo falar, bastava uma pancada que fizesse ressoar a pedra maravilhosa. Dado este sinal, ouviram-se as seguintes revelações:

"Anhangá, o espírito maligno, turvou a cabeça do guerreiro. Potiá e Jacyra nunca se amaram. Ingaíba, a invejosa, é quem ama Tabára sem que ele o presinta; e, para perder Jacyra tomando para si o seu leito de esposa, armou-se esta cilada.
Sabendo-se que Tabára queria ouvir-me sobre a boa ou má estrela de seu segundo filho prestes a nascer, adiantou-se dele, e, ocultando-se ali, tomou a minha voz logo que ele feriu a pedra, e disse: A estrela do filho de Jacyra não há de ser boa, porque ele é o fruto da traição da esposa amada por Potiá, o amigo fementido...
Surpreendi aquele embuste e aguardava o dia em que as duas vítimas me viessem interrogar em pessoa. Agora voltai à cabana e vivei unidos como a rola que ama e confia. Entretanto, na outra noite em que o bacuráu voltar à ramagem do Tymburibá, Tabára expiará os crimes de ter morto o amigo inocente e atentado contra o ventre de Jacyra.”

V

Tabára, convicto da fidelidade da esposa, amou-a com mais fervor ainda do que em outro tempo, e, julgando que lisonjeava o seu capricho de mulher ofendida, perguntou-lhe um dia:

“Queres que traga pelos cabelos a pérfida Ingaíba para ser moqueada no braseiro, como se faz a irara daninha?”

"Não -disse Jacyra- quero que ela viva. Basta o sangue de Potiá, que deste a beber ao canguçú, para trazer um dia à nossa cabana os raios de Tupan encolerizado."

Volveram os anos, Jacyra não teve mais filhos. O esposo dava-se por feliz ao lado dela; porém a briosa indiana, sempre triste, parecia ter por dentro uma víbora que lhe mordia as entranhas. Começou a definhar.

Um dia, surge ali um índio foragido da velha aldeia, e deu-lhe notícias:

- Um incêndio casual, havia já muitos anos, tinha devorado a cabana de Pojú, e ele dormindo, ficou envolvido nas chamas.

Recrudesceram as mágoas de Jacyra.

Sucedeu ir Tabára a uma excursão demorada e uma noite veio o tétrico bacuráo ao lado do Tymburibá soltar o pio sinistro anunciado pela mãe d’água. Jacyra, ergueu-se do leito e, ao romper dálva, dirigiu-se à árvore amiga, levando consigo uma cabacinha lustrosa que continha o extrato de uma planta.

Abriu em três quadros separados o casco do tronco e decobrindo-lhe o alburno, pintou nele alguma coisa que lhe fazia cair o pranto dos olhos desvairados. Depois levou a taça aos lábios convulsos e dentro de poucas horas estava o seu corpo estirado sobre a sepultura dos filhos.

No outro dia, voltando, Tabára, viu a árvore apinhada de corvos; mas o corpo da esposa ainda intacto e no mesmo lugar em que havia caído, volvendo os olhos para o tronco, deu com estas imagens alusivas:

___ O primeiro quadro era uma cabana, onde um velho alquebrado apertava a cabeça com as mãos, e diante dele uma ave de rapina levando nas garras uma pomba.

___ No segundo, a mesma ave, de olhos famintos, abria o ventre de sua presa.

___ O terceiro era uma figura de mulher desgrenhada, tendo nos lábios uma taça e a mão direita despedindo-se de um guerreiro que chorava.

Aquelas farpas truculentas, entraram tão fundas pela alma do índio aturdido, que ele próprio levou a cabeça de arremesso ao tronco, e ali ficou algum tempo rugindo como o tigre arpoado por um chuveiro de setas.

Tornando a si, tratou de dar sepultura ao corpo da esposa no mesmo lugar em que jaziam os seus filhos; e antes de lançar-lhe terra, debruçou-se à beira da cova, abriu as carnes do peito com a ponta de uma flecha e deixando cair o seu sangue em cima do cadáver, com as mãos postas para o fundo da sepultura, murmurou estas palavras entrecortadas de soluço:

___ Jacyra, eu te suplico, perdoa os erros de Tabára, como perdoaste a malvadez de Ingaíba e com este sangue lava a injúria que fiz à tua inocência.

"A esta hora Ibag já destinou para a tua cabeça de mártir, um cocar de luz resplandescente vazado no fogo das estrelas."

“Só o meu corpo macerado e a minha alma de réprobo, ali ficam entregues à Anhangá para fazer deles o mesmo que a ventania faz com as folhas desgarradas que volteam nos ares como serpentes que enlouqueceram.”

“Potiá, bebe algumas gotas do meu sangue para fortalecer o braço da tua vingança.”

“Pojú, abençoa este sacrifício cruento, com as tuas mãos de pai comovido. Tua maldição gastou-se como o dente da pantera que tem já varrido todos os habitantes da floresta.”

VI

Ditas aquelas palavras nesse estado de superexcitação que anuncia a loucura por uns traços de lucidez admirável, o infeliz guerreiro disparou a correr pelas brenhas, uivando como possesso e batendo algumas vezes com a cabeça pelo tronco das árvores.

Cumpriu-se o vaticínio da sybilla , do boqueirão!

Tabára expiou de sobejo as demasias do seu amor de bárbaro, vivendo ainda algum tempo debaixo daquele suplício. Um dia foi encontrado morto no fundo de uma ribanceira e os seus camaradas lhe deram sepultura debaixo no mesmo Tymburibá, que se tornou, assim, a cortina protetora de um túmulo contendo uma família inteira de puris mal-aventurados.

Pode ser que esta lenda perpetuada na memória dos que povoaram esta terra, explique a longevidade dessa árvore magestosa que escapou à voracidade do machado e resistiu a tantos vendavais, para cair em nosso dias como todas as grandezas que se apoiam na terra frágil deste mundo vão.


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NOMES E COSTUMES REFERIDOS NESTA LENDA

Tymburibá
Árvore secular que havia no planalto do morro dos Passos desta cidade (Resende), e não há muitos anos deixou de existir, sem que se saiba, ao certo, a causa de sua destruição.
Não damos ao leitor a sua classificação botânica,por não a termos obtido. Talvez, como outras plantas, nem seja ela conhecida em nossa flora.

Seu tronco erecto, e de altura considerável, media na base, cerca de dois metros de grossura,além dos contrafortes que a sustentavam. Vestido de uma copa majestosa,o Tymburibá impunha-se de longe à curiosidade do viajante como as torres góticas das cidades vetustas que fizeram seu ninho de águia na cabeça dos montes. Duas particularidades originais davam-lhe à frondagem um aspecto lindamente pitoresco: a sua madeixa de musgo, espécie de clina vegetal que pendia de seus ramos, balançando-se de contínuo ao toque da brisa; e, no tempo da infloração, aquelas bainhas verde-negras de forma cilíndrica, presas a um fio longo e delgado, e a cairem como lágrimas, ou pingentes de um candelabro gigante perdido nas amplidões do espaço.

Não existindo mais esse resíduo explêndido de nossas matas primitivas, é impossível determinar sua idade mediante qualquer estudo fisiológico que induza a conclusões prováveis. A julgar pela imensidade do tronco, rigidez da madeira, espessura e dilatação de suas raízes e outros sinais que nos ficam na lembrança, não teria o nosso Tymburibá algumas centenas de anos de existência? Há século e meio (1744) foi esta terra descoberta por exploradores vindos de Minas Gerais, que já deviam encontrar essa árvore em estado de pleno desenvolvimento, por duas razões: a ser então um simples arbusto, não teria resistido ao ferro e ao fogo dos primitivos cultivadores do solo; por outro lado, também não se pode presumir que fosse um renovo de capoeiras depois das primeiras derrubadas, por ser uma planta vigorosa, de alimentação exigente, e que em solo deflorado não atinge a essas proporções colossais.

Se a mão do tempo não tivesse como que ungido a fronte daquele patriarca venerando, acaso ter-nos-ia inspirado esse interesse com que ainda ontem lhe consagrávamos uma espécie de reverência, como se houvesse nele alguma coisa de sagrado ou de recôndito nas dobras de qualquer tradição imemorial respeitável?

Lubbock em seu precioso livro – Origens da Civilização - tratando do culto das árvores na infância dos povos, além do Rajauatana da Índia, que nos fala de uma árvore do Ceilão a quem se atribuia dois mil anos de existência, e era tão venerada que milhares de peregrinos, todos os anos lhe vinham trazer oferendas e fazer as suas preces a bem da saúde e da felicidade de cada um. Quem sabe se o nosso Tymburibá fora também uma árvore célebre na liturgia dos bárbaros que habitaram estas paragens? Algum motivo ignorado influiu para a sua conservação até nossos dias...

O fato é que vimos cair a árvore amiga que conviveu com tantas gerações, sem que merecesse de alguém uma menção necrológica. Como se fosse um despojo antediluviano, também não se sabe o destino que teve a ‘ossada do mastodonte’. Só a edilidade e a imprensa lembraram-se de perpetuar sua memória, ligando o seu nome a uma rua que pode vir a ser bela, e a um periódico que está prestando serviços à causa pública.


Puris
Era uma tribo nômade que vagava pelos sertões da Mantiqueira, às margens do rio Jequitinhonha e nas terras da província do Espírito Santo. De baixa estatura e pouco robustos, não obstante,sustentaram esses índios longas guerras com os Aimorés,os Coroados, e finalmente com os Botocudos. Mudavam facilmente de residência logo que a caça e os frutos começavam a escassear; por isso as suas construções eram limitadas, e no feral dormiam debaixo das árvores.

Segundo alguns historiadores,eram os Puris de caráter dissimulado, mas atrevidos e empreendedores . Como todas as tribos, dividiam-se em cabildas, ou grupos de famílias, cada uma com o seu chefe (morubixaba), e assim fizeram vários aldeamentos em uma margem do Paraíba, onde se encontram vestígios numerosos até grande parte das províncias de São Paulo e Rio de Janeiro.
Foi um desses grupos que teve assento permanente em terras onde é hoje a paróquia de São Vicente Ferrer(*),e chegou a viver em comércio pacífico com os povoadores da primitiva e extensa frequesia de N.S. da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova, criada em 2 de janeiro de 1756.

Não obstante,o sargento-mor Joaquim Xavier Curado teve ordem do Vice-Rei Luiz de Vasconcellos para subjulgar esses índios a pretexto de infestarem algumas fazendas e consta que nesse bárbaro sistema de catequese, praticou muitas crueldades, distinguindo-se o chefe conhecido por Mariquita, que afinal depôs as armas e submeteu-se ao governo do distrito; ficando esses desgraçados com os seus descendentes sob o protetorado da lei e cuja administração (cumpre dizer)
nunca se desvelou pela pessoa e bens desses índios, a ponto de serem as terras ocupadas por particulares, segundo consta, sem que o governo até hoje, tratasse de ampará-los.


Pocema
Vozerias que levantavam os índios, atroando os ares com gritos de alegria, e ao som de instrumentos rudes, quando celebravam suas vitórias, aclamavam seus chefes, ou sacrificavam as vítimas em redor das fogueiras para entregá-las ao moquém.


Caiçaras

Cerca de gissáras, ou de taboca, que servia de trincheira nas tabas ou habitaçòes comuns em ocasião de guerra, e quando previam algum assalto do inimigo.


Maça de Guerra

Era de madeira pesada e de quatro faces, com ornatos, redonda e mais delgada no cabo. Algumas tribos davam-lhe o nome de tamarana,ou tangapema, quando era em forma de pá ou remo.No Amazonas chamavam-lhe cuidarú.

Coincidência notável : este instrumento de uso antiquíssimo, tinha a mesma forma da clava de Hércules, segundo a mitologia dos gregos. A Bíblia fala dele e os romanos também o tinham guarnecidos de ponta de ferro, dando aos seus combatentes o nome de clavatores; assim como na idade média, foi sempre a maça das d’armas empregada nos usos da guerra até a invenção da pólvora.

Manacá
Planta indígena, Francisca uniflora. Pohl. Martins.
Dele extraiam os naturais, um suco venenoso em que mergulhavam as pontas de suas flechas. Da raiz faziam vários usos medicinais ainda hoje recomendados por nossos herbanários.



Flecha de Guerra
Eram as flexas de forma diferentes, segundo se destinavam a caça,a pesca, ou aos usos da guerra. Estas últimas,feitas de ubá e de altura de um homem, tinham na extremidade uma peça de pau-ferro com dois palmos de comprimento, e a ponta sempre hervada, havendo o cuidado de trazê-las em aljavas (protegidas) por causa do perigo, enquanto as outras eram conduzidas em feixes atados por algum cipó especial.

Na guerra, também usavam de umas lanças de arremesso do mesmo pau-ferro, hervadas, muito finas e bastante compridas, a que chamavam curabis, e outras marucus . Mais interessante era o instrumento de arremesso que no alto Amazonas consistia em um tubo com bocal e mira,d’onde por meio de sopro,disparavam setas finas ou puas hervadas. O uso das flexas na América, e sua semelhança com as de povos antiquíssimos de outros continentes, além de mais coincidências de costumes, de utensílios de pedra da idade neolítica, e até algumas formas da língua Tupi, tornam
plausível a opinião dos arqueólogos que atribuem a povos pré-históricos da Ásia e do Mediterrâneo a origem dos nossos selvagens.


Bororé

Outro veneno com que hervavam as setas, extraído de certas plantas dos lagos e pântanos. Consta que só as velhas se encarregavam de sua preparação por ser muito perigoso.
Querem alguns que ele seja o mesmo curare, conhecido hoje, e que Humbold supunha ser um strychnos. Também, se diz que o sal e o açucar são seus antídotos, posto que mui fracos.


Igara
Canoa que faziam os nativos, cavando com auxílio do fogo o tronco de árvores menos rijas. Algumas vezes faziam-na do casco somente com talas no meio e amarradas de cipó. As canoas maiores traziam de 50 a 60 remadores e apresentavam grande semelhança com os pentecontores dos antigos egípcios.


Moquém
Quando nesta lenda se falou em moquear Ingaíba, por traidora, aludiu-se ao custume geral dos indígenas, que sacrificavam os prisioneiros de quem por vingança e ódio, comiam a carne depois de moqueada, o que faziam com grande cerimonial.
É portanto,um erro supor-se que os antropófagos eram movidos pela gula. Como acreditavam em penas eternas para os que morriam insepultos, comendo a carne do inimigo, perpetuavam assim o castigo da vingança. Querem alguns que essa fosse a origem dos banquetes antropófagos.


Mãe D’agua
A mesma idéia de um espírito benfasejo, senhor das águas, que os nossos selvagens adoravam e tinham como oráculo, acha-se mais ou menos no culto fetichista de muitos povos primitivos. Na mitologia grega, já eram as ninfas que presidiam as fontes, Tácito, Plínio e Virgílio, falam de lagos sagrados e dos tempos primitivos da Inglaterra, Escócia e Irlanda, ficaram tradições de fontes onde faziam oferendas ao gênio do lugar.
Com pequenas variantes, o mesmo culto havia entre os Sírios, Persas, na Ásia oriental, África, e em toda a América.


Anhangá
Espírito malígno. Havia outros a que davam os nomes de Jeropary, Curupira, Caipora, etc.


Ibag
Firmamento. Ali supunham os índios do Brasil, que habitava Tupan, o senhor dos raios e dos trovões, com que ele manifestava a sua cólera. Às vezes procuravam tomar vingança desse espírito malígno, disparando flechas para o céu.


Bacurau
Essa e outras aves noturnas eram tidas em grande respeito pelos nossos selvagens que nunca as matavam; e, como ainda hoje o vulgo supersticioso, tomavam sempre à conta de mau agouro o pio das corujas.
Não admira isso. Em outra parte do mundo, houve a mesma preocupação. Até os gregos consagravam a Minerva, uma dessas aves. Apareceu também, gravadas em moedas atenienses; e os egípcios tinham uma divindade chamada Neith, que era representada em forma de ave noturna.


Morro dos Passos e sua capela

O espaçoso tabuleiro de terra que se expande no cimo desta montanha, é digno de descrever-se pelas belezas naturais que fazem dele um dos subúrbios mais poéticos desta cidade, e centro visual de um formoso panorama que talvez não encontre semelhante nesta província, tanto pela extenção diversificada de quadros, como pelo agrupamento de suas formas caprichosas e de seus relevos originalíssimos.

Deixemos, porém, esses traços de paisagem para quem melhor que nós, se queira encarregar da pintura e tratemos de sua parte noticiosa.

A capelinha gentil, que fez ali o seu pouso de garça imaculada recebendo o ósculo de amor dos fiéis que sobem a render preces à imagem do Cristo martirizado, teve por guarda fiel ao pé de si, e desde o berço, a árvore tradicional que deu assunto a esta lenda. Pede a harmonia do quadro (não é fora de interesse histórico) que lancemos aqui notícias acerca desse templo de proporções modesta, mas que honra de sobejo o espírito religioso da localidade.

Conta-se que um pobre e antigo morador do alto do morro, tinha ao pé da choupana um nicho de palha com uma estampa grosseira, representando a imagem do Senhor dos Passos; dois homens dos mais distintos da antiga Vila de Resende, vendo, por acaso aquele exemplo de piedade rústica, e, achando o lugar asado para uma capela com o mesmo orago, porque recordava o monte onde se perpetuara o mistério da sagrada paixão, conceberam a idéia de levantá-la com o auxílio de esmolas e à 14 de dezembro de 1827 teve começo a obra, criando-se, ao mesmo tempo,a irmandade respectiva.


Sem sacrifício dos cofres públicos, construiu-se a capela concorrendo uns com dinheiro e materiais, e outros com serviços; sendo a administração confiada ao Padre Marques da Mota, e o terreno de patrimônio doado pelo Tenente Domingos Gomes Jardim, um dos caracteres mais sãos e mais prestimosos de nossa antiga municipalidade.

Não estava decorada, mas prestava-se já ao exercício do culto, quando em 1848, na noite de 22 para 23 de novembro, um pavoroso incêndio reduziu a cinzas todo o edifício com exceção das paredes por serem construidas de taipa. Felizmente escapou a voracidade das chamas, a imagem do Senhor por achar-se então fora do recinto.

Obra do célebre Alão, que ainda não foi excedido neste gênero, é um dos mais suntuosos e de esmerada perfeição que se conheceu nas igrejas do império. Dentro de pouco tempo foi o nosso templozinho reconstruido, e, a força de muita dedicação, a Phenix que tinha renascido de suas cinzas adquiriu um aspecto mais decente, posto que ainda hoje lhe faltem a abóbada, o ornato das torres, os corredores laterais, e alguns altares.

Não devemos ocultar a causa do grande incêndio, devido a incúria de se ter conservado muito tempo a porta principal apenas fechada por uns paus roliços e mal pregados, o que deu lugar ao ingresso de um pobre alienado que, pernoitando dentro do recinto, acendeu lume no assoalho de madeira, e depressa o fogo ateou-se por todas as partes de edifício.

Ainda, algum tempo depois de reedificada a Capela, faltava às suas paredes internas, o necessário revestimento que teve lugar em 1869, devendo-se esse importante benefício, a uma senhora que já não existe e cujo nome não queremos declinar.

Foi a mesma que já em 1861 havia oferecido à irmandade, uma banqueta dourada que ainda hoje serve no altar do fundo, sendo essa dádiva mandada inserir pela Mesa respectiva em uma das atas de outubro do mesmo ano. Mais tarde, fez-se o consistório do lado direito, ainda em bruto, tendo apenas a sacristia em estado de serva provisoriamente.

O espaço de uma nota, não permite comemorar aqui os nomes de outros benfeitores desta Capela, digna sem dúvida, de toda a atenção e carinho da população católica.

FIM

Detalhe:

- A Freguesia de São Vicente Ferrer, atualmente Fumaça (6º Distrito de Resende - RJ), mencionada no início capítulo I, teve origem na aldeia de São Luiz Beltrão, mandada fundar pelo Vice-Rei D. Luiz de Vasconcelos e Souza em 1788, para acolher os índios Puris , esparsos pelas serras vizinhas.

Em 1837 ainda existiam 133 índios mestiços e puros nas terras que haviam sido dadas para o patrimônio da aldeia e se estendia por meia légua, desde o ribeirão da Lage até o rio Preto. Em 1865 este autor procurou descobrir o local da aldeia e só encontrou uma parede de pedra seca, o que restava do oratório erquido pelo capelão dos índios, Padre Francisco Xavier de Toledo, mais ou menos em 1788 e 1789.

Embora subsistindo a aldeia com o nome de São Luiz Beltrão, criou-se antes de 1835, nas terras que a abrangiam e outras vizinhas, o curato sob a invocação de São Vicente Ferrer e em 1838 pela Deliberação de 13 de outubro, já era sede de distrito de paz. O curato passou à classe de freguesia com o Decreto: 287 de 19 de maio de 1843 e esta foi desdobrada com a criação do curato, depois freguesia de Santo Antônio da Vargem Grande.

Com a denominação de São Vicente Ferrer em virtude da divisão administrativa de 1892, foi conservado o distrito até os dias atuais, porém com a divisão administrativa de 1938-1943, mudou o nome do secular distrito para o de Fumaça, que é uma cachoeira formada pelo rio Preto, ao longo de sua margem direita.


Abaixo cópia digitalizada da edição original da Lenda do Tymburibá 
publicada pela gráfica do jornal "A Lyra" no início dos anos 1900.
Original preservado no acervo Fernando Lemos.





Edição, revisão e digitalização: Fernando Lemos

Um comentário:

  1. Maravilhoso!
    Moro a pouco mais de 6 anos aqui em Resende e ainda não havia ouvido ou lido qualquer coisa sobre esta maravilhosa lenda.
    Parabéns por divulgá-lo em seu blog. Vou estar sempre por aqui, lendo os teus textos.
    Um grande abraço.

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